Clima entre Alonso e a Renault já não é o melhor

liviooricchio

02 Outubro 2006 | 20h09

Fernando Alonso perdeu a liderança do campeonato para Michael Schumacher, domingo, em Xangai, pela primeira vez na temporada. E acabou expondo ainda mais o que em algumas ocasiões já havia se manifestado: sua revolta com a política que ele pensa existir na equipe. “Não há dúvida de que preferem a 2.ª e a 3.ª colocações a qualquer outro resultado”, afirmou.
Em outras palavras, sugere que o time dirigido por Flavio Briatore visa a vencer mais o campeonato de construtores que o de pilotos. Com o seu 2.º lugar no GP da China e o 3.º do companheiro, Giancarlo Fisichella, a Renault voltou a assumir a liderança entre as escuderias, 179 a 178, o que havia perdido para a Ferrari depois da prova de Monza. É nesse clima de desconfiança que Alonso de apresentará para disputar a penúltima etapa do Mundial, em Suzuka, no fim de semana.
É difícil imaginar que Flavio Briatore, diretor-geral da Renault, funcionário pago, possa sustentar essa postura dentro da organização de uma das maiores montadoras do mundo. Ninguém coloca US$ 200 milhões num projeto para perder. O que Alonso deseja mais? Giancarlo Fisichella correu em sua função, conforme ficou claro. Só o ultrapassou porque estava 3 segundos mais lento. Schumacher poderia passar os dois se insistisse em manter-se atrás de Alonso, como a equipe ordenou àquela altura da competição.
O erro maior na China foi de Alonso, que solicitou a substituição dos pneus dianteiros, enquanto todos os demais permaneceram com os 4 que iniciaram a corrida. Essa é a causa de ele ter perdido a vantagem de 19 segundos que tinha quando fez seu primeiro pit stop. Como Alonso correrá pela McLaren em 2007, já não participa mais de reuniões de planejameto para a próxima temporada, tampouco vai às sedes da Renault, em Enstone, na Inglaterra, e em Viry-Chatillon, ao sul de Paris. O que se está fazendo lá não é mais de sua conta. O espanhol deve estar sentido-se preterido por isso e dá declarações dessa natureza, sugerindo não ser importante ser campeão entre os pilotos. O que não faz o menor sentido! Quero ver, em Interlagos, o que acontecerá se ele superar o alemão, o que pode ocorrer, embora hoje suas chances sejam menores.
Matematicamente Schumacher pode ser campeão já no GP do Japão, domingo, mas ontem o diretor-geral da Ferrari, Jean Todt, disse não acreditar nessa possibilidade: “Penso que tanto o título de pilotos quanto o de construtores será definido na última prova, no Brasil (dia 22).” O alemão da Ferrari tem o mesmo número de pontos de Alonso, 116, mas conta com 7 vitórias diante de 6 do espanhol, o primeiro critério de desempate.
Só ele pode conquistar o campeonato em Suzuka. Necessita vencer e torcer para Alonso não marcar ponto algum. Já o piloto da Renault, mesmo sendo primeiro e com Schumacher fora dos 8 primeiros, não define o Mundial. Se em razão da ascensão da Ferrari e de o difícil traçado japonês estar dentre os que Schumacher melhor se expõe Alonso deverá ter sérias dificuldades para retomar a liderança, com esse clima de quase rompimento nas relações sua situação tende a se complicar ainda mais. A partir de 2007 ele correrá pela McLaren.
A esperança de Alonso e da Renault para reverter a vantagem de Schumacher é a chuva. Há dias o tempo carregado na região sudeste da ilha de Honshu, onde se encontra Suzuka, propõe, também de acordo com a meteorologia, nova corrida com pista molhada, como em Xangai. Cheguei ontem a Nagoya, a uma hora de trem da pista, e só agora, terça-feira de manhã, não chove, apesar do céu completamente encoberto.
Na China, o fato de o asfalto secar mostrou-se decisivo para a vitória da Ferrari. Depois de outra fraca performance dos pneus Bridgestone, utilizados pelo time de Schumacher, na chuva, seus técnicos prometeram novas unidades, revistas, para o GP do Japão, mas é difícil, na Fórmula 1, superar de uma hora para a outra seu adversário, no caso a Michelin, cujos pneus intermediários têm-se mostrado mais eficientes.
Os sul-coreanos e Bernie Ecclestone anunciaram, ontem, a inclusão do país no calendário da Fórmula 1 a partir de 2010. Um autódromo fantasioso assinado pelo “arquiteto de Ecclestone”, o alemão Hermann Tilke, será construído numa enseada no Estado de Jeollanam-do, à beira-mar. Será a versão asiática do GP de Mônaco, mas com a diferença de tratar-se de um circuito fechado de velocidade, de 5.450 metros, dotado de toda a estrutura necessária para a Fórmula 1 moderna.