Bruno Voloch

04 Fevereiro 2016 | 12h19

O blog foi buscar Arlene em Cascavel, no Paraná.

Ela faz falta. É peça rara no mercado. Difícil de encontrar. A disposição e a sinceridade nas palavras não mudam. Os anos passaram e Arlene ainda é a mesma, ou quase a mesma.

Aos 46 anos, essa mineira de Contagem vai quebrando todos os protocolos.

Autêntica, vendendo saúde e bom humor.

3 vezes campeã brasileira, Arlene conta os segredos da longevidade, diz que pretende jogar ser campeã da Superliga B, voltar para a elite e fala com carinho do técnico José Roberto Guimarães.

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É dura ao comparar o vôlei do passado com o presente e não poupa críticas quando o assunto é profissionalismo.

Como você justifica tanta disposição aos 46 anos de idade?

Eu sempre gostei de jogar vôlei e me dediquei muito ao esporte. Não tenho nenhuma lesão que me impeça de estar nas quadras. O fato de amar jogar vôlei me faz quebrar paradigmas e vencer desafios. Sou uma privilegiada.

A Arlene é inquebrável? Não tem defeito de fábrica?

Não sou inquebrável não. Eu tenho é muita força física que vem vem de família. Meu  problema está do pescoço para cima (Arlene ri muito).

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Como surgiu a parceria com Cascavel para jogar a Superliga B?

A opção por Cascavel é simples. Eu estava em São José mas o projeto parou parcialmente e aceitei o convite. Abracei Cascavel com unhas e dentes. Aqui as pessoas são boas, profissionais e estou dando o meu melhor como sempre fiz por onde passei.

E você vai jogar até quando?

Pretendo jogar até quando meu corpo permitir e estiver ajudando meu time. Tenho que me sentir útil. Se estiver correspondendo ao me técnico e ao meu grupo vou em frente. Quero colocar Cascavel na elite e jogar a Superliga novamente de qualquer jeito.

Quais as melhores recordações do esporte?

Sempre ouvi muito os conselhos das mais velhas. Não dá para esquecer o título nacional pelo Minas em 1992, foi o primeiro. No Flamengo com o Luizomar foi especial em 2001 porque a gente tinha sérios problemas financeiros e superamos tudo. Como não lembrar que aos 32 anos fui eleita a melhor líbero do mundo em 2003 pela seleção.

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E o melhor treinador?

Citar um só seria injusto, mas o José Roberto Guimarães foi importante demais na minha carreira e na transição quando mudei de posição e deixei de ser atacante para jogar de líbero. Sou grata a todos de uma forma geral e aprendi com a maioria.

São quase 30 anos de carreira. O que mudou no vôlei?
Olha, o vôlei era mais cadenciado. Hoje é mais rápido, acelerado e o biotipo da mulherada mudou. Acompanhamos a evolução e sempre o BRASIL está entre os 4 melhores do mundo. O que muitas jogadoras precisam entender é que o vôlei não é só dinheiro. Hoje é assim. Na minha época era mais amor, trabalho, paixão, orgulho da camisa que se vestia e defendia. Falta muitas vezes respeito, digo respeito não só com as adversárias, mas também no grupo que se convive. Falta ainda uma boa dose de humildade para algumas jogadoras das últimas gerações e o respeito precisa partir de quem comanda.
Alguma mágoa ou ressentimento?
Mágoa nenhuma. Zero. Qualquer problema que tive sempre resolvi na hora com uma boa conversa. Mágoa é para quem é pobre de espírito e gente mal resolvida.

 

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