Família Schumacher deve ficar sem representante na Fórmula 1

liviooricchio

26 Maio 2007 | 13h42

26/V/07
GP de Mônaco
Livio Oricchio, de Mônaco

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A família Schumacher está próxima de não ter nenhum representante na Fórmula 1. No GP do Brasil do ano passado, Michael Schumacher pôs ponto final,espontaneamente, à carreira mais vitoriosa de todos os tempos. Seu irmão sete anos mais novo, Ralf, no entanto, está sendo dispensado pela Toyota e, até agora, ninguém manifestou interesse em contratá-lo.

Mas não é só isso: quase a metade dos pilotos que hoje disputa o GP de Mônaco pode não estar no grid da primeira etapa do Mundial de 2008. Uma grande renovação está em curso no vácuo do sucesso do jovem Lewis Hamilton.

O discurso já é de perdedor. “Vou estar aqui ano que vem, não tenho dúvidas”, afirmou, ontem, em Mônaco, Ralf. O irmão mais novo de Schumacher perdeu a disputa para seu companheiro na Toyota, Jarno Trulli, em todas as cinco etapas até agora. Largou atrás no grid e somou um único ponto diante de quatro do italiano.

Hoje em Mônaco colecionou mais um fracasso, cerca de uma semana apenas depois de se auto-intitular “um dos três melhores pilotos do mundo.” Ralf não passou da primeira séria classificatória. Caiu fora de cara. Só foi mais veloz que Takuma Sato, da Super Aguri, e Christjan Albers, da Spyker, e larga amanhã em 20º.

“Na Espanha estava rápido, mas dei azar. Reconheço que nas duas corridas anteriores não estive bem, mas 11 anos de Fórmula 1 não se apagam por isso”, afirmou. Ralf foi 15º na Malásia e 12º em Bahrein, diante de duas sétimas colocações de Trulli e quatro pontos para o time.

A Toyota da sinais claros de que não renovará o contrato de Ralf. Depois de ontem a direção da escuderia japonesa deve ter compreendido ainda melhor.

Michael teve papel preponderante na entrada do irmão na Fórmula 1 em 1997, pela Jordan. Ralf havia sido campeão da Fórmula Nippon, no Japão, na temporada anterior, e seu caminho natural seria a Fórmula 1.

O único caminho possível para ele, diante das circunstâncias naquele ano, era a Jordan. Mas Eddie Jordan, seu proprietário, mantinha uma ação de indenização contra Michael Schumacher por tê-lo perdido para a Benetton, ainda em 1991.

Para Eddie Jordan aceitar Ralf, Michael foi obrigado a fazer um acordo: pagar US$ 1 milhão ao irlandês, a título de indenização, além dos US$ 6 milhões investidos pelos patrocinadores de Ralf.

Michael Schumacher sabia que na Justiça Eddie Jordan não ganharia, conforme os advogados de Flavio Briatore, da Benetton, lhe orientavam, e por isso nunca perdoou o ex-dono da Jordan.

O alemão contou a história numa entrevista, anos mais tarde, ainda demonstrando inconformismo. Agora Michael Schumacher talvez tenha de usar seu poder de influência novamente para Ralf encontrar um lugar na competição. Mas não sera fácil.

A validade de se apostar em jovens de talento em substituição a pilotos que já demonstraram suas limitações, como fez a McLaren com Hamilton, provocará um efeito tufão na Fórmula 1.

Além de Ralf, nada menos de oito outros pilotos têm boa chance de verem-se na condição de procurar emprego em 2008, se não neste ano ainda: Alexander Wurz, da Williams, Vitantonio Liuzzi e Scott Speed, a dupla da Toro Rosso, David Coulthard, Red Bull, Christian Albers e Adrian Sutil, ambos da Spyker, Anthony Davidson, Super Aguri, e Rubens Barrichello, Honda, apesar de sua importância nos novos rumos do time japonês terem redimensionado sua função no grupo.

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