FIA: Brasil não corre risco algum

liviooricchio

28 Setembro 2006 | 10h32

O delegado de segurança da FIA, o inglês Charlie Whiting, afirmou hoje, no Circuito de Xangai, onde na próxima madrugada serão realizados os primeiros treinos livres do GP da China, não existir risco algum com relação ao futuro do GP do Brasil. Depois de a Prefeitura de São Paulo atrasar a execução das obras solicitadas pela FIA para a melhoria de Interlagos, surgiram rumores de que a corrida sairia do calendário de 2007. “Temos sido informados regularmente sobre o andamento dos trabalhos e, como sempre nos últimos 25 anos, tudo deverá ficar pronto em cima da hora, ao menos confiamos nisso”, disse o dirigente.
Não haverá, da mesma forma, nenhuma multa da FIA por a prefeitura não ter entregue o autódromo para a empresa promotora e organizadora, a Interpro, 30 dias antes da corrida. “O fato de não irmos vistoriar a reforma não significa que não a estamos acompanhando.” Poderia haver alguma sanção se houvesse o comprometimento da prova do dia 22. “O que não parece ser o caso pelo que tenho recebido de informações”, disse Whiting. “Além do que, as obras programadas não são grandiosas.” Para seu assistente, Herbie Blash, não há razão para o drama criado.
O atraso, reconhece a FIA, não deixa de atrapalhar bastante uma série de atividades dos organizadores. Recapear o S do Senna, a menos de três semanas do evento, por exemplo, é uma demonstração da falta de planejamento da prefeitura com relação a suas obrigações com o GP do Brasil, já que ela se comprometeu a investir todo ano cerca de US$ 8 milhões para ter na cidade o seu único grande acontecimento esportivo internacional, ao menos de forma regular.
O diretor da Interpro, Tamas Rohonyi, manifestou em São Paulo sua preocupação com o andamento dos trabalhos, mas já havia descartado as especulações envolvendo punições aos responsáveis pelo autódromo de Interlagos. “Existe, de fato, um problema. Não significa, no entanto, que a FIA, apesar de estar mais exigente do que nunca, irá multar alguém.” Whiting lembrou, em Xangai, sua autoridade para aprovar ou mesmo impedir de um grande prêmio ser realizado a partir das condições do circuito. “Mas não é esse o quadro que vivemos, hoje, com a etapa de São Paulo.”
Indiferente aos rumores que envolviam o GP do Brasil, o líder do Mundial, Fernando Alonso, da Renault, culpou a imprensa espanhola pelas duras declarações que atingiram Michael Schumacher, atribuídas a ele. “Como sempre, os jornalistas ouviram demais.” Ocorre que sua entrevista ao diário esportivo Marca foi disponibilizada na Internet. Textualmente afimou: “Schumacher é o maior antidesportista da história”, dentre outras acusações pesadas. Alonso irá procurar amanhã, às 3 horas, um lugar melhor no grid que a décima colocação em que largou em Monza, dia 10.
No diz-que-diz de hoje no autódromo, o diretor de engenharia da Renault, Pat Symonds, ex-técnico de pista de Schumacher, afirmou: “Na guerra psicológica entre Alonso e o piloto da Ferrari fico com Alonso, por ele ser mais forte que Schumacher.” O alemão já conhecia a declaração. Os dois foram muito próximos na época da Benetton, de 1991 a 1995. “Fiquei surpreso, mas é natural, também, que ele expresse, agora, seu pensamento a favor de Alonso.” O espanhol soma 108 pontos diante de 106 de Schumacher.
Felipe Massa, da Ferrari, reconheceu que terá um papel ainda mais importante nas três etapas que restam do campeonato. “Farei o possível para o Schumacher ser campeão.” Já Rubens Barrichello, da Honda, acredita que com as novidades introduzidas no seu carro para a corrida de Xangai possam lhe permitir “conquistar um pódio ainda este ano.” Seu companheiro, Jenson Button, tem se dado melhor nesse sentido: venceu a prova da Hungria e foi 3.º na Malásia.
Um dos pilotos mais procurados por todos, hoje, no impressionante circuito chinês, foi o polonês Robert Kubica, de 21 anos, 3.º colocado em Monza, na sua 3.ª corrida na Fórmula 1. “Passou, não adianta pensar mais no GP da Itália”, disse em resposta às perguntas sobre sua frieza, até mesmo no pódio. A respeito da reação do povo polonês, para quem já se transformou num ídolo, em especial de Cracóvia, sua cidade, Kubica de novo foi indiferente: “Não sei, não fui para lá ainda, mas é bom por criar maior interesse pela Fórmula 1.” Kubica tem a noção da extensão do sucesso que apenas os campeões têm.
Flavio Briatore, diretor-geral da Renault, e grande responsável pelos títulos da Benetton e do time francês, sempre diz: “Para vencer na Fórmula 1 é preciso ter em mente que quando se vence, na realidade nunca se vence nada.” O italiano explica: “Quem sentar numa vitória pode esquecer a seguinte.” Hoje falou com os jornalistas, como sempre faz: “O mais importante é deixar para trás os episódios de Monza. Passou. Acabou.” A Renault perdeu a liderança entre os construtores e Schumacher ficou a apenas 2 pontos de Alonso, além do imenso desgaste com a FIA. “Temos de voltar a acreditar no nosso potencial, lembrarmos do que fizemos aqui mesmo, ano passado.” Alonso disputou sua melhor corrida da temporada e venceu com enorme autoridade.