McLaren arrasa a Ferrari e Alonso esnoba Massa

liviooricchio

27 Maio 2007 | 22h02

27/V/07
GP de Mônaco
Livio Oricchio, de Mônaco

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Não deve ter sido fácil para Felipe Massa ouvir Fernando Alonso, ao seu lado, afirmar, ontem: “Foi a mais fácil das minhas 17 vitórias na Fórmula 1.” O espanhol da McLaren ganhou o GP de Mônaco e seu companheiro, Lewis Hamilton, não mais uma surpresa na Fórmula 1, classificou-se em segundo.

“Nunca recebi a bandeirada com mais de um minuto de vantagem para meu adversário”, explicou Alonso, referindo-se a Massa, terceiro colocado. O piloto da Ferrari, resignado, respondeu: “Hoje não havia o que fazer, nem que eu desse 150% de mim, eles estavam bem mais rápidos que nós.”


Que a McLaren seria uma concorrente muito forte da Ferrari nas ruas do principado já se sabia. Desde os primeiros treinos livres, quinta-feira, Alonso e Hamilton mostraram-se mais velozes que Massa e seu companheiro, Kimi Raikkonen.

As características do modelo MP4/22 da McLaren, em especial a menor distância entre eixos em relação ao F2007 italiano, lhe favorecia nos sinuosos 3.340 metros do circuito de Mônaco. Mas nem os próprios pilotos da McLaren imaginaram se impor de forma a quase humilhar a Ferrari.

“Que surpresa fantástica”, falou Alonso, aliviado com o resultado. Diante de sua torcida, na prova anterior, em Barcelona, Alonso teve de conviver com uma vantagem de 30 segundos de vantagem de Massa em determinada altura da competição. “Diferença exagerada”, disse, na Espanha, o espanhol, numa espécie de crítica a sua escuderia.

Uma única etapa depois a devolveu em dobro e reassumiu a liderança do campeonato. E desabafou, parecendo desejar atingir a imprensa: “Todo mundo só falava do Hamilton e do Massa, ninguém acreditava que eu pudesse vencer aqui.”

Alonso e Hamilton dominaram o GP de Mônaco com enorme facilidade. E tampouco atrás de si houve qualquer luta. Ao longo das 78 voltas da corrida ninguém ultrapassou ninguém na pista. Os quatro primeiros no grid foram os quatro primeiros na bandeirada.

As esperadas surpresas na etapa de Mônaco não aconteceram. Se tivesse chovido, como chegou a prever a meteorologia, talvez. A maior parte do público tinha a cara de quem assistiu a uma corrida sem maiores emoções.

Hamilton aproveitou a chance de estar ao lado de Massa na entrevista coletiva para mais uma onda de ataque psicológico. “Demos outro grande passo adiante (no desenvolvimento do carro), estamos com uma boa margem à frente de quem quer que seja.”

Mas pela primeira vez demonstrou insatisfação com algumas decisões da direção da McLaren. “Eu poderia ser mais veloz no final, tentar fazer com que Alonso errasse, embora sendo um bicampeão sei que dificilmente ocorreria”, contou. “Mas como nossa vantagem era enorme, o time pediu para administrarmos o resultado. Meu carro tem o número 2, sou o segundo piloto.”

Depois de cinco etapas, Alonso e Hamilton estão empatados na liderança do campeonato, com 38 pontos, mas como o asturiano ganhou na Malásia e ontem, na realidade é o primeiro colocado. Massa vem a seguir, com 33. A impressionante virada da McLaren do ano passado para este pode ser medida na disputa entre os construtores também: já são 20 pontos de diferença para a Ferrari, 76 a 56.

Kimi Raikkonen não ajudou a Ferrari no fim de semana, ao errar infantilmente na classificação. Conseguiu ontem, ainda, um ponto com o oitavo lugar, depois de largar em 16º.

Realista, Alonso pôs os pés no chão um pouco mais tarde. “Nossas próximas duas corridas serão mais defensivas. A Ferrari é a favorita, mais nos Estados Unidos que em Montreal.” Nas dez últimas edições do GP do Canadá, a Ferrari ganhou seis vezes. A McLaren, duas, enquanto nas sete provas de Indianápolis a equipe italiana venceu seis. A outra vitória ficou com a McLaren de Mika Hakkinen, em 2001.

Mas para o espanhol o melhor de seu novo time está por vir, ainda: “Sempre disse que seríamos mais eficientes na segunda metade do Mundial, por eu estar mais acostumado ao carro, aos pneus e à equipe, além da evolução do MP4/22.”

FIM