Corrida dos Sonhos muda a cara do câncer infantil

Corrida dos Sonhos muda a cara do câncer infantil

SILVIA HERRERA

16 Maio 2017 | 12h42

Oito mil e quinhentas pessoas contribuíram com R$ 1,5 milhão para participar da 17ª Corrida e Caminhada dos Sonhos em prol do Grupo de Apoio à Criança e Adolescente com Câncer (Graacc), instituição sem fins lucrativos responsável pela gestão do Hospital Graacc que faz em média 3,5 mil atendimentos anuais. “O motivo desta corrida é mudar a cara do câncer infantil, os brasileiros precisam saber que hoje esta é uma doença curável e que o tratamento evoluiu muito, menos doloroso e menos intenso do que era antigamente, a corrida faz parte da divulgação dessa mensagem”, explica Sergio Petrilli, superintendente médico Graacc.

 

Muito mais que uma corrida, o encontro sempre é marcado para o Dia Das Mães nas imediações da Assembleia Legislativa de São Paulo. Participei com meu filho da caminhada de 3km nesse domingo 14 de maio. Ninguém está ali para bater recordes. O único vitorioso mesmo é o Graacc, com as doações e a divulgação da causa do câncer infantil. Como caminhantes e corredores largam juntos, o início é bem complicado. Os caminhantes fazem um paredão intransponível e os corredores são obrigados a lutar por um espaço na calçada. Mas essa situação dura só 2,5km quando os caminhantes retornam para a linha de chegada e os corredores terão mais 7,5km para acelerar.


Há muitas famílias, muitas levam até  seus pets, o clima é de confraternização. Largamos às 7 da manhã com calor, dez minutos depois começou um vento muito forte e depois veio a chuva, que durou pouco mais trouxe o frio com ela. Tive uma ideia Graacc, que tal a largada da caminhada ser separada, às 7h15? Seria bacana também os caminhantes levarem cartazes e faixas em prol da campanha e o mais original ganharia um café da manhã na área vip do Graacc com uma das celebridades que apoiam ao projeto? A escolha poderia ser feita via Instagram com a hashtag da prova? #ficaadica #corridaparatodos #corridadossonhos

Cura

Foi na área de dispersão que tive o prazer de conversar com o dr Sergio Petrilli, um dos idealizados do Graacc. Na época tiveram a ideia de separar o atendimento da oncologia pediátrica do Hospital São Paulo e fundaram uma “casinha”.

Com os olhos azuis brilhando, Petrilli explica ser fundamental o diagnóstico precoce para o tratamento, que aos primeiros sinais os pais procurem as instituições para que seja feito o diagnóstico e, se positivo, o tratamento comece logo. A chance de cura do câncer infantil no Brasil é de 70%.

Objetivos da Corrida

Petrilli destaca que a corrida anual tem três objetivos: primeiro – chamar a atenção para a causa do câncer infantil, doença que mais mata crianças e adolescente no Brasil (entre 1 a 19 anos); segundo-   divulgar que há tratamento, não é preciso ter medo, quanto mais precoce o diagnóstico maior a chance de cura com qualidade de vida, os sintomas (veja abaixo) são os mesmos de várias outras doenças benignas, mas não melhoram em 15 dias, quando isso ocorrer retornar ao médico para ser encaminhado a uma triagem oncológica (o Graacc faz isso); terceiro – arrecadação de fundos. “Tivemos nesta corrida cerca de dez mil pessoas correndo, 8.500 pagantes e mais 1.500 pipocas (quem vai sem se inscrever), mas todas saíram sabendo que podem se tornar sócias do Graacc contribuindo por mês com qualquer quantia, o valor médio é de R$14. “Precisamos sempre de mais recursos para manter nosso colchão financeiro e conseguir manter os atendimentos já que 90% das nossas crianças vêm do SUS”, observa.

Gente, 1.500 pipocas em corrida beneficente?? Helloo!! PeloamordeDeus!! Dá vergonha só de ouvir. E parabéns aos patrocinadores, apoiadores e parceiros: Parabéns aos patrocinadores: Comexport Companhia de Comércio Exterior, Centro Nacional Unimed, Dia, Lindoya Verão, Açotubo, United Airlines, Bloomberg e Shopping Eldorado.

Daniel Rocha (ator) e de Sérgio Petrrilli (superintendente do Graacc)

Como ajudar

Sem as doações a conta do Graacc não fecha, os recursos do SUS e de convênio pagam 40% dos gastos mensais e são as doações responsáveis pela maior parcela – 60%. “É a população que mantém o Graacc e por sermos uma instituição filantrópica criamos um modelo novo para conseguir recursos via renúncia fiscal”, destaca. A conta mensal de saídas chega a R$ 10 milhões/mês.

O Hospital do Graacc prima pela excelência e recentemente recebeu a certificação da Joint Commission International (JCI)  – que indica a seriedade do hospital com relação à segurança do paciente. Em São Paulo os hospitais que também têm essa certificação são Albert Einstein e Sírio Libanês. “Somos o primeiro hospital dedicado a câncer infantil a receber essa certificação”, destaca Petrilli. “As doações são fundamentais para a qualidade do hospital, se vivêssemos apenas dos recursos do governo não conseguiríamos oferecer esta qualidade”, reconhece. Petrilli pratica futebol e corrida.

Por ano, o Graacc atende 3.500 diferentes crianças, 400 casos novos, 700 triagens, 30 mil consultas, 1,9 mil procedimentos cirúrgicos e 19 mil sessões de quimioterapia. O grupo aceita vários tipos de doação, qualquer quantia ajuda. Também precisam de doações de sangue, medula óssea e cabelo. Precisam também de voluntários nas mais variadas áreas para trabalhar uma vez por semana, durante quatro horas. Aceitam também parcerias e doações de empresas, está tudo explicadinho no site. Clique aqui para saber como ajudar.

 

Sintomas do Câncer Infantil

  • Gânglios no pescoço
  • Barriguinha grande
  • Dorzinha na perna
  • Dor de cabeça
  • Vômito

 

 

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