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Cartilha do rebaixamento no São Paulo

Cesar Sacheto

12 Setembro 2017 | 19h16

O São Paulo continua seguindo à risca a cartilha do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Após o empate em 2 a 2, no sábado, em duelo da 23.ª rodada do Nacional contra a Ponte Preta, no Morumbi, a diretoria decidiu que os jogadores não darão mais entrevistas neste momento crítico do time. Os dirigentes negam, mas somente Dorival Júnior deverá falar com os jornalistas.

Dorival que foi “garantido” no cargo pelo diretor de futebol Vinícius Pinotti, em coletiva de imprensa nesta terça-feira,, mesmo em caso de derrota do time no próximo compromisso pelo Brasileirão, no domingo que vem, diante do Vitória – rival na luta contra o rebaixamento –, em Salvador. Bem, exemplos anteriores já demonstraram que esse tipo de declaração de um cartola é indício de que o oposto poderá ocorrer.

O treinador parece estar perdido. Anda fazendo treino com 13 jogadores no time (!!!), muda a escalação com frequência e não consegue dar a consistência necessária para que a equipe consiga se reabilitar na competição. Sempre falta algo, um detalhe que faz o time deixar as vitórias escaparem por entre os dedos.

O elenco, que perde confiança a cada rodada, já está recebendo apoio de uma psicóloga. Líderes do grupo parecem não se entender. Jogos em que o São Paulo deveria ser favorito se complicam. A bola claramente “queima” nos pés de muitos jogadores. Além disso, os torcedores – mesmo apoiando de forma muito bonita a equipe, lotando o Morumbi – estão cada vez mais preocupados com o risco do descenso, fato inédito na história do clube seis vezes campeão nacional, tricampeão da Copa Libertadores, bicampeão intercontinental e campeão mundial.


O único homem que parece destoar dessa incompetência generalizada no São Paulo – e que começa pela diretoria, a principal culpada pela crise – é o volante Hernanes, que voltou do futebol chinês neste ano para tentar salvar o clube paulista. Batizado de “profeta” pela torcida, o jogador tem feito grandes exibições – com direito a golaços de falta –, mas ele não terá condições de carregar o peso todo nas costas.

O São Paulo precisa se encontrar e tem pouco tempo para tanto. São 15 rodadas para o fim do campeonato. Parece muito, mas os confrontos ficam cada vez mais difíceis. Além do mais, o emocional passa a pesar muito. Ainda mais nos clubes acostumados com títulos. O técnico Dorival Júnior tem que decidir quem está com ele e alguns jogadores criar vergonha na cara.

Quanto à diretoria, essa não tem perdão. Ao buscar a sua eleição, o presidente Leco destruiu o planejamento do clube e poderá entrar para a história como o dirigente que levou o clube à Série B do Campeonato Brasileiro pela primeira vez. Como disse o repórter Daniel Batista, do Estadão, meu amigo, ele é o Arnaldo Tirone do São Paulo. Ótima comparação. Mas não nos esqueçamos de que o São Paulo já vem capengando há alguns anos. Outros mandatários também têm culpa no cartório.

Em tempo, a oferta de Muricy Ramalho, hoje comentarista do canal Sportv, de auxiliar o São Paulo de graça é louvável e mostra o amor que o ex-jogador e treinador tem pelo clube tricolor. No entanto, pode ser até prejudicial para ambos se a parceria não for muito bem pensada.