Massa dá a entender em Mônaco que pódio é bom resultado

liviooricchio

23 Maio 2007 | 15h48

23/V/07
GP de Mônaco
Livio Oricchio, de Mônaco

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Há um certo consenso na Fórmula 1 de que das cinco primeiras etapas do campeonato, o GP de Mônaco será o mais difícil para a Ferrari. A equipe não vence no principado desde 2001(com Michael Schumacher) e a imprensa italiana já fala em tabu.

Mas se depender de Felipe Massa, do time de Maranello, vencedor das duas últimas provas do Mundial, Bahrein e Espanha, o tabu termina domingo. “Tenho consciência de que será uma corrida bastante disputada, com possibilidade até de resultado surpreendente, mas não vejo por que a Ferrari não possa vencer.”

O modelo F2007 tem talvez a maior distância entre-eixos dentre todos os carros. Ela é medida do centro da roda dianteira ao centro da traseira, do mesmo lado. E um monoposto longo tende a enfrentar maiores dificuldades num traçado de curvas lentas e de poucas retas como Mônaco. Massa contra-argumentou, ontem: “Tanto no setor mais sinuoso do Circuito da Catalunha, em Barcelona, como no de Albert Park, em Melbourne, onde ganhamos, nosso carro era o mais rápido.”


Reconheceu, contudo, que os pilotos da McLaren, Lewis Hamilton, líder do campeonato, com 30 pontos, e Fernando Alonso, segundo colocado, 28, têm melhores chances que em outras etapas. “Penso que não só a McLaren. A BMW deve ser nossa adversária aqui, pelas características da pista.”

Não cita nominalmente Hamilton, mas Massa dá uma pista do que pretende no fim de semana. Os primeiros treinos livres começam hoje às 5 horas, horário de Brasília. “Venci duas provas e não sou líder do Mundial. É preciso usar a cabeça. Classificar-se no pódio regularmente é ainda mais importante que ganhar uma ou outra.”

Hamilton terminou no pódio nas quatro corridas realizadas e, mesmo sem ganhar, está à sua frente. Massa soma 27 pontos, terceiro, 5 à frente de Kimi Raikkonen, companheiro de Ferrari, quarto. Estar, agora, com mais pontos que Raikkonen não significa muito, comentou: “Assim como eu estava cinco pontos atrás e, de repente, encontro-me cinco na sua frente, tudo pode acontecer. O importante não é estar apenas na frente do companheiro, mas de todos, e ainda não estou.”

Nas quatro primeiras etapas, este ano, quem contornou a primeira curva em primeiro lugar ganhou a corrida. “Aqui a classificação será ainda mais importante. Mas não adianta deixar o carro leve, estabelecer a pole position e depois parar para reabastecer 10 voltas antes dos outros, você vai perder a liderança”, falou. “A estratégia em Mônaco contará muito.”

O desgaste na relação com Fernando Alonso, depois do GP da Espanha, era evidente. O espanhol tentou ultrapassá-lo por fora na curva 1, depois da largada, e acabou fora da pista. Terminou, ainda, em terceiro. O piloto da Ferrari disse desconhecer o clima entre ambos. “Não o vi, ainda. Ele não treinou em Paul Ricard, semana passada, e tampouco disputou a partida beneficente de futebol aqui em Mônaco, ontem”, explicou. “Mas repito o que disse. Se houve agressividade veio dele. E pagou por isso.”

O asturiano da McLaren, campeão em 2005 e 2006, conversou com a imprensa espanhola e deixou claro o que pensa da temporada: “Nas próximas três corridas você tem estar lá. Tem de chegar no pódio, caso contrário perderá muitos pontos.” E ele tem experiência em lutar pelo título. Ano passado a competição com Schumacher foi intensa e se estendeu até a última etapa, em Interlagos. “No momento, somos quatro na briga. Se um de nós tiver dois ou três maus resultados agora, acredito que ficará muito difícil, em termos de pontos, lutar pelo Mundial.”

Como sempre, é sincero ao falar da concorrência. “Vencer a Ferrari, hoje, é bem difícil. Eles têm um ritmo de corrida que não possuímos. Quando seus pilotos apresentam um problema mecânico, como Massa na Austrália e Raikkonen na Espanha, é a nossa grande oportunidade de somar mais pontos.”

A McLaren, apesar de ter vencido apenas uma vez em quatro provas, diante de três primeiras colocações da Ferrari, lidera entre os construtores, 58 a 49. Comentário comum, ontem, no paddock de Mônaco: se Alonso acabar o GP atrás de Hamilton, como em Barcelona, começará a perder a cabeça e a cometer erros nada comuns com sua trajetória vitoriosa na Fórmula 1.

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