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Pobre Palmeiras

Almir Leite

27 Outubro 2006 | 13h55

Patética. Essa é a melhor definição para auto-entrevista do homem que manda no futebol do Palmeiras, Salvador Hugo Palaia, no dia seguinte à derrota para o Corinthians que aumentou o risco de o time cair para a Série B. Impedir os repórteres de fazer perguntas e, autoritariamente, fazer ele mesmo as perguntas e dar as respostas que queria (e nem assim conseguiu ser articulado e convicente) e mais um exemplo de que, no Palmeiras atual, a censura campeia a torto e a direito – dias atrás o assessor José Isaias, esquecendo-se de que já trabalhou anos a fio na grande imprensa, proibiu os jornalistas de fazer perguntas sobre alguns assuntos, entre eles, o atraso do pagamento dos salários.
Não vou aqui nem criticar os jornalistas por não se insurgiram contra tal ato, até porque eles souberam tratar o fato criado por Palaia com o espírito de galhofa que a ocasião convinha. Claro, há exceções, como Luciano do Valle, de brilhante passado remoto, mas que há algum tempo sequer acerta nomes de jogadores quando narra uma partida de futebol (mas não larga o osso) e “entendeu” a atitude de Palaia. Talvez seja porque ele é um jornalista que acha que contestar, discordar, reprovar ou cobrar deixa o entrevistador “mal na fita” com o entrevistado. Mas., no geral, a imprensa levou a auto-entrevista de Palaia na merecida gozação.
Aí é que está o problema principal do Palmeiras. A falta de seriedade, de competência, de preparo e de inteligência de seus dirigentes e assessores. O Palmeiras merece ser tratado com respeito, e ter seu futebol comandado por alguém que não sabe o que dizer (vai ver que não tem o que dizer) não vai tirá-lo do buraco. Palaia desviou o foco da derrota para o Corinthians, é verdade. É um mérito. Mas mérito só para aqueles que acham que, no futebol, a malandragem vale mais que o trabalho sério e competente.
É provável que ele não tenha se deixado perguntar para não ser confrontado com a besteira que fez ao obrigar Tite (o que levantou o fraco time) a pedir demissão. Esse é um assunto no qual ele não gosta de tocar, pois está cada vez mais claro que, se o Palmeiras cair, a culpa maior será sua.
Acho que o Palmeiras escapa, pois a fraca Ponte Preta e o medíocre, desinteressado e irresponsável Fluminense não deixarão o clube do Parque Antártica visitar novamente a Série B. Mesmo assim, está na hora de Palaia voltar a dedicar-se somente a seus negócios imobiliários. Futebol do Palmeiras, para ele, só nas numeradas. E, mesmo assim, sem comer amendoim.