Ju Odilon após Rio do Sul fechar as portas: ‘Não recebemos e não foi a primeira vez. Poderiam ter evitado. É irresponsabilidade. Realidade do vôlei’.

Ju Odilon após Rio do Sul fechar as portas: ‘Não recebemos e não foi a primeira vez. Poderiam ter evitado. É irresponsabilidade. Realidade do vôlei’.

Bruno Voloch

09 Outubro 2017 | 09h47

Ver um time de vôlei fechando as portas no BRASIL não chega a ser uma novidade. O caso envolvendo Rio do Sul não foi o primeiro e certamente não será o último.

O que chama atenção nesse triste episódio é que os dirigentes do clube anunciaram a decisão faltando menos de duas semanas para o início da Superliga. E nada acontecerá. Nem com o clube e muito menos com os envolvidos.

E é simples a explicação.

A CBV, Confederação Brasileira de Vôlei, conivente, já sabia que Rio do Sul corria o risco de não jogar a competição, tanto que no mesmo dia Valinhos foi anunciado como substituto.

As jogadoras, para varias, estão isoladas e são como sempre as maiores prejudicadas.

O blog fez questão de procurar as atletas. Tamanho descaso não pode ficar barato.

Juliana Odilon, 32 anos, ex-Fluminense, falou com o blog. Corajosa e autêntica, ela desabafou. Confira na entrevista:

Como vocês foram avisadas do fim do time?

Faltando duas semanas para começar a Superliga fomos avisadas o time estava fechando as portas. Encerraríamos as atividades. Não fomos pegas totalmente de surpresa porque as coisas não estavam bem. Salários atrasado. Estávamos na expectativa se a prefeitura assumiria o time, mas não deu certo. O sr Nilo, presidente da associação, chegou para o grupo e disse que não tinha mais condições de tocar o projeto, não tinha como ir adiante.

E o clube está em dia ou devendo vocês?

Nós recebemos o primeiro salário. Já no segundo, recebemos apenas uma parte, já estava na hora do terceiro e não recebemos. Fora a situação do ano passado. As meninas saíram daqui sem receber. Acho que isso já nos assustou quando não recebemos o salário completo. Já sabíamos da situação do time anterior.

É verdade que até ‘vaquinha’ fizeram por aí?

Na verdade eu não sabia dessa história. Fiquei sabendo depois. Parece que alguns torcedores se ofereceram para ajudar a equipe.

Como foi treinar e viver isso no dia a dia?

Nós estávamos ansiosas por uma resolução. Mas continuamos treinando forte, sabíamos que assim que a bola subisse, ninguém quer saber o que aconteceu. Então estávamos empenhadas, treinando bem. Fomos profissionais. Porque se tudo resolvesse teríamos que estar bem para começar a Superliga. O grupo foi muito maduro com relação a isso. Mas foi uma pancada escutar que estávamos fora.

E o futuro? O que fazer?

Bom eu sei da dificuldade que é para encaixar em algum clube pra jogar a Superliga. Os times já estão fechados. Nem todas conseguirão. Mas eu sigo confiante e vou continuar mantendo a parte física, nesse momento não dá para ficar parada. Fico na espera fazendo minha parte. Na expectativa de conseguir algo. Difícil, pois ficamos todas numa situação muito complicada. Mas creio que se estava errado não dava pra ir adiante. Então foi melhor assim.

E a CBV? Fez alguma coisa?

Não me refiro a CBV. Me refiro aqui a direção da equipe que acabou contando com alguns patrocínios que saíram.

Como vocês conseguiram se sustentar?

Eu não passei dificuldade. Mas é complicado. Mudamos pra Rio do Sul, minha filha muda de escola, alugamos apartamento. Agora temos todas essas coisas para resolver. Tem multa, toda burocracia. Mas tudo bem. Como eu disse, se algo não está certo, tem que parar. Já não vinha certo desde a temporada passada.

Qual o seu sentimento?

Penso que se não tem condições, não tem que entrar. Evitaria que estivéssemos passando por isso. Agora temos 10 meninas desempregadas e os caras da comissão.

Vocês se sentem desprotegidas? O atleta não tem nenhuma garantia e os clubes caloteiros não são punidos?

É. Envolve muita gente. Tem menina que ajuda a família e não estava conseguindo ajudar. Não envolve só as atletas. Então eu acho irresponsabilidade sim. É triste tudo isso. Eu já havia passado por isso em Araraquara. Não recebi meu dinheiro até hoje . Outro time que fechou as portas, mas tinha que fechar porque foi muito descaso com as atletas. Aqui em Rio do Sul não está sendo diferente.
Realidade do nosso voleibol. Infelizmente. Não dá para ser só por amor. Tem que ter responsabilidade e compromisso com o atleta.