China e Brasil, momentos distintos na F-1

liviooricchio

27 Setembro 2006 | 15h02

Enquanto os promotores do GP do Brasil enfrentam dificuldades com o enorme interesse por ingressos, na China a preocupação é com o número relativamente reduzido de torcedores que deverá ir ao mais fantástico autódromo construído já a partir de sexta-feira, quando começam os treinos livres da 16.ª etapa do Mundial, em Xangai. E, diferentemente do que ocorre com o circuito, um modelo para o mundo, o atraso nas obras de Interlagos pode atrapalhar e muito a festa programada para a possível decisão do título do campeonato entre Fernando Alonso e Michael Schumacher e a despedida do maior vencedor de todos os tempos.
Ainda no impressionante aeroporto de Pudong, os organizadores do 3.º GP da China escalaram recepcionistas, ontem, sugerindo a todos que desembarcavam acompanhar a corrida. Identificados, ofereciam folhetos do evento com as informações básicas necessárias. O quadro com os custos das entradas aparece em destaque, como deixando a entender serem baratos. Variam de US$ 23 a US$ 498. Nos dois últimos anos a procura não foi elevada. “O chinês está começando apenas agora a conhecer a Fórmula 1”, diz um dos atendentes no aeroporto. O ranço socialista, onde tudo era proibido, ainda é forte na China: “Não posso falar o meu nome.” No caminho para a cidade chama a atenção o volume de propaganda da prova, onde o duelo Michael Schumacher x Fernando Alonso, como em São Paulo, é o tema mais explorado.
A realidade econômica da China, neste momento, é bem distinta da do Brasil, mas nada justifica a Prefeitura de São Paulo desrespeitar, desta vez como nunca, o estabelecido pela FIA com relação à execução do programa de melhorias em Interlagos. Apesar da gravidade do caso, o promotor da corrida, Tamas Rohonyi, da Interpro, disse hoje, apesar de preocupado com a situação, não compreender a origem dos boatos de que a permanência do Brasil no calendário da Fórmula 1 poderia correr riscos.
“A FIA está endurecendo com todos, mas não é o caso de punições dessa natureza ou mesmo multa.” A verdade, porém, é que o inspetor de segurança da FIA, Charlie Whiting, só poderá vistoriar o circuito na quinta-feira anterior ao domingo da prova, em razão de hoje, a três semanas do evento, até mesmo remendos no asfalto não terem sido concluídos. Se desejar, a FIA já tem elementos para dar sequência à série de medidas mais rígidas para resolver questões de organização que se arrastam há tempos, por exemplo multando a responsável pelo autódromo, nessa hipótese a prefeitura.
O dirigente da Interpro falou, ainda, a respeito da soliticação feita aos estudantes de retirar os ingressos reservados até dia 15. “Nós temos estatísticas que mostram que, em média, apenas 53% dos que fazem reserva de estudante vão, de fato, ao autódromo”, explica Rohonyi. “O que fizemos, com e-mails individuais, foi pedir a quem reservou entrada para até dia 15 retirá-las. Primeiro a fim de evitar uma fila de mais de 2 mil pessoas sexta-feira, na porta das bilheterias, sob risco de não poder adquiri-la porque elas fecham às 17 horas”, disse. “E depois não é justo tanta gente desejar assistir à corrida e não poder por não mais existirem ingressos e, ao mesmo tempo, tantos deles lá parados, apenas reservados. Pior: nossa experiência mostra que serão perdidos.”
Amanhã Schumacher e Alonso vão comentar, já no Circuito Internacional de Xangai, suas expectativas para as três etapas finais da temporada. Schumacher também deverá responder sobre os contratos que já renovou para 2007, mesmo tendo anunciado a saída da Fórmula 1. A Shell, a Omega, fabricante suíça de relógios, e a consultora financeira alemã DVAG reconfirmaram o compromisso com o alemão. E até uma nova empresa já decidiu investir na exploração de sua imagem, a Auto Teile Unger (ATU), da Alemanha, além de Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, lhe ter dado a opção de escolher o que deseja fazer na Ferrari. Nenhum desses contratos é inferior a US$ 8 milhões, estima-se. Em resumo: mesmo sem correr, Schumacher será o “piloto” mais bem pago da Fórmula 1.