Iludido ou arrogante?
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Iludido ou arrogante?

Cesar Sacheto

15 Maio 2017 | 11h22

Rogério Ceni continua dando mostras de que está fora da casinha nas entrevistas coletivas após os jogos do São Paulo. Neste domingo, depois de o time sofrer mais uma derrota – para o Cruzeiro, em Belo Horizonte, por 1 a 0 -, o técnico voltou a falar em bom desempenho, citar estatísticas e comparar a atuação de seu time à do adversário. Bem, me parece que alguém está muito enganado sobre a temporada do Tricolor. Será Ceni ou o resto do mundo?
O São Paulo até esteve equilibrado em relação ao jogo do Cruzeiro, sim. Porém, não pelas qualidades da equipe treinada pelo M1to, mas sim pela partida fraca do rival, que parecia ainda sentir o peso da eliminação na Copa Sul-Americana, na semana passada, quando perdeu – nas cobranças de pênaltis – para o Nacional do Paraguai a chance de continuar na competição continental. Aliás, ambos os times davam a impressão de estarem morrendo de medo de um novo insucesso, pois trocavam bolas na intermediária e, especialmente no primeiro tempo, pouco mostraram aos torcedores.
No segundo tempo, os comandados de Ceni levaram um gol que o próprio treinador classificou como “medonho”, originado de uma cobrança de lateral. O super Maicon vacilou e deu a oportunidade para que o Cruzeiro armasse um contra-ataque concluído por Ábila. Realmente, foi um daqueles lances que irritam qualquer torcedor pela pasmaceira total da defesa. E, óbvio, méritos também para a esperteza dos atacantes.
Eis que, na entrevista após o jogo, Rogério chegou com a mesma cara de paisagem com que tem se apresentado aos jornalistas para defender o desempenho da equipe. Minimizou o fato de ter sido eliminado de três competições em menos de 30 dias e, novamente, preferiu destacar números da partida para vender a ideia que a exibição são-paulina foi satisfatória, exceto pelo fato de o adversário ter colocado a bola na rede e o time dele não. Ora, Ceni tentando iludir a todos ou tapando os próprios olhos para a realidade.
O time caiu muito de produção e não é de hoje – na verdade, desde o meio do Paulistão. Jogadores importantes do elenco estão mal. Lucas Pratto, apesar da luta, tem perdido muitos gols. Rodrigo Caio tem pelo menos uma falha grave em cada partida. Maicon continua devendo. Cueva está mal tecnicamente. Luiz Araújo, a jovem promessa que vinha dando esperanças para a torcida, também caiu. Enfim, o São Paulo dá a sensação de estar se desmanchando mas, para Rogério Ceni, está tudo bem.
Vale ressaltar que todo aquele cartaz por ser talvez o maior ídolo da história do clube não irá segurá-lo eternamente no cargo. Na eliminação vexatória para o Defensa y Justicia (clube que fazia a sua primeira partida internacional no Morumbi), o novo diretor de futebol, Vinícius Pinotti, já teve que se explicar sobre a permanência do treinador e “garanti-lo” no cargo. Nas redes sociais, os tricolores também dão sinais de impaciência com Ceni. Até mesmo no estádio já há relatos de repórteres sobre a insatisfação de torcedores. Tá na hora de abrir os olhos, calçar as sandálias da humildade e rever conceitos.

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