Ayrton Senna Especial – Introdução

liviooricchio

17 Agosto 2006 | 15h41

Olá amigos!
Há um bom tempo já eu tinha vontade de colocar no papel, ou numa tela de computador, minha experiência sobre tudo o que cercou a perda de Ayrton Senna. Você pode até pensar: esse assunto de novo! Não tenho nenhuma pretensão de introduzir algo diferente àquilo que já foi apurado e julgado. Apenas desejo contar a você, internauta, um pouco do que vivi naquela triste temporada de 1994, tão marcante não só para a história esportiva do País. O Brasil não perdeu um ídolo, mas um herói nacional.

Acompanhei tudo muito de perto, como jornalista responsável pela cobertura da F-1 dos jornais O Estado de S.Paulo, Jornal da Tarde e Agência Estado. Penso que ainda hoje deve existir muita gente interessada em conhecer mais detalhes do que se passou antes, durante e depois daquele fatídico 1.° de maio de 1994. Para que se tenha uma idéia mais prática do que pretendo com esta iniciativa, cito o fato de ter viajado ao lado de Galvão Bueno e Reginaldo Leme, dentre outras pessoas, no avião que trouxe o corpo de Ayrton Senna para São Paulo.

Poucos sabem: o caixão não foi no porão de carga, mas no de passageiros, na classe executiva do vôo da Varig Paris-São Paulo, de 3 de maio. As cortinas que separavam as classes permaneceram fechadas e, por incrível que possa parecer, poucos passageiros se deram conta de que estavam ao lado de Senna morto. As conversas mantidas durante o vôo, os antecedentes do acidente, as investigações que se seguiram, tudo pode ser melhor contado por quem viveu essa incrível experiência profissional e pessoal in loco.

De uma maneira geral irei me expressar em primeira pessoa. Não me limitarei apenas a retratar as imagens captadas. Acredito ser importante descrever o que senti, por exemplo, nas conversas com o médico que atendeu Senna no helicóptero, entre o circuito Enzo e Dino Ferrari e o Hospital Maggiore de Bolonha. Mais: o que ouvi dos internados que, de pijama, deixaram seus quartos e foram até a sala de conferência do hospital para acompanhar os boletins médicos a respeito do estado de saúde de Senna.

Três dias depois de chegar ao Brasil trazendo o corpo do piloto retornei para a Itália, a fim de acompanhar as investigações das duas mortes naquele fim de semana, Roland Ratzemberger e Ayrton Senna. Quero lhes contar tudo isso, desde as mais elementares informações. Não conseguiria expor o que vi, senti e penso nos jornais que trabalho. Temos sérias limitações de espaço. Essa é apenas mais uma vantagem da Internet: a possibilidade de expor-se por inteiro porque espaço não é problema.


Hoje você já tem o primeiro capítulo dessa história que, creio, será longa. Vamos conversando, sem pressa. A cada três semanas você terá um capítulo novo dessa aventura de desfecho trágico. A rigor, se desejarmos buscar a origem da perda de direção da Williams FW 16 na curva Tamburello, às 14:17 do dia 1.° de maio de 1994, na sexta volta do GP de San Marino, em Ímola, é preciso recuar até antes do lançamento do carro. Compreender em que contexto ele foi concebido. É para lá que viajaremos nesse primeiro contato.