Como deve ser o Mundial de 2007

liviooricchio

27 Outubro 2006 | 21h35

O supercampeão Michael Schumacher não vai mais estar no grid. Além de perder um dos maiores pilotos de todos os tempos, a Ferrari teve de se reestruturar, já que alguns técnicos importantes, com Ross Brawn, a deixaram. Todos na Fórmula 1 querem saber como a equipe de maior sucesso nos últimos anos irá reagir. A disputa entre Felipe Massa e Kimi Raikkonen é mais um ingrediente do espetáculo que será oferecido a partir de 18 de março, na Austrália.

O bicampeão Fernando Alonso trocou a eficiente Renault pela inconstante McLaren e a Renault, campeã nos dois últimos anos, está apostando num estreante para substituir Alonso, o finlandês Heikki Kovalainen, seu piloto de testes, como foi Alonso.

Há outras importantes novidades na F-1, como a chegada de uma nova geração, representada pelo próprio Kovalainen, o inglês Lewis Hamilton, na McLaren, Robert Kubica, BMW, e Nico Rosberg, Williams, dentre outros. Não acabou: todos vão utilizar a mesma marca de pneus, Bridgestone, irão treinar bem menos, em razão da limitação dramática dos testes particulares, e os motores de seus carros serão os mesmos modelos até o fim de 2009. A FIA congelou seu desenvolvimento.

Ao contrário do ocorrido de 2000 para cá, em que Schumacher e mais recentemente Alonso iniciavam o Mundial como favoritos, agora ninguém sabe o que vai acontecer. O alemão parou de correr e o espanhol trocou a certeza de ser competitivo na Renault pela incerteza do que a McLaren poderá lhe oferecer de equipamento.


Parece pouco provável que saia já na abertura da temporada, em Melbourne, ganhando corridas como fez na Renault em 2005 e 2006. A McLaren-Mercedes terminou o ano distante dos melhores times, Renault e Ferrari. E não se recupera muita performance de uma edição para outra do Mundial, em especial quando os pneus são os mesmos para todos e não se pode mais trabalhar os motores.

No caso da McLaren, há outra questão potencialmente capaz de atingir Alonso: a perda de seus principais engenheiros. Adrian Newey, diretor-técnico, transferiu-se para a Red Bull. Seu segundo escalão foi junto. E o especialista em aerodinâmica do time, o grego Nicolas Tombazis, voltou para a Ferrari. O grupo de projetistas da McLaren é jovem. Historicamente não costuma acertar de cara.

Agora algo que irá afetar todos grandes, com exceção da Ferrari: a troca dos pneus Michelin pelo Bridgestone. Os italianos já usam a marca japonesa há 8 anos. No mundo ultraespecífico da Fórmula 1, concebe-se um carro para os pneus que irá utilizar. E quando Renault, McLaren, Honda, por exemplo, começarem a treinar com a nova marca, em novembro, seus projetos para 2007 estarão quase prontos. A grande redução no número de dias de testes privados por ano, de 48 para 18, também não as ajuda nessa corrida tecnológica contra a Ferrari.

Sem os dois maiores fatores capazes de fazer a diferença na competição – Schumacher parou e Alonso provavelmente terá primeiro de desenvolver a McLaren –, a disputa está aberta. Essa é a grande notícia para quem gosta de Fórmula 1: o campeonato vai começar sem um piloto favorito, ao menos destacadamente.

Diante das esperadas dificuldades iniciais de Alonso, os nomes que surgem com maiores possibilidades de ganhar mais vezes no campeonato são Kimi Raikkonen e Felipe Massa, a dupla da Ferrari. Apesar das mudanças na organização italiana, foram bem menores, por exemplo, que na McLaren. E os técnicos que saíram deixaram a seus sucessores uma estrutura vencedora. Tende, como muitos esperam, perder sua enorme força, mas pouco ainda ano que vem. A F-1 inteira está interessada em saber qual será o primeiro capítulo da era pós-Schumacher na Ferrari.

Se a organização italiana confirmar sua suposta vantagem inicial no Mundial, há mais pessoas na F-1 que apostam em Raikkonen do que em Massa como candidato a lutar pelo título. Afinal o finlandês já foi duas vezes vice-campeão do mundo, 2003 e 2005, ganhou 9 GPs e está num time de ponta desde 2002, enquanto Massa estreou na Ferrari e venceu sua primeira corrida na F-1 apenas este ano.

Honda, BMW, Toyota e Red Bull, apesar da esperada evolução este ano, não parecem capazes ainda de conquistar o campeonato – podem até vencer uma ou outra etapa. E como pelos fatores expostos Renault e McLaren devem perder mais que a Ferrari em 2007, Raikkonen e Massa reúnem mais elementos para se dar melhor.