Kubica: Ótimo, feio e barato!

liviooricchio

10 Setembro 2006 | 16h47

Desajeitado, alto, magro, sem pinta de piloto, pouco cabelo para 21 anos e nariz adunco pronunciado. Tímido. Mas apenas fora da pista. Dentro do carro da BMW Sauber, já vinha demonstrando nos treinos quando era terceiro piloto, ser um talento nato. E que pouco tem a ver com a fala comedida sem o capacete. Ontem o novo fenômeno da Fórmula 1, o polonês Robert Kubica, solou uma polonese no circuito de Monza com a maestria de Nelson Freire. Correu como um campeão em potencial e conquistou seu primeiro pódio ao classificar-se em terceiro. Chegou a liderar o GP da Itália.
Enquanto Michael Schumacher anunciava que irá se retirar do automobilismo no fim do ano, Kubica deu o tom da nova geração que vem aí, onde ele, Nico Rosberg, da Williams, Lewis Hamilton, McLaren, e Nelsinho Piquet, Renault, todos na casa de 21 anos, são belos representantes. “Estou surpreso, sim, com o resultado. Antes da largada o pessoal da equipe disse, brincado, que desejava me ver no pódio. Achei que era uma brincadeira, no entanto olha o que conseguimos.” O mais importante foi que o arrojado, veloz e competente polonês, a não ser do campeão do mundo, Fernando Alonso, da Renault, não herdou mais posições.
Pulou de sexto para terceiro já na largada e ninguém o ultrapassou, a não ser o próprio Alonso, numa disputa belíssima, na saída dos boxes, em seguida ao segundo pit stop de ambos, na 41.ª volta. “Não erramos como em Istambul, em que escolhemos pneus eficientes para a classificação mas pouco apropriados para a corrida. Aqui tudo funcionou”, disse Kubica. Felipe Massa, da Ferrari, tentou de todas as formas ganhar sua posição. Não deu. “Ele ficou bem perto de mim antes do primeiro pit stop porque, na largada, freei muito forte na primeira curva e meus pneus passaram a causar grande vibração no carro.”
Gostou de passar a informação equivocada de que estava com pouca gasolina e, por isso, fora tão bem na classificação. “Parei depois dos líderes.” Kimi Raikkonen, da McLaren, primeiro colocado, fez a primeira parada na 15.ª volta, Michael Schumacher, Ferrari, segundo àquela altura, na 17.ª e Kubica, apenas na 22.ª. Acabou beneficiado com a desistência de Alonso, na 43.ª volta, por problemas com o motor. “Foi um risco, havia óleo para todo lado, Massa seguiu reto na chicane e me parece que furou um pneu. Tive sorte.”
As voltas finais, como descreveu, não representaram dificuldade, mesmo para um novato não habituado a correr entre os primeiros, ao menos na Fórmula 1. “Foi só levar o carro até a bandeirada. Estamos todos muito orgulhosos desse resultado.” Liderar o GP da Itália, da 18 à 22.ª volta, em razão das paradas de Raikkonen e Schumacher, para um jovem que faz sua terceira corrida, por um time ainda modesto, não é obra do acaso. Kubica já transformou-se numa atração da Fórmula 1, também por representar uma nação sem tradição no automobilismo e pertencer ao leste europeu, bastante carente depois da dissolução da União Soviética. “Como se pronuncia meu sobrenome? Em polonês é ‘Kubitza’.”