Arquibancada vazia: não faz diferença alguma

liviooricchio

29 Setembro 2006 | 16h51

As arquibancadas estavam completamente vazias, hoje, durante os treinos livres. Apesar de os ingressos mais baratos custarem apenas US$ 23, pouca gente pode adquiri-los em Xangai. O dinheiro vale muito no país. Ir ao circuito de táxi, 35 quilômetros distante da Nanjing road, o calçadão central da cidade, custa 12 euros. Comer num restaurante dessa área, comida chinesa, gasta-se no máximo 10 euros. O litro de gasolina vale menos de meio euro. Tudo é barato. E US$ 23, por incrível que pareça, representa muito. Além de os chineses desconhecerem a Fórmula 1. Bem poucos motoristas de táxi sabem chegar ao autódromo.
O GP da China foi inserido no calendário não para os chineses, mas para os estrangeiros, como plataforma de propaganda para receber ainda mais investimentos do exterior. Só ano passado a China contou com cerca de US$ 60 bilhões. É a nação que mais capta recursos dessa natureza no mundo. Xangai representa o centro desses negócios. Há obra para todo lado. O Brasil recebeu US$ 9 bilhões em 2005.
Se não houver ninguém na arquibancada da pista aqui não faz diferença. O que vale é a suntuosidade do autódromo, impressionante sob todos os pontos de vista, e o sucesso do evento como exemplo de organização, veiculado pela TV no mundo todo. A captalização do governo chinês vem dáí, não do arrecadado nas bilheterias, quase desprezível.

Em entrevista à imprensa internacional, Felipe Massa falou, hoje, a respeito do que espera de 2007 na Ferrari, já que Michael Schumacher deixará a equipe. “É a minha grande chance (de ser campeão). Não serei o piloto-líder, mas o piloto mais experiente com a Ferrari. Usarei essa experiência para vencer corridas e tentar ser campeão.” Kimi Raikkonen, hoje na McLaren, será seu companheiro.

O exemplo bem-sucedido da BMW Sauber, com o jovem Robert Kubica, está contaminando a Fórmula 1. Agora, a McLaren pode promover a estréia do campeão da GP2, Lewis Hamilton, no GP do Brasil. Para 2007, dois pilotos terão, necessariamente, de renascer em suas equipes: Nick Heidfeld, BMW, e Giancarlo Fisichella, Renault. Caso contrário serão substituídos, durante o campeonato, por Sebastian Vettel, de apenas 19 anos, sensação dos treinos de sexta-feira, e Nelsinho Piquet, 21, piloto de testes do time francês.

Christijan Albers, holandês, foi confirmado, hoje, como piloto da equipe Spyker, ex-Midland, também para o Mundial do ano que vem. A modesta construtora holandesa de automóveis de elevada performance adquiriu a escuderia do russo Alex Schnaider, do grupo Midland, pintou os carros de laranja e tem planos arrojados. Michiel Mol, diretor da empresa, promoteu anunciar, amanhã, o motor de 2007. Dirigentes da Ferrari e da Cosworth se reuniram com o empresário. “O custo faz parte do jogo, lógico, mas temos consciência de que o sucesso só vem depois de uma parceria duradoura com o fornecedor de motores.”

Mudanças na direção da Grand Prix Drivers Association (GPDA), a associação dos pilotos. David Coulthard, principal dirigente, deixou o cargo para Ralf Schumacher. E Michael Schumacher e Jarno Trulli, diretores, saem para Fernando Alonso e Mark Webber assumirem seus cargos. Schumacher manteve-se lá desde 1994, Coulthard, 1996, e Trulli, 2001. Depois do episódio de Mônaco, em que Schumacher sustentou não ter agido de propósito ao atravessar sua Ferrari na pista, seus colegas simplesmente passaram a ignorá-lo nas reuniões da GPDA.

Choveu no fim da sessão livre da tarde, hoje. E a previsão do tempo sinaliza possibilidade de chuva também para domingo, na hora da corrida. Os pilotos com Michelin, como da Renault e McLaren, não esconderam sua preferência pelo piso molhado. Na Hungria os times da marca francesa eram bem mais velozes com os pneus intermediários. “Se chover, mas não muito, nossas chances são maiores”, disse Fernando Alonso. Com chuva intensa, os pneus Bridgestone tem se mostrado mais eficientes.