Corrida reúne todos ingredientes de um belo espetáculo

liviooricchio

29 Setembro 2006 | 14h40

Fernando Alonso, da Renault, e Michael Schumacher, Ferrari, iniciam na madrugada de sábado para domingo, às 3 horas (horário de Brasília), a decisão do Mundial. Depois do controverso resultado de Monza, há três semanas, o campeonato vai recomeçar no mais espetacular circuito já construído, o de Xangai, na China. Pena o chinês não demonstrar grande interesse pela Fórmula 1. A procura por ingressos não foi grande, apesar do apelo da disputa do título. Menos de 50 mil pessoas são esperadas no autódromo.
Seja qual for a classificação da prova, a definição do campeão se estenderá no mínimo até a etapa seguinte, o GP do Japão, dia 8, sendo que a possibilidade maior é de os brasileiros, dia 22 em São Paulo, acompanharem o desfecho da competição. Não há como, matematicamente, Alonso ou Schumacher garantirem a conquista na China. Com 15 etapas disputadas, Alonso segue líder, com 108 pontos, seis vitórias e cinco segundas colocações. Schumacher soma 106 pontos e tem igualmente seis vitórias, primeiro critério de desempate, mas quatro segundos lugares.
Se Schumacher vencer a prova e Alonso terminar em segundo, combinação bastante possível, os dois se apresentariam para a corrida de Suzuka empatados. Schumacher chegaria a 116 pontos com os 10 que somaria, o mesmo número de pontos do espanhol, já que o piloto da Renault acrescentaria 8 aos atuais 108. As combinações de resultados são grandes, essa é apenas uma delas. Na prática, Schumacher parece dispor de uma pequena vantagem técnica para as 56 voltas no seletivo traçado de 5.451 metros, mas a escuderia francesa demonstrou, ano passado, em condição de corrida, ser extremamente forte. Alonso conquistou talvez a sua maior vitória na Fórmula 1. Esse é só mais um ingrediente nessa luta que tende a ser empolgante.
Os ânimos estão exaltados depois do GP da Itália por Alonso sentir-se prejudicado pela decisão bem questionável dos comissários de puni-lo por, supostamente, prejudicar Felipe Massa, companheiro de Schumacher, na classificação. Os representantes da equipe italiana, por seu lado, sentiram-se profundamente ofendidos com as declarações de Alonso e do diretor-geral da Renault, Flavio Briatore. Ambos afirmaram que a “FIA trabalha para a Ferrari.” Por mais que representantes da Renault e Ferrari digam que “tudo faz parte do passado”, um lado está com o outro atravessado na garganta. O que se espera é que essa animosidade facilmente perceptível não se transfira para a pista. A Fórmula 1 é uma atividade de riscos.
Felipe Massa e Giancarlo Fisichella, o parceiro de Alonso, terão papel fundamental nessa disputa final. Massa terá de recorrer a seus imensos dotes de velocidade para se aproximar do bloco da frente com a perda de dez colocações no grid gerada pela troca do motor da sua Ferrari, sexta-feira. E Fisichella tem como objetivo posicionar-se atrás de Alonso, mas à frente de Schumacher. Cada ponto dos 30 em jogo será decisivo. Max Mosley, presidente da FIA, ainda em Monza, há 20 dias, deixou claro que atitudes antidesportivas serão “exemplarmente punidas.” Os que se interessam por esse esporte, no mundo todo, independente de quem possa vencer, também esperam algo da própria FIA, para o bem da Fórmula 1: que seja isenta em seus julgamentos.