Massa vence na raça e na técnica

liviooricchio

13 Maio 2007 | 17h49

13/V/07
GP da Espanha
Livio Oricchio, de Barcelona

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Na corrida da Malásia, Felipe Massa e Fernando Alonso disputaram a primeira curva e a postura prudente para evitar o choque custou a Massa a perda da liderança da corrida e uma série de desdobramentos bem desfavoráveis.

Na etapa seguinte, em Bahrein, Massa deu um recado para o espanhol da McLaren, tendo-o ao seu lado numa entrevista: “Da próxima vez eu não vou tirar o pé do acelerador.” Alonso riu. Mas Massa não precisou recorrer a seu novo método para ganhar a prova.


Ontem no GP da Espanha, contudo, Alonso compreendeu bem o que Massa desejava dizer. O piloto da Ferrari largou na pole position e manteve-se em primeiro até o fim da reta, quando Alonso tentou ultrapassá-lo, por fora, na curva 1, exatamente como na pista de Sepang. Alonso talvez não tenha levado a sério a mensagem. Resultado: sobrou para ele.

Ao não tirar o pé do acelerador, como prometera, Massa acabou tocando na McLaren do espanhol, lançando-o na área de escape. Alonso não só não passou Massa como perdeu o segundo lugar para o companheiro, o brilhante Lewis Hamilton, e o terceiro para o parceiro de Massa, o finlandês Kimi Raikkonen.

Massa venceu na raça e na técnica no Circuito da Catalunha, em Barcelona. E deu o recado para seus principais adversários, a dupla da McLaren, ainda na sua frente na classificação do Mundial: “Agora estou apenas 3 pontos atrás, tudo pode acontecer, mas vou, sim, lutar pelo título.”

Com a segunda vitória este ano, quarta na carreira, Massa soma 27 pontos. Já o estreante Hamilton, segundo pela terceira vez seguida, lidera surpreendentemente sozinho o Mundial, com 30 pontos. Alonso, bastante choroso com o terceiro lugar, ontem, está 2 pontos atrás. Raikkonen abandonou com pane elétrica no alternador e caiu para quarto, 22. Rubens Barrichello, da Honda, terminou em décimo.

Como quando venceu em Interlagos, ano passado, Massa estava eufórico: “Hoje é um dia sensacional para mim, defendi minha posição, o carro estava ótimo, consegui abrir boa vantagem e depois administrar no fim.”

Questionado pela imprensa do mundo todo sobre o ocorrido na largada e decisivo para o desenvolvimento da corrida, não poderia ter sido mais claro: “Quando faço besteira sou o primeiro a assumir a culpa, mas desta vez vou até o final. Não queria perder como na Malásia, estava por dentro da curva e fiquei lá, se alguém foi agressivo foi ele.”

Está tão dificil ultrapassar na Fórmula 1 que os pilotos arriscam tudo na largada. Alonso sabia que sua única chance de tentar vencer o GP da Espanha, diante de 141 mil barulhentos torcedores, seria contornar a primeira curva como líder. Largou em segundo.

“Nós nos tocamos e fiquei preocupado se não havia afetado o carro”, comentou Massa. “Não foi o caso. Conseguia abrir volta a volta boa vantagem em relação a Hamilton, para minha surpresa.” A McLaren demonstrara nos treinos poder acompanhar bem mais de perto o ritmo da Ferrari.

Curiosamente, apesar de Massa ter vencido de forma irretocável as duas últimas etapas e largado na pole nas três últimas, assim como Raikkonen ter sido primeiro na Austrália e obtido a pole position, quem lidera o Mundial de Pilotos é Hamilton e o de Construtores, a McLaren, 58 a 49.

“O que temos de fazer agora é concluir as provas com os dois carros”, disse Massa. Já a partir de amanhã, no circuito de Paul Ricard, as 11 equipes iniciam quatro dias de testes. A próxima etapa do calendário é o GP de Mônaco, circuito que Massa assume não ser o seu preferido.
Foi quinto em 2004, com Sauber.

FIM