Demian Maia é o jiu-jitsu que dá certo

Demian Maia é o jiu-jitsu que dá certo

Focado em seu jiu-jitsu, o faixa preta é um dos poucos atletas no UFC que conseguem ser eficientes na luta de chão

Fernando Arbex

20 Março 2015 | 18h34

A carreira de Demian Maia é uma síntese fiel da trajetória do jiu-jitsu no MMA. Se em um determinado momento o domínio do jogo de chão era quase certeza de vitória, isso nos primórdios do esporte, hoje há variáveis que atrapalham o atleta que busca a finalização. O uso de luvas, rounds com tempo de cinco minutos e exportação da arte marcial que um dia foi quase que exclusiva do Brasil são os principais fatores. Em suma, hoje a maioria dos competidores treina a modalidade e, no mínimo, sabe se defender.

Crédito: Felipe Rau/Estadão

Crédito: Felipe Rau/Estadão

A sequência de cinco submissões aplicadas em suas cinco primeiras lutas no octógono impressionou a todos, mas Maia teve muita dificuldade para voltar a impor sua superioridade no chão. Primeiro porque seus adversários treinavam muito grappling defensivo e técnicas para evitar que o combate fosse para o solo, segundo porque o lutador desenvolveu o chamado “Complexo de Maia” – ciente de que não era um atleta completo, o paulistano buscou aperfeiçoar seu striking.

Anderson Silva humilhou Maia em disputa do cinturão dos médios

Maia não se tornou um grande trocador e perdeu o foco no seu jiu-jitsu fora de série. Percebido o tropeço estratégico, o atleta voltou a se dedicar à sua arte marcial e admitiu que não fazia mais sentido continuar atuando na divisão dos médios, apesar de sua passagem pela categoria possa ser considerada boa. Por melhor que fosse sua técnica, força física faz diferença.

Maia pouco tentou derrubar Chris Weidman e passou longe de conseguir

Melhor treinado desde que colocou a gestão de sua carreira nas mãos do empresário Eduardo Alonso, atuando em uma categoria melhor para o porte físico dele e focado em derrubar seus oponentes para aplicar o jiu-jitsu, Maia mostrou ser uma força entre os meio-médios. Uma falha crucial de seu córner no combate contra Jake Shields – Maia foi informado que estava ganhando o combate antes do quinto assalto, quando na verdade estava empatado – impediu o paulistano de disputar o cinturão. Em seguida, perdeu duelo duríssimo contra o excelente Rory MacDonald e teve de reiniciar o difícil caminho da conquista de uma luta por título na divisão dos meio-médios.

Faltou a Maia buscar a finalização no 1º round. No terceiro, Rory foi derrubado, mas conseguiu se levantar

Aos 37 anos, Maia não tem mais margem para erro. É um lutador de idade avançada e já veterano na organização, não tem tanto o apelo de um possível atleta jovem e com mais capacidade de promover lutas. Por sorte (ou azar), neste sábado ele enfrenta o wrestler Ryan La Flare, no combate principal do UFC Fight Night 62. No Maracanãzinho, palco onde Hélio Gracie consagrou o jiu-jitsu nacionalmente, Maia provavelmente terá a chance de mostrar seu jogo de chão contra um rival que afirmou que não terá medo de buscar o solo. Se for verdade, melhor para o brasileiro.

Última finalização de Maia no UFC, contra Rick Story, em outubro de 2012

Demais lutas. Eventos do UFC no Brasil, principalmente os de menor porte, são cada vez mais comuns. Pena que a frequência é inversamente proporcional à qualidade. Neste fim de semana, olho no duelo entre o capixaba Erick Silva e o norte-americano Josh Koscheck. Ambos estão com as costas contra a parede por diferentes motivos: enquanto o meio-médio brasileiro é uma promessa que não decola (já tem 30 anos), Kos perdeu suas últimas quatro lutas.

Forte expectativa há sobre o carioca Gilbert Burns, o “Durinho”, que enfrentaria o experiente e prestigiado Josh Thomson, mas lesão do norte-americano deu lugar ao estreante Alex “Cowboy” Oliveira.