Começou o desmanche da Ferrari

liviooricchio

26 Outubro 2006 | 21h57

Depois da despedida de Michael Schumacher, domingo em Interlagos, ontem foi a vez de o diretor-técnico Ross Brawn deixar a equipe. Junto com Brawn foi também Paolo Martinelli, responsável pela divisão de motores.

A Ferrari já havia anunciado, também, que Jean Todt, seu diretor-geral, passa a ser o principal dirigente da organização. Felipe Massa e Kimi Raikkonen, os pilotos da Ferrari em 2007, irão competir por uma escuderia distinta da que deu 5 dos 7 títulos a Schumacher.

Para a vaga de Brawn a Ferrari escalou Mario Almondo, enquanto o novo diretor-esportivo é Stefano Domenicale, já no time há algumas temporadas. A definição das estratégias durante as corridas, onde Brawn mais se destacou, já vinha sendo assumida pelo ex-engenheiro de Schumacher, o competente Luca Baldisseri.

O responsável pela área de projeto de motores, o francês Gilles Simon, cuidará também da área de produção, atividade exercida por Martinelli. A partir do ano que vem passará a valer o congelamento no desenvolvimento dos motores. A Ferrari está avançada no setor. O projetista do chassi será o mesmo deste ano: Aldo Costa, assessorado por Rory Byrne.

O que muita gente deseja saber, agora, é quanto a Ferrari vai perder com as mudanças? Bem objetivamente: na próxima temporada muito pouco, mas a tendência é a organização, como um todo, acusar o golpe e não demonstrar a mesma eficiência dos últimos anos. Primeiro pela propria saída de Michael Schumacher. O alemão faz a diferença como piloto. E tão importante quanto é a sua capacidade de orientar a equipe. Schumacher ditava os rumos da Ferrari. Todo o desenvolvimento do carro seguia o que seu excepcional piloto dizia. Agora a equipe terá de se habituar com nova realidade.

A maior função de Brawn, fora dos dias de GP, é controlar a produção de tudo dentro da equipe, a ponte entre a área de projeto, coordenada por Aldo Costa, e a de fabricação das peças, além de seguir de perto os resultados dos testes. Já nos fins de semana de prova participa das decisões de acerto do carro e, principalmente, na definição da estratégia.

Na temporada que acabou em Interlagos, domingo, cada vez mais essa sua função na Ferrari acabou assumida pelo brilhante engenheiro Luca Baldisseri, chefe dos técnicos responsáveis pelo acerto dos carros. Ross é inteligente e bastante capaz. Introduziu métodos de trabalho na Ferrari que, pelos resultados, comprovam suas qualidades.

Por mais competente que seu substituto possa ser, parece difícil acreditar que, de cara, sem a experiência de Brawn, os trabalhos fluam da mesma forma. Mas como o projeto do carro de 2007 já está praticamente pronto e já em fase inicial de produção de alguns de seus componentes, a saída de Brawn não é comprometedora.

Paolo Martinelli, o responsável pelos motores, desenvolvia mais um cargo administrativo que técnico. O projeto dos motores italianos é do francês Gilles Simon, levado para lá por outro francês, Jean Todt. Como os motorres que iniciarão o campeonato de 2007 serão os mesmos por quatro anos, por conta do congelamento imposto pela FIA, as funções de Simon e Martinelli perderam um pouco a importância. Simon comandará as duas áreas. A Ferrari tem um ótimo motor, junto do Renault, BMW e Toyota os melhores da competição. Não perderá força.

O tema é bem interessante, vamos voltar a falar das consequências para a Ferrari da saída de alguns de seus principais integrantes. Jean Todt foi decisivo na restruturação da equipe, a partir da metade do campeonato de 1993. Será imprescindível, agora, na reposição dos que estão saindo e na definição do novo organograma da empresa.