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Um público especial para a revanche

Eliana Souza

06 Setembro 2006 | 10h14

A extrema direita francesa, que já não é fã da seleção nacional por causa da miscigenação racial – que levou o país a conquistar sua única Copa do Mundo, é bom ressaltar -, vai estrilar com parte do público presente nesta quarta-feira ao Stade de France para a revanche da final da Copa, contra a Itália, partida válida pelas eliminatórias da Eurocopa.

A agência EFE informa que o zagueiro Thuram e o volante Vieira enviaram 70 ingressos da partida a um grupo de imigrantes ilegais que está abrigado num ginásio nos arredores de Paris. Eles viviam num prédio ocupado na cidade de Cachan, que foi evacuado pela polícia há cerca de três semanas, numa medida que gerou protesto dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda do país. Os sem-teto dizem ainda que o governo vai enviar ônibus gratuitos para levar os felizardos torcedores.

Thuram e Vieira, o capitão da seleção após a aposentadoria de Zidane, são atletas negros, bem-sucedidos – campeões do mundo e europeus – e engajados polificamente. Durante a Copa, Thuram respondeu publicamente a uma crítica do prócer da direita xenófoba francesa, Jean-Marie Le Pen, sobre a mistura racial nos Bleus. “Fico surpreso que o senhor Le Pen, que já disputou a Presidência da República, desconheça a história de nosso país. Ele deveria saber que existem negros franceses e loiros franceses”, respondeu na época.

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