Dirigentes falam do possível abandono de Schumacher

liviooricchio

09 Setembro 2006 | 12h10

Amanhã, por volta do meio dia, horário de Brasília, o maior vencedor de todos os tempos na Fórmula 1, bem como um dos mais polêmicos, Michael Schumacher, piloto da Ferrari, anuncia o seu futuro: continua na Fórmula 1 por mais uma temporada, na Ferrari, “lógico”, como ele diz, ou, como a maioria das pessoas ligadas à competição acredita, irá abandonar as pistas.
Bernie Ecclestone, o promotor do Mundial, diz que Schumacher pára de correr. “Penso que seu real valor será conhecido daqui a alguns anos”, comenta. “Durante muito tempo a Fórmula 1 se referiu a Juan Manuel Fangio como uma referência de campeão. Penso que agora Michael também assumirá esse papel.” Frank Williams tem ponto de vista semelhante: “Vimos Michael fazer coisas impensáveis na pista. O fato de estarmos vivendo seu tempo não nos dá a verdadeira consciência da extensão de seus feitos.” E complementa: “Se não surgir, dentre esses jovens que estão chegando, outro grande talento, compreenderemos que éramos felizes com Michael e não sabíamos.”
Curiosamente o piloto que conquistou sete vezes o Mundial está longe de ser uma unanimidade dentro da própria Fórmula 1, o que dirá dentre os fãs da disputa. “Carregará sempre consigo o peso de nem sempre ter agido de acordo com a regras”, lembra Flavio Briatore, homem que o lançou na Fórmula 1, na equipe que dirigia, Benetton, em 1991. Apenas uma prova depois de estrear no campeonato, na Bélgica, pela Jordan, e ver o carro quebrar na largada, o dirigente italiano enxergou nele um futuro campeão. Estava certo.
“Ao mesmo tempo em que nos lembraremos dele por sua velocidade, constância e determinação nos virá à mente passagens como a de Mônaco, este ano”, analisa Ron Dennis, da McLaren. Schumacher atravessou sua Ferrari na pista para impedir de os adversários melhorarem seus tempos.
A Fórmula 1 referencia também a capacidade de Schumacher de fazer uma equipe crescer ao seu redor, como a Benetton, sexta com Nelson Piquet, em 1991, e bicampeã com ele em 1994 e 1995. Ou ainda seu extraordinário trabalho na Ferrari, que junto de Jean Todt, Ross Brawn e Rory Byrne permitiram à escuderia italiana o maior período de sucesso absoluto na Fórmula 1, com os cinco títulos seguidos de 2000 a 2004. Nem tudo isso, no entanto, não o imuniza de ser acusado de ser um campeão sem identificação com a torcida. “Carisma? Não tem. Se o compararmos a Ayrton Senna, por exemplo”, diz Ecclestone.
É esse profissional, que contrapõe extremos de eficiência e crítica, que deve deixar a Fórmula 1 no fim da temporada, salvo uma grande surpresa. Um campeão que ao menos em números ocupa a primeira colocação em quase todos os parâmetros de performance de um piloto, de um superpiloto.