Erros de Alonso e da Renault podem custar o título

liviooricchio

01 Outubro 2006 | 12h38

Fernando Alonso e a equipe Renault cometeram erros, hoje, que lhes podem custar a perda do título para Michael Schumacher e a Ferrari. Já custou a perda da liderança do Mundial. Alonso não sabia o que não é ser líder do campeonato desde o GP da Malásia do ano passado. “Minha vantagem para Schumacher quando fiz meu primeiro pit stop (21.ª volta) era grande (19s262)”, começou explicando o espanhol. “O pneu dianteiro esquerdo já estava dando sinais de desgaste. E como pararia, depois, só na 44.ª volta, achamos prudente trocá-los.”
Ocorre que o asfalto secava rápido. “Nessas condições, quanto mais os sulcos desaparecerem, mais rápido tendem a ser os pneus. Os meus, novos, intermediários, demoraram cerca de 10 ou 12 voltas para ficar quase lisos. Nessas voltas, fui muito lento”, falou o espanhol. Na 23.ª, virou em 1min46s346. Schumacher, 1min43s501, quase três segundos melhor. “Tanto Schumacher quanto Fisichella (não trocaram os pneus) me ultrapassaram. Tudo o que havia conseguido de vantagem fora perdida”, comentou, desolado.
Alonso cedeu a liderança para o próprio companheiro, Giancarlo Fisichella, na 29.ª volta e Schumacher o deixou para trás na passagem seguinte. Flavio Briatore, diretor-geral da Renault, esbravejava na mureta dos boxes com seus técnicos. Mas a sucessão de erros não parou aí, numa demonstração evidente de que a aproximação de Schumacher na classificação do campeonato e a perda, em Monza, da liderança entre os construtores afetou psicologicamente a equipe.
Na 35.ª volta, Alonso antecipa o pit stop previsto para a 44.ª. “A pista tornava-se mais e mais rápida porque secava. Como tinha perdido o que obtivera no começo, a saída era arriscar e colocar os pneus para asfalto seco”, falou o espanhol. Os mecânicos, tensos, erram na roda traseira direita, causando um parada de 19,2 segundos, diante de 6,9 de Schumacher, na 40.ª volta, e 6,6 de Fisichella, na 41.ª. No fim, Alonso deu a entender que, sem esse tempo perdido, poderia atacar mais Schumacher. Fez a melhor volta do GP da China na 49.ª passagem, 1min37s586.
“Hoje perdemos uma grande oportunidade. Era dia para vencermos e ampliar a diferença no Mundial”, disse Alonso. “Tínhamos o carro mais veloz nas voltas iniciais, quando havia bom volume de água na pista, e depois no final, na hora em que o asfalto encontrava-se quase seco.” A corrida foi perdida, segundo Alonso, nas voltas em que a quantidade de água era bem pequena. “Dia bem difícil para nós. Graça a Deus pude, ainda, classificar-me em 2.º e sair daqui com o mesmo número de pontos de Schumacher. Ainda estou confiante.”
Briatore pediu desculpas a Alonso: “Ele foi fantástico, dominou a prova no molhado e no seco.” Lembrou, ainda, que ao menos a Renault voltou à liderança entre os construtores, 179 a 178. Pat Symonds, diretor de engenharia, falou: “Não há desculpas. Essa corrida nós tínhamos de vencer.” Symonds sabe que ficou difícil para Alonso, agora. Schumacher já venceu 6 vezes em Suzuka e o traçado japonês se assemelha ao de Mugello, onde a Ferrari treina. Das seis últimas edições do GP do Japão, a Ferrari ganhou cinco.