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Suíça: a “caixa-preta” da história política do Brasil

Estadão Esportes

30 Novembro 2014 | 16h54

 

GENEBRA – Maluf, Nicolau dos Santos Neto, Silveirinha, Alstom, Robson Marinho, Petrobras. Nos últimos 15 anos, a história política do Brasil foi repleta de escândalos de corrupção. Dois aspectos permearam todos eles com uma coerência assustadora. O primeiro é a crença dos atores públicos de que a impunidade imperaria. O segundo é de que todos, sem exceção, transferiram o dinheiro desviado, de propinas e da corrupção a contas na Suíça.

Da mesma forma que investigadores saem em busca no fundo dos oceanos de caixas-pretas quando aviões se desintegram no ar, a Justiça brasileira vem percebendo de forma cada vez mais nítida que a “caixa-preta” da corrupção brasileira tem nome, endereço e até telefone: chama-se Confederação Helvética, vulgo Suíça.


Na semana passada, me deparei com procuradores da República que não disfarçavam a satisfação ao deixar Lausanne repletos de novas informações sobre a Petrobras. Paulo Francis já tinha avisa.

Nesta quarta-feira, mais uma delegação chega à Suíça para buscar informações, desta vez sobre os cartéis de trens.

Desde que estou aqui, há quase 15 anos, os cofres suíços tem sido valiosos à Justiça brasileira, Lembro-me como, em 2001, o ex-procurador de Genebra, Bernard Bertossa, declarou em uma calçada no dia de frio como o ex-prefeito Paulo Maluf tinha dinheiro em Genebra. Maluf sempre negou.

Nicolau dos Santos Neto teve o mesmo destino, assim como Silveirinha e o propinoduto no Rio de Janeiro.

De fato, seria injusto chamar a Suíça de “caixa-preta” apenas do Brasil. Afinal, aqui também está a fortuna bloqueada de Mubarak, de Kadafi, dos políticos corruptos espanhóis, de mais de 50 mil evasores do fisco americano e de dezenas de outros casos.

Ao que toca o contribuinte brasileiro, o que é certo é que logo saberemos quem pagou e quem recebeu propinas. Por melhor que seja a engenharia financeira para esconder essas contas, suas impressões digitais foram registradas. A caixa-preta não falhou, com os meticulosos suíços guardando cada papel, cada depósito.

Quanto aos civilizados suíços, depois de anos escondendo dinheiro sujo de ditadores de esquerda e de direita, o país foi colocado diante da parede: ou abria suas contas ou iria se tornar um pária internacional. A opção – se é que se pode chamar de opção – foi por colaborar, mesmo que ainda de forma tímida e cínica.

Em resumo: a caixa-preta sim emite sinais. Foi encontrada. Não estava no fundo do oceano. Mas em luxuosos e sofistificados escritórios à beira do rio Ródano.

Agora, basta escutar o que está nas gravações. Aposto que vai ter gente que vai preferir ficar surda.