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Provas de rua de A a Z

História de Natal

Fiquei com os olhos rasos d'água ao assistir este vídeo da Sadia, que mostra o empenho de uma garotinha com síndrome de down para participar de uma corrida de Natal. Ela treina diariamente corrida de rua e conta com uma ajuda inusitada. O resultado é surpreendente. #Natal #BlogCorridaParaTodos #SeSentirAmado #correr #síndromededown #inclusão

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Por Silvia Herrera
Atualização:
 Foto: Estadão

Em uma semana esse vídeo, uma criação da F/Nazca Saatchi & Saatchi, foi visto por mais de 16 milhões de pessoas. A Síndrome de Down e a força transformadora do esporte são o pano de fundo dessa história. "Os estímulos externos ajudam no desempenho em atividades físicas de forma geral. Assim como todos, existem pessoas com maior dificuldade em concentrar-se do que outras. Em todos os casos, é importante que as atividades físicas façam parte do dia a dia e que haja estímulo de amigos e familiares no processo. Somos testemunhas de que muitos jovens com Síndrome de Down têm grandes habilidades em determinados esportes, mas para isso, tiveram a oportunidade de aprender, e mais importante, de praticar desde a pré-escola", explica a Dra. Ana Claudia Brandão, pediatra responsável pelo atendimento de crianças com Síndrome de Down do Hospital Israelita Albert Einstein.

Confira abaixo entrevista sobre a importância da prática de esportes por crianças com Síndrome de Down.

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Como é o processo de desenvolvimento da capacidade motora das crianças?

Ana Claudia Brandão - O desenvolvimento motor representa a forma como o corpo vai adquirindo habilidades para controlar seus movimentos à medida que a criança vai crescendo. Dentro deste desenvolvimento motor, temos a motricidade mais grosseira e a motricidade fina. A primeira se refere ao controle dos grupos musculares maiores - pernas e braços - e o desenvolvimento do equilíbrio.  Já a segunda, acontece quando utilizamos nossos grupos musculares menores - musculatura dos dedos, por exemplo - importante para o movimento de pinça, usado para pintar e escrever. O desenvolvimento motor segue uma sequência de cima para baixo, ou seja, os bebês inicialmente começam a firmar a musculatura do pescoço, e depois o tronco e braços, e por último as pernas. Por isso, a sequência habitual de desenvolvimento motor nos bebês começa pelo sustento da cabeça, seguido pelo sentar, engatinhar e andar. Claro que, à medida que as crianças vão ficando mais velhas, vão adquirindo mais habilidades motoras e isto dura toda a infância e adolescência. Crianças com Síndrome de Down seguem a mesma sequência do desenvolvimento motor e cognitivo das crianças sem a síndrome, porém, na maioria das vezes, o ritmo é mais lento, adquirindo, o que chamamos de marcos do desenvolvimento infantil, numa idade maior.  Devido à hipotonia muscular - músculos menos tensionados - e ligamentos mais frouxos que estas crianças apresentam, a fisioterapia é uma atividade  importante na vida delas, ajudando-as no fortalecimento físico e a se movimentar de maneira correta.

Como o esporte pode auxiliar na qualidade de vida dessas crianças?

Ana Claudia Brandão -  O esporte auxilia na qualidade de vida e saúde de todos. Na saúde, age fortalecendo a musculatura, melhorando o equilíbrio e coordenação motora, condicionando o sistema cardio circulatório, além de ter um papel importante no controle de peso e prevenção de lesões. Na qualidade de vida, as atividades promovem divertimento, lazer e encontro com amigos, por exemplo. Muito além, o esporte é importante não só para as questões físicas, mas também as sociais e emocionais, trabalhando o espírito de equipe, a disciplina, a criatividade, a socialização e os senso de responsabilidade.

Como deve ser essa atividade física?

Ana Claudia Brandão - Como dito anteriormente, por conta de sua hipotonia e ligamentos mais frouxos, as pessoas com a trissomia precisam ter cuidados adicionais, principalmente referente a problemas ortopédicos. Um exemplo é a instabilidade atlanto-axial, alteração na coluna cervical, que deve ser monitorada e acompanhada com muita atenção, caso haja interesse em praticar atividades esportivas, descartando as de maior impacto. Devido a estas especificidades, pode ser necessário avaliação e acompanhamento de especialistas, como ortopedistas e educadores físicos. O mais importante é que a atividade física seja estimulada sempre e faça parte do cotidiano de toda criança, tendo a família papel essencial para que isto se torne uma realidade.

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