Briatore escalará Nelsinho nas sextas-feiras

liviooricchio

21 Outubro 2006 | 02h36

Há um consenso na Fórmula 1: parte importante do sucesso da Renault, apesar de dispor apenas do sexto orçamento da competição, deve-se à liderança firme e competente do polêmico italiano Flavio Briatore, seu diretor-geral. Ontem ele falou com exclusividade ao Estado. E quem vai gostar de ouvir o que disse, se é que já não sabe, é Nelsinho Piquet, contratado este ano como piloto de testes.

“Se nós nos decidimos por ele é porque aposto no seu trabalho. Ainda é cedo, mas assim que estiver mais bem preparado penso em usá-lo em alguns treinos livres na sexta-feira.” O filho de Nelson Piquet, 21 anos, vice-campeão da GP2, fez duas sessões de testes com a equipe e saiu-se muito bem. Como o regulamento em 2007 prevê apenas 18 dias de testes ao longo do ano, os pilotos de testes terão bem menos oportunidades de treinar. Por esse motivo os treinos de sexta-feira serão realizados em três horas e não mais apenas duas, como agora. Algumas escuderias vão testar jovens de talento em parte dessas sessões.

Apesar da importante vantagem de Alonso e da Renault nos campeonatos de pilotos e construtores, Briatore gosta de lembrar que nada foi conquistado, ainda: “Mas se vencermos, deveríamos ser receber duplamente os prêmios porque nosso concorrente é a Ferrari.” Sua mensagem é clara: a escuderia italiana conta com apoio da FIA. Depois da etapa de Monza, em que Briatore atacou a entidade, precisou desculpar-se publicamente para não ser punido.

“O que espero, aqui, é que a corrida seja limpa, transparente.” A referência às ações de Michael Schumacher, em 1994, pela Benetton, quando o próprio Briatore dirigia o time, e em 1997, em que o alemão tentou tirar seus adversários da pista para beneficiar-se na disputa. Jean Todt, diretor-geral da Ferrari, tem se mostrado um crítico de Briatore. “É, ele disse que o amortecedor de massa que usávamos era irregular. Só que eles também o utilizaram.”


O futuro da Renault sem Fernando Alonso. “Todos os times estarão diferentes em 2007. Nós, a Ferrari, McLaren. Mas nós perdemos um piloto, não 20 pessoas como a McLaren (vários técnicos transferiram-se para a Red Bull).” Na sua visão, a estrutura vencedora da Renault permitirá que ano que vem seus pilotos possam dar sequência às vitórias deste ano. “No começo de 2005, cerca de 90% das pessoas não diziam que seríamos campeões”, comentou. “Agora não apostam na gente de novo. Vamos ver no fim de 2007. Para mim, manteremos o mesmo nível de hoje.” Heikki Kovalainen, finlandês, 26 anos, já piloto de testes da Renault, substituirá Alonso.