Imprensa espanhola inocenta Massa

liviooricchio

14 Maio 2007 | 12h07

14/V/07
Livio Oricchio, de Barcelona

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Fernando Alonso é o maior ídolo do esporte na Espanha. Nem mesmo o notável e jovem tenista Rafael Nadal se compara a sua popularidade depois de dois títulos mundiais na Fórmula 1. Mas a impresa de seu país não viu como ele o ocorrido com Felipe Massa na largada do GP da Espanha, domingo, e que foi decisivo para o piloto da Ferrari vencer a prova.

O asturiano acusou Massa pelo leve choque entre ambos na primeira curva. “Alonso arriesgo demasiado em Montemeló” ou “arriscou demais” é a manchete de primeira página do El Pais. O Circuito da Catalunha encontra-se no município de Montmeló, pertencente à Grande Barcelona.


A não ser o AS, em artigo apaixonado assinado por Carlos Miquel, que atribuiu o terceiro lugar de Alonso na corrida de casa a uma “atitude antidesportiva” de Massa, as demais publicações não endossam a reação do piloto da McLaren.

“Uma maniobra de alto riesgo” ou “Uma manobra de alto risco” é o título do texto analítico do El Pais, assinado pelo ex-coordenador técnico das equipes Ferrari e McLaren, Juan Villadelprat, referindo-se à opção de Alonso de tentar ultrapassar por fora na curva 1. “Massa não fez nada de errado, apenas não levantou o pé do acelerador como já havia feito este ano.”

O Marca ouviu o espanhol Joaquín Verdegay, comissário desportivo da FIA no GP da Espanha. As decisões de punir os pilotos provêm dos três comissários desportivos do evento. O anexo L do capítulo 4 do livro da FIA trata do comportamento dos pilotos na pista. “Não diz nada sobre um piloto deixar-se ser ultrapassado”, explicou Verdegay. “Não houve infração de ninguém, mas foi no limite da legalidade.”

Alonso desejava que o incidente fosse ao menos investigado pelos comissários. Não foi por ser classificado como “situação de corrida.”

Curiosamente o próprio diretor e sócio da McLaren, Ron Dennis, viu da mesma forma, o que fez depois o espanhol sentir-se isolado dentro da própria equipe, principalmente também porque o companheiro, o brilhante Lewis Hamilton, um estreante este ano, não só terminou o GP da Espanha na sua frente, segundo, como assumiu a liderança do Mundial.

Ontem, declaração do diretor-esportivo da Mercedes, sócia majoritária da McLaren, Norbert Haug, sobre a reação de Massa manter sua trajetória, sem importar-se com o ataque do espanhol, acabou disponível na Internet: “Foi uma manobra limpa e corajosa. Esse é o preço que se paga por largar na segunda colocação no grid.”

Alonso decidiu largar com pouca gasolina para estabelecer a pole position e contornar a primeira curva em primeiro, possivelmente facilitando seu objetivo de vencer a qualquer custo a prova diante de impressionantes 140.700 torcedores. “Ni Maracaná” ou “Nem o Maracanã” como deu em manchete o El Pais.

Por estar mais leve, Alonso tinha quase certeza de ser o primeiro no grid, mas Massa o superou por 30 milésimos de segundo, fator que se mostrou capital para o piloto da Ferrari entrar de vez na luta pelo título.

“Saltaron chispas” ou “Saiu faísca”, a manchete do Sport. Como todas as publicações, estamparam um cineminha das imagens da largada, quase quadro a quadro para explicar a manobra que colaborou decisivamente para a derrota de Alonso.

O texto de Josep Viaplana é isento, limita-se a descrevê-lo e interpretá-lo com riqueza, sem assumir postura favorável a nenhum dos dois pilotos. A edição traz uma foto extraordinária, em que Alonso e Massa se cumprimentam, depois de deixar seus carros, sem um olhar para a cara do outro.

O Mundo Deportivo não fica em cima do muro. “O prêmio (vencer diante de tantos aficcionados) valia os riscos para Alonso. Massa defendeu sua posição por dentro e Alonso levou a pior. Um lance, sem dúvida, de corrida”, escreve Raymond Blancafort. Sua manchete: “Alonso relegado a la tercera plaza” ou “Alonso relegado ao terceiro lugar.”

Como todos os jornais de ontem, o Mundo Deportivo dedica enorme espaço editorial à “tragédia do Barcelona” no Camp Nou, ao empatar com o Betis por 1 a 1 e permitir ao Real Madrid igualar-se em número de pontos (66) na classificação do Campeonato Espanhol de Futebol, restando apenas quatro rodadas para o encerramento.

De olho no futebol, Alonso, torcedor fiel do Real Madrid, vai estar já a partir de hoje, junto dos pilotos das demais dez equipes de Fórmula 1, no circuito de Paul Ricard, próximo a Marselha, no sul da França, para quatro dias de testes, visando essencialmente o GP de Mônaco, quinta etapa do Mundial, dia 27.

FIM