Alonso, agora, atira para todo lado

liviooricchio

04 Outubro 2006 | 19h12

A história registra que quem perde o controle de si próprio nas decisões do Mundial quando definido na última etapa da temporada é Michael Schumacher e não Fernando Alonso, como está acontecendo agora. Em 1994 e 1997 o alemão provocou acidentes na tentativa de beneficiar-se, demonstrando seus nervos à flor da pele, dentre outras coisas, mas desta vez quem está atirando para todo lado, num sinal evidente de desespero de causa, é Alonso. Ontem, no Japão, repassou à fornecedora de pneus da Renault, a Michelin, responsabilidade maior da que já tem: “Espero que eles nos dêem algo a mais para essas duas corridas finais.”
Primeiro foi o próprio time. Alonso criticou a celebração por seu 2.º lugar e o 3.º do companheiro, Giancarlo Fisichella, na prova de Xangai, domingo. “Eles parecem preferir esse resultado a outro”, falou, dando a entender que a Renault estaria mais interessada em ser campeã de construtores do que de pilotos. Isso porque em 2007 mudará de escuderia, passará para a McLaren. Depois a vítima foram Fisichella e o diretor-geral Flavio Briatore, que autorizaram o italiano a ultrapassá-lo no GP da China. Alonso trocou os pneus dianteiros no primeiro pit stop, quando ainda havia água no asfalto, e seu carro tornou-se entre 2 e 3 segundos mais lento que Fisichella e Schumacher, 2.º e 3.º colocados, àquela altura.
“Felipe Massa não teria ultrapassado Michael Schumacher naquelas circunstâncias”, afirmou Alonso. Fisichella chegou a colocar sua Renault lado a lado com a de Alonso a fim de protegê-lo do ataque de Schumacher, mas diante da possibilidade de ambos serem ultrapassados pelo piloto da Ferrari, Briatore permitiu que Fisichella passasse o espanhol. Jean Todt, diretor da Ferrari, já alertou não ter visto a manobra como “normal” e ameaçou: “Compreendemos quais são as regras do jogo.”
Ontem Alonso elegeu a Michelin para atacar. Segundo disse, muito do que poderá fazer no GP do Japão, no fim de semana, e depois na etapa de São Paulo, dia 22, está diretamente relacionado à performance dos pneus. Ninguém questiona. Mas, como tem sido comum, em especial para a imprensa espanhola, cobrou mais desempenho do fabricante francês. Na corrida de Xangai, enquanto o asfalto estava molhado, a Michelin permitia maior velocidade a seus pilotos. Quando a pista secou, se equivalia com a Bridgestone, marca usada pela Ferrari.
A primeira sessão de treinos livres do GP do Japão começa nesta quinta-feira às 23 horas, 11 horas de sexta-feira em Suzuka, 12 horas adiante em relação ao horário de Brasília. A competição é a 20.ª no autódromo de Suzuka. Deve, também, ser a última. Ontem a Toyota apresentou seu circuito, Fuji, concebido pelo arquiteto da Fórmula 1, Herman Tilke, e onde foram investidos US$ 170 milhões. Ricardo Zonta, piloto de testes da Toyota, qualificou as instalações do autódromo como “excepcionais” e a segurança do traçado como “excelente.” O problema é a falta de infra-estrutura ao redor de Fuji. Há apenas uma estrada de acesso, de mão dupla, e não existem hotéis disponíveis numa área bastante grande ao redor do circuito, localizado a cerca de 140 quilômetros ao sul de Tóquio.
E dificuldade com hotel é o que existe também em Suzuka apesar de as redes hoteleleira e viária serem muito superiores no caso do autódromo da Honda. Os 120 mil ingressos colocados à venda esgotaram-se, segundo a organização do GP do Japão, e encontrar vaga em hotel até mesmo em Nagoya, a 60 quilômetros de Suzuka, não é mais possível. A 17.ª etapa do campeonato tem vários atrativos: pode definir o título, será a última apresentação de Schumacher para os japoneses, marca a despedida de Suzuka do calendário, além de ser a primeira vez que o time japonês, Super Aguri, corre com dois pilotos do país diante de sua torcida.
Ontem ainda chegavam caixas com equipamentos das escuderias provenientes da China, sempre sob tempo bem encoberto. Nesta quinta-feira todos os pilotos que nos últimos dias participaram de uma maratona de eventos promocionais estará em Suzuka. O clima de tensão na Ferrari depois de Alonso abrir 25 pontos para Schumacher em seguida à etapa de Montreal transferiu-se para a Renault, conforme o comportamento de Alonso sugere. Schumacher tem seu primeiro match point domingo: se vencer o GP do Japão e o espanhol não marcar pontos, comemora o oitavo título da carreira.