Kimi, atrás da confiabilidade da Ferrari

liviooricchio

01 Outubro 2006 | 12h32

Em conversa com amigos próximos, Kimi Raikkonen disse: “Jamais permaneceria na McLaren. Não confio mais na equipe.” Hoje, pela enésima vez, teve de abandonar, na 18.ª volta, quando tinha chance até de vencer o GP da China. O sistema de acelerador eletrônico cortou a alimentação por detectar uma falha no motor Mercedes. “Pelo menos nosso carro evoluiu em velocidade nas últimas provas.” Raikkonen deverá ter na Ferrari, em 2007, o que mais deseja: confiabilidade do equipamento.

A disputa pelo título entre Michael Schumacher e Fernando Alonso é uma das mais acirradas da história. A duas etapas do encerramento da temporada, os dois estão empatados em pontos, 116, apesar da vitória a mais do piloto da Ferrari, 7 a 6. Em 1984, Niki Lauda foi campeão por ter meio ponto a mais do companheiro de McLaren, Alain Prost, 72 a 71,5. Um ano antes, Nelson Piquet, Brabham, conquistou o Mundial com 2 pontos a mais de Alain Prost, Renault, 59 a 57. Já em 1994, Schumacher, Benetton, chegou ao primeiro título com 92 pontos diante de 91 de Damon Hill, Williams.

Não há como Fernando Alonso ser campeão em Suzuka, domingo. Se somar 10 pontos aos 116 que possui atingirá 126. No caso de Michael Schumacher não marcar pontos, fica com os atuais 116. Nessa hipótese, os dois empatariam em vitórias, 7 a 7. Ocorre que se o alemão da Ferrari vencer em Interlagos, dia 22, e Alonso não fizer nenhum ponto, os dois empatam em pontos, 126, mas Schumacher seria campeão por ter uma vitória a mais. Portanto, o Mundial só acaba no GP de Japão se Schumacher vencer e Alonso não se classificar dentre os 8 primeiros.

Frank Williams já definiu: “Esta é a pior fase de minha equipe desde que me associei a Patrick Head, em 1977.” Hoje, depois de dez corridas, um dos seus pilotos voltou a marcar pontos. Mark Webber recebeu a bandeirada em 8.ª. O ponto somado não muda a colocação da Williams entre os construtores, 8.ª, com 11 pontos, à frente apenas de Toro Rosso, Spyker e Super Aguri.

Com a definição, na China, de a Spyker, ex-Midland, correr com motor Ferrari em 2007, todas as equipes já sabem o motor que utilizarão na próxima temporada. A Ferrari fornecerá para ela própria, Toro Rosso e Spyker. A Renault, além de seu time, a Red Bull, enquanto Toyota servirá sua escuderia e a Williams. Honda para a Honda e Super Aguri, e BMW apenas sua equipe, assim como a Mercedes com McLaren.

Arrojado, tudo bem, mas um pouco ousado demais também não. Robert Kubica, jovem talento da BMW, arriscou tudo, hoje, ao substituir os pneus intermediários pelos de pista seca ainda na 24.ª volta. Michael Schumacher o fez, com segurança, apenas na 40.ª. Com isso, o polonês teve de regressar aos boxes na volta seguinte para voltar para os intermediários. O pit stop a mais o impediu de lutar pelo quarto lugar. “Acho que foi o Doornbos, bateu em mim na largada e caí lá para trás. Depois, tinha me recuperado bem, quando me arrisquei demais na hora de trocar os pneus.” Ficou em 13.º.

Todos os 120 mil ingressos para o GP do Japão se esgotaram. Além da possibilidade de Michael Schumacher ser campeão, será sua última corrida no Japão, onde apesar de admirado não é ídolo, ao menos da maioria. A corrida representa também, em princípio, o fim do autódromo de Suzuka, pertencente à Honda, para a Fórmula 1 que, como traçado, pode ser igualado a Spa-Francorchamps em seletividade. Será a 20.ª vez que a Fórmula 1 se apresentará em Suzuka. A primeira foi em 1987 e desde então não parou mais. A Toyota adquiriu o autódromo de Fuji, a cerca de 100 quilômetros de Tókyo, o reconstruiu em grande estilo, e ganhou o direito que era da Honda de ter o Mundial no seu circuito.