Massa: "É cedo para pensar no título em 2007"

liviooricchio

24 Outubro 2006 | 17h16

A vitória domingo, em Interlagos, representou a realização de um sonho, foi e será importante para sua própria autoconfiança e para a Ferrari o respeitar ainda mais. Mas pensar em disputar o título em 2007 ainda é cedo. Foi o que disse, ontem, Felipe Massa, um dia depois de ser um dos protagonistas de uma grande festa no GP do Brasil. “Não dá para falar que a Ferrari é a favorita, mas com certeza uma das. Será preciso aguardar as primeiras corridas para dizer.”

Poucos o classificam como um dos pilotos que estará nas etapas finais do campeonato com chances de ser campeão. “Acho ótimo e espero que continue assim”, falou Massa, ainda rouco da comemoração da vitória e da despedida de Michael Schumacher, domingo à noite no restaurante Casa Fasano, até as 4h30. “Legal é você conquistar algo quando ninguém espera.”

As emoções das 71 voltas da prova na pista onde aprendeu a pilotar ainda lhe vêm à mente. “Até a 10 voltas da bandeirada, eu não pensava em nada, apenas em guiar, poupar o carro. Nas 10 finais, porém, comecei a me perguntar se eu iria mesmo vencer.” Foi um problema: “Passei a brigar comigo mesmo, dizer não é hora de pensar nisso.” Definiu as condições do asfalto de Interlagos como as piores de todas no calendário. “Eu tinha de desviar das ondulações. E há quanto tempo esse problema se repete.”

De esportista famoso a celebridade. O passo foi dado. A vitória em Interlagos, a primeira depois da de Ayrton Senna, em 1993, emocionou a nação. “Sinto o carinho das pessoas. Se estou me tornando popular é porque estou fazendo um bom trabalho.” Rubens Barrichello estava na festa programada pela Ferrari. “Eu lhe disse que ele tem de ganhar o GP do Brasil, a sensação que tive é difícil de ser descrita.”


Seu adversário interno na escuderia italiana não será mais o poderoso Michael Schumacher. Kimi Raikkonen foi contratado para substituí-lo. E chega ganhando três vezes mais que Massa. Segundo o piloto brasileiro, isso não quer dizer que será tratado de forma diferente. “Atenção como o Schumacher ninguém terá na Ferrari. Eu e o Kimi receberemos o mesmo tratamento.” O alemão fará falta à equipe. “Ele tem uma capacidade incrível de apontar para os engenheiros o problema do carro e o caminho para resolvê-lo.” Foram muitas as lições aprendidas com Schumacher.

“A mais importante talvez seja ter uma visão mais global da corrida.
Não ter de apenas acelerar o máximo toda volta. De repente, tirar um pouco o pé para economizar o pneu e depois, lá na frente, retomar o ritmo novamente.” Sua impressão inicial ao ser contratado pela Ferrari era de que cumpriria um mandato-tampão. “Eu permaneceria no time este ano depois seria dispensado.” E perder o emprego na Sauber, no fim de 2002, de acordo com o que explicou, foi-lhe decisivo.

“Na hora que o Peter Sauber me mandou embora achei que tudo havia acabado ali. Ter uma chance na Fórmula 1 já é bem difícil, duas, impossível.” Mas concordou com a dispensa. “Acho que merecia.” Nesse instante da carreira surgiu a oportunidade de ser piloto de testes da Ferrari. “Ainda me lembro, como meu empresário, o Nicolas Todt, desses instantes de enorme dificuldade. Recordo deles com frequência e me faz bem. Eles te ajudam a crescer. Você descobre que não é ninguém.”

E isso parecia claro, também, quando Michael Schumacher chamou Massa, e Jean Todt, diretor-geral da Ferrari, no GP do Canadá, para uma conversa. “Ele anunciou à equipe que pararia de correr. Só que eu tinha contrato só para este ano e não sabia o que iria ocorrer comigo.” Uma semana apenas depois, nos Estados Unidos, as coisas ficaram claras. “Fizemos 1.º e 2.º e fiquei sabendo que continuaria na Ferrari.” Apenas ele, Todt, a esposa de Schumacher, Corinna, e o empresário, Willi Weber, conheciam a decisão de Schumacher.

Amanhã Massa embarca para a Itália onde sábado e domingo participa do Ferrari Day, encontro de ferraristas no circuito de Monza. “Vamos testar em novembro, 2 dias em Barcelona, e depois outros 4 dias em dezembro, em Jerez. O primeiro treino do novo companheiro, Kimi Raikkonen, será apenas em janeiro.