Hamilton e Alonso, emoções opostas na Espanha

liviooricchio

13 Maio 2007 | 17h45

13/V/07
GP da Espanha
Livio Oricchio, de Barcelona

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Lewis Hamilton, inglês, negro, 4 corridas de Fórmula 1 no currículo, com a de ontem, em Barcelona. E já detém recordes importantes. O piloto da McLaren é, por exemplo, o mais jovem da história a liderar o Mundial, com 22 anos, 4 meses e 5 dias. Mais: o primeiro estreante desde a criação da Fórmula 1, em 1950, a liderar sozinho o campeonato. Hamilton foi terceiro na Austrália e segundo na Malásia, Bahrein e Espanha.

“Continuo vivendo um sonho”, afirmou, ontem, sempre com muito equilíbrio. E a gerar um pesadelo a seu companheiro de McLaren, o bicampeão do mundo, Fernando Alonso. Não há dúvida de que o mau humor do espanhol, diante da sua torcida, tinha muito a ver com um novato, com o mesmo carro, superá-lo no campeonato. A saber: Alonso recebe Euros 30 milhões por ano e Hamilton, exatamente um cem avos, Euros 300 mil.


O melhor dele é que não se acanha: “Assisti à luta entre Felipe Massa e Fernando Alonso, na largada, e vi a chance de ultrapassar Alonso.” Também não se abateu ao compreender que não poderia, na segunda colocação, acompanhar o ritmo de Massa. “Depois do segundo pit stop (46ª volta), vi que com Alonso atrás de mim eu ficaria em primeiro no campeonato.” Hamilton pensa longe enquanto pilota, marca dos supertalentos.

A pergunta é inevitável: você se vê campeão do mundo já este ano? “Não diria, apesar de depois da última prova (Bahrein) acreditar ser possível chegar ao título, mas tenho de ser realista. É apenas o meu primeiro ano e haverá um sobe e desce”, falou. “Até agora tenho feito um bom trabalho, assim como a equipe. Se eu não cometer erros, continuar somando pontos e chegando ao pódio, então o resultado final pode, sim, ser muito bom.”

Alonso e Massa não se olharam no pódio. E na entrevista coletiva, sentados lado a lado, não trocaram nenhuma palavra, como faziam. “A lateral do meu carro está aí para quem desejar ver, há uma marca de pneu, do toque de Felipe.” Estava inconformado com o incidente na largada. “Caí para o quarto lugar tendo menos gasolina de meus adversários, só um milagre faria eu melhorar de posição”, disse. “Se Raikkonen não tivesse abandonado eu não teria chegado ao pódio.”

O asturiano deu mais detalhes da disputa com Massa: “Largamos de maneira bem semelhante, mas por causa do vácuo ganhei mais velocidade que Felipe, o que me permitiu ir por fora na primeira curva e frear um pouco mais tarde”, contou. “Eu estava já na sua frente, mas infelizmente ele não enxerga assim e nos tocamos. Tivemos muita sorte porque em 99% dos acidentes desse tipo os dois carros terminam fora da prova. E, às vezes, é bastante perigoso.”

Pilotos e dirigentes da Fórmula 1, quase por unanimidade, discordam da sua visão. “Alonso fez o que devia, eu faria o mesmo, mas Massa não é estúpido e defendeu sua posição. Não há como acusar alguém, foi algo completamente normal em corrida”, opinou Niki Lauda, três vezes campeão do mundo. “Se Alonso está chorando então encontra-se no lugar errado, aqui se luta pelo Mundial. Se Massa não pode fazer o que fez então não é possível se disputar qualquer posição na Fórmula 1”, diz Keke Rosberg, campeão de 1982.

Para Nelsinho Piquet, da Renault, o espanhol teve sorte. “A maioria dos pilotos teria dado no meio do carro dele, já que estava tentando ultrapassar por fora, e teria ido parar no meio da caixa de brita.” Jo Ramirez, ex-coordenador da McLaren, analisou: “Alonso não tinha outra saída a não ser arriscar tudo na largada. Sabia que se Massa largasse na frente daria adeus para ele. A Ferrari em corrida seria bem melhor. Massa apenas defendeu-se do ataque, automobilismo é isso.”

Patrick Head, da Williams, endossa o coro: “Vi o acidente pela câmara do carro de Alonso e me pareceu que a curva estava mais para ele, mas não vejo elementos suficientes para culpar Massa pelo incidente.”

FIM