"Justiça veio do céu", diz coordenador da Renault

liviooricchio

17 Outubro 2006 | 19h11

Enquanto um grupo de funcionários trabalhava em regime de mutirão, hoje em Interlagos, cortando a grama das imensas áreas do autódromo, o coordenador da equipe Renault, Steve Nielsen, orientava técnicos e mecânicos a encarar o GP do Brasil como outra corrida qualquer: “Erro maior seria fazer algo diferente do que fizemos nas 17 etapas até aqui. Cometemos alguns equívocos, este ano, mas pior seria rever tudo na última hora”, afirmou o inglês.

Fernando Alonso, piloto da Renault, e Michael Schumacher, Ferrari, disputam o título de pilotos em Interlagos, bem como as duas escuderias, o de construtores. “Flavio Briatore e eu nos reunimos com os meninos lá no Japão, não será preciso repetir o encontro aqui. Cada um já sabe o que deve fazer. Se a Ferrari conseguir classificar-se em 1.º e 2.º, nós precisaremos de um 3.º e um 4.º para conquistarmos os dois campeonatos.”

A única orientação distinta repassada aos cerca de 80 integrantes que compõem o time francês refere-se à corrida: “Numa etapa normal, se o Alonso desse um toque em um adversário, viesse para box e perdesse 5 minutos para reparar o carro, nós nem o faríamos regressar à pista”, explica Nielsen. “Mas como para ele basta o 8.º lugar para garantir o título de pilotos, nós o recolocaríamos de volta mesmo depois de 5 minutos parado.”

Como ocorre com maior frequência este ano, os pneus serão decisivos no resultado, diz o inglês. “Como regra, o Alonso é sempre muito rápido aqui em Interlagos. Os pneus funcionando não será diferente.” O espanhol, campeão já em 2005, conquista definida também no GP do Brasil, irá competir pela McLaren em 2007. “É um piloto fantástico. Vamos sentir muito mesmo a sua falta.”

A Renault e Alonso deram mostras de que seriam campeões cedo ainda na temporada, depois do GP do Canadá, quando, por uma combinação de razões, começaram a perder terreno para a Ferrari e Michael Schumacher. A FIA proibiu o sistema de amortecedor de massa e tomou decisões casuísticas, como punir Alonso no treino de classificação em Monza por estar à frente de Felipe Massa. “Se vencermos os campeonatos será uma espécie de justiça que, de alguma forma, será feita, ainda que eu não seja lá muito ligado em coisas do céu”, diz Nielsen.

Apesar de todas as equipes já trabalharem na montagem de seus boxes, hoje, ninguém começou ainda a mexer nos carros. O delegado de segurança da Fórmula 1, Charlie Whiting, chegou hoje a São Paulo e amanhã inspeciona o circuito. A Companhia de Engenharia de Tráfego – CET realizou a pintura das sinalizações de solo no asfalto, como as demarcações no grid e as faixas interna e externa do traçado.

Para aparar a grama na porção interna da curva da Junção, a prefeitura, responsável pelo autódromo, escalou uma multidão de trabalhadores. Assim como era grande o número de funcionários dedicando-se, de noite já, a fechar a cobertura da imensa arquibancada localizada em frente aos boxes. Um belo serviço de recuperação foi realizado em todos os banheiros fixos do autódromo. O GP do Brasil começa oficialmente quinta-feira, com a inspeção técnica dos carros das 11 equipes que disputarão a prova, enquanto os treinos livres têm início sexta-feira, às 11 horas.