Ferrari fará jogo de equipe também

liviooricchio

03 Outubro 2006 | 19h28

A animosidade entre a Ferrari e a Renault nesse final de campeonato esquenta a cada dia. Depois de, em Monza, Fernando Alonso, da Renault, ter dado a entender que a FIA trabalha para Michael Schumacher ser campeão, o diretor-geral da Ferrari, Jean Todt, afirmou depois da prova de Xangai, a respeito do comportamento de Alonso e seu companheiro, Giancarlo Fisichella, na corrida: “Nós aprendemos com o que nossos adversários fizeram e sabemos, agora, quais são as regras do jogo.”
Em seguida ao seu primeito pit stop, quando substituiu os pneus dianteiros, o que nenhum outro piloto fez, Alonso começou a girar 3 segundos mais lentos por volta. Fisichella, segundo colocado, e Schumacher, terceiro, mantiveram os pneus intermediários, já que havia ainda água no asfalto, e se aproximaram rapidamente. Em pouco tempo a vantagem de 19 segundos do espanhol para o alemão deixou de existir. Fisichella, então, posicionou-se atrás de Alonso para protegê-lo.
Schumacher, mesmo dispondo de um conjunto bem mais veloz, não podia passar o concorrente ao título porque Fisichella estava lá exclusivamente para evitar a manobra. Na grande reta do traçado chinês, o italiano chegou a colocar sua Renault lado a lado com a de Alonso, não para tentar a ultrapassagem, mas apenas para impedir de Schumacher ganhar a colocação do espanhol.
Felipe Massa, por ter trocado o motor na sexta-feira, perdera 10 posições no grid, estava lá atrás na prova, não pôde entrar na disputa para, também, procurar ser útil a Schumacher, seu parceiro, como fazia Fisichella. “Deixo para todos julgarem se o que aconteceu é normal ou não”, afirmou Todt. Os comissários não fizeram a menor menção de que houve alguma irregularidade no procedimento de Fisichella. Todt viu nisso uma espécie de carta branca para agir.
É esse clima de tensão que haverá já hoje no autódromo de Suzuka, quando todos começarão a chegar para a disputa do GP do Japão, penúltimo da temporada. Schumacher e Alonso estão empatados em número de pontos, 116 a 116, porém se em Suzuka e depois no GP do Brasil, dia 22, nenhum dos dois fizer ponto algum, o piloto da Ferrari encerra a carreira com mais um título, o oitavo, por ter uma vitória a mais, 7 contra 6.
Ao afirmar “sabemos, agora, quais são as regras do jogo”, Todt deixa claro que Massa, se nada de anormal lhe ocorrer desta vez, entrará na “briga.” Mas na prática, as possibilidades de a Ferrari não necessitar de jogos de equipe em Suzuka são boas. Com exceção do ano passado, em que pelo projeto equivocado do carro e as dificuldades com os pneus Bridgestone a Ferrari ficou de fora da disputa pelas vitórias, nos últimos anos o time italiano e Schumacher dominaram as corridas no mais seletivo circuito do calendário, junto de Spa-Francorchamps. O alemão venceu em 2000, 2001, 2002 e 2004, enquanto Rubens Barrichello, com Ferrari também, em 2003.
Pelo próprio avanço da Renault é possível que a vantagem técnica de Schumacher não seja a mesma de outros anos, mas é bem provável que exista. “Estamos na mãos dos pneus. Se funcionarem normalmente e não chover sabemos que nosso pacote é muito bom para Suzuka”, disse o alemão ainda em Xangai. Os treinos livres para a 17. etapa do calendário começam às 23 horas de quinta-feira, horário de Brasília. O Japão está 12 horas adiante.