Entenda por que a Stock Car é um evento milionário

liviooricchio

06 Maio 2007 | 16h07

06/V/07
Livio Oricchio, de Curitiba

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Rodrigo Sperafico celebrou ontem no circuito de Curitiba, com 39 mil entusiasmados torcedores, a quebra de 16 anos sem vitória na Stock Car de um piloto do Paraná na “corrida de casa” e a liderança, agora, do campeonato. Mas teve motivos de sobra para festejar também o quanto irá receber pela conquista. A Stock Car é hoje um evento milionário.

Desde 1991 os paranaenses não viam um representante do estado vencer na Stock Car em Curitiba. O último havia sido Ângelo Giombelli. A prova não teve as emoções esperadas. “Ultrapassar está muito difícil”, disse Rodrigo, da equipe Action Power. “Só mesmo se o piloto que está à frente errar.” Rodrigo largou na pole position com VW Bora e manteve-se em primeiro até a bandeirada, com uma vantagem de 269 milésimos de segundo para Thiago Camilo, da Vogel, Astra, e 1s692 para Allam Khodair, da Boettger, Astra, terceiro.

Além de passar para o primeiro lugar do campeonato, com 31 pontos diante de 28 de Daniel Serra, 5º ontem, Sperafico deve estar fazendo conta, ainda, pelos prêmios oferecidos. Da Pirelli, fornecedora de pneus, ganhou R$ 15.158,33 reais, da Caixa Econômica Federal foram mais R$ 4.166,67. Se tivesse feito a melhor volta da corrida – ficou com Cacá Bueno -, levaria para casa R$ 10 mil. Rodrigo poderá ir a Nova York pela TAM com acompanhante por ter vencido.


Fora tudo isso, está incluído na premiação geral de R$ 3,5 milhões ao longo do ano destinados pela Nextel, principal patrocinadora da Stock Car, sem contar os R$ 200 mil destinados à dupla piloto/equipe campeões. Quatro montadoras investem na competição: Chevrolet, Volkswagen, Peugeot e Mitsubishi. Os carros da Stock usam carroçarias que remetem a seus modelos de série. Todas garantem um carro novo aos seus pilotos mais bem colocados na temporada e a maioria cede um modelo novo em comodato durante o ano.

A General Motors anunciará, na próxima etapa da Stock Car, dia 3 de junho em Campo Grande, a generosa premiação por etapa a seus 13 pilotos, apesar de já ter sido adotada este ano. “Oferecemos R$ 20 mil ao vencedor, R$ 13 mil ao 2º e R$ 10 mil ao 3º”, disse, ontem, Samuel Russell, diretor de marketing da montadora. Não é tudo: o pole position ganha R$ 10 mil e as equipes recebem também. R$ 10 mil para a 1ª, R$ 7 mil 2ª e R$ 5 mil 3º e pole position. Não acabou: o campeão da marca terá R$ 70 mil e seu time, R$ 100 mil. “É um belo estímulo a mais, nem nos meus 4 anos de Fórmula 3000 vi isso”, definiu Ricardo Maurício, vencedor em Interlagos, e já contemplado com o programa da GM.

“Dentro do autódromo, há a TV, o público, existe divulgação da marca. Esse programa visa à movimentação do mercado fora dos dias de competição”, conta Russell. Piloto e equipe farão parte de amplas programações de promoção. “O objetivo é fazer com que o vencedor não consiga andar num shopping”, explica. “A GM já investe na Stock Car há 28 anos. Chegou a hora de aparecer.”

Os pilotos que defendem a montadora e classificarem-se dentre os 10 melhores para a disputa do título nas 4 etapas finais, o play-off, irão assistir a uma prova da Nascar, nos Estados Unidos, junto de representantes de suas equipes. “A maioria é jovem e tem, nessa oportunidade, a chance de um contato com as equipes da Nascar visando correr lá no futuro”, falou Russell.

Se hoje os salários para pilotos na Stock Car já são bons, a premiação torna o evento ainda mais atrativo, a ponto de ontem 3 desses profissionais com passagem recente pela Fórmula 1, Tarso Marques, Luciano Burti, Enrique Bernoldi, e um na ativa, ainda, Ricardo Zonta, terem disputado a 2ª etapa do campeonato. A hora que as demais montadoras compreenderem os efeitos desse progama da GM, dificilmente permanecerão de braços cruzados, outro ponto para a Stock Car.
FIM

Obs. Enquanto a Stock Car vive seu melhor momento em quase 30 anos de história, o restante do automobilismo brasileiro vai bastante mal, a ponto de não existir uma única categoria importante de monopostos para quem deixa o kart. Mas é errado, também, culparmos a Stock Car pelas dificuldades das demais. Não dá para os promotores do evento dizerem: “Olha, não podemos aceitá-lo como investidor porque já dispomos de patrocinadores enquanto outras competições não.” As coisas funcionam de forma diferente. Essa questão das demais categorias sofrerem de todo tipo de dificuldade vou abordar em outro texto. Preocupa muito quem gosta de automobilismo.