A santa Mariola e o tendão do Psoas

A santa Mariola e o tendão do Psoas

SILVIA HERRERA

09 Setembro 2015 | 09h01

Conheça a história do incauto corredor carioca que quase foi nocauteado por um treino exagerado de musculação e acabou sendo salvo pela bananada.

Claudio Mauricio Vaz

Foram 50 semanas de preparação para a corrida dos sonhos. Muita disciplina e dedicação, inclusive nas duas sessões semanais de musculação, coisa que os corredores não gostam muito de fazer. E foi exatamente na academia que o empresário carioca Claudio Maurício Vaz, de 46 anos, acabou por machucar o tendão do músculo psoas, que fica na altura do quadril, no core. “O professor não era corredor e exagerou na dose dos membros inferiores e assim acabei me lesionando”, explica Vaz, que não se intimidou com esse tal de psoas, recém apresentado na ressonância magnética, e zarpou para a tão desejada prova.
A corrida não era uma das centenas 10k que acontecem todos os domingos de norte a sul do Brasil. Era a UpHill Marathon, 42km ladeira acima na Serra do Rio do Rastro, um esforço daqueles para qualquer amador, que rolou no início de agosto. Na véspera da corrida ele pegou o kit e combinou com os amigos que iria só largar, faria os três primeiros quilômetros para sentir o gostinho dessa maratona tão especial.
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Na noite anterior tomou remédio para dor. A desconforto no quadril parou de incomodar, mas Vaz acordou enjoado,  conversando com o medicamento. “Comecei a corrida ruim do estômago, mas fui embora, passei o km 3, o 4, 5, cheguei no 6. Pensei comigo, se parar aqui vai ser um fracasso total, pior, teria que caminhar os mesmos 6km até a largada”, conta. Nesse momento ele lembrou da Mariola, como é conhecida a bananinha ou doce de banana no Rio. “Comi  a mariola e comecei a digerir o medicamento, vi um grupo e me juntei a ele correndo, pensei vou até o 18k e pego o transporte da organização até a chegada”. Que nada, a santa mariola fez um efeito danado e Vaz passou os 18, depois os 25, depois os 30 e percebeu que daria tempo de chegar antes das 6 horas de prova – prazo máximo estipulado pela organização da corrida.
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“A Serra do Rio do Rastro é assustadoramente linda e fui subindo, subindo, fui o último a passar dentro do tempo no km 39, mas aí começou uma cãibra nas pernas, fui administrando a dor, só faltavam 3km. E consegui, cheguei em último lugar com muito orgulho, gritando de alegria, a dois minutos do prazo final. Completei a prova em 5 horas e 58 minutos!!” Como ele conseguiu  driblar as dores? No psicológico. E para quem passou no sorteio da Mizuno para a corrida do ano que vem – foram  8.500 inscritos para 1.025 vagas -, o carioca dá uma preciosa dica: “Não olhe para cima na serra que assusta, foque no chão e vá embora”.  Vaz foi confirmado para 2016 e está treinando, em outra academia e com outro personal já recuperado da lesão. Ele gostou tanto da experiência que vai fazer uma tattoo (veja desenho abaixo) com o desenho dessa serra catarinense que se tornou objeto de desejo dos corredores.
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