Não há veto algum de Raikkonen ou Schumacher

liviooricchio

01 Setembro 2006 | 17h59

Senhores, por favor. Não existe essa de Michael Schumacher vetar Kimi Raikkonen. E de Kimi Raikkonen vetar Michael Schumacher na Ferrari. Insisto. Minha opinião é clara e objetiva, baseada no que apuro nos autódromos com profissionais que têm trânsito dentro das equipes: salvo uma surpresa, pouco provável mas não impossível, a Ferrari deverá anunciar, logo em seguida à bandeirada do GP da Itália, em Monza, Kimi Raikkonen e Felipe Massa como seus pilotos em 2007.
Pode ser outra combinação? Pode. Tudo é possível na Fórmula 1. Em Istambul conversei longamente com uma fonte das mais bem informadas, como faço há 16 anos. É um dos braços direitos de Bernie Ecclestone. Não cito o nome porque não estou autorizado. Deu-me detalhes da negociação toda envolvendo Raikkonen e a Ferrari. Escrevi de lá mesmo que havia um fator novo na história, repassado pela fonte: Schumacher conversou com Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, e lhe pediu mais tempo para decidir se pára ou continua.
Em nenhum momento lhe colocou que não aceita correr tendo Raikkonen como companheiro. Não pensem que Schumacher é onipresente na organização Ferrari SpA (Sociedade por Ação). Todos lhe estendem o tapete vermelho, com imensos méritos, mas não tem poder absoluto na equipe, como muitos imaginam. “Vocês me superestimam nesse aspecto”, já ouvi mais de uma vez o alemão dizer, referindo-se a nós, jornalistas. Portanto, ele desejar não ter de dividir o time com Raikkonen está longe de ser uma imposição para a Ferrari, notadamente agora que, se não parar – como acredito -, disputará apenas mais uma temporada.
Em função dessa posição dúbia de Schumacher é que, eventualmente, a Ferrari pode vir a anunciar, em Monza, os três pilotos. Pode acontecer, mas, repito, não acredito. A Ferrari esperaria o maior vencedor que passou por lá decidir sua vida. O que me pergunto é se isso ocorrer qual será o destino de Massa. Piloto de testes? Seria muito pouco para quem experimenta grande evolução. Confesso que se for esse o caminho da Ferrari, apresentar os três pilotos, seria profundamente frustrante para Massa e a maioria dos brasileiros, que começa a ver nele um piloto mais maduro, capaz de dar ao país novas vitórias na Fórmula 1.
Mas nós falávamos do veto de Schumacher e Raikkonen. Vimos que o alemão não tem esse poder. O que dizer, então, de Raikkonen, que nunca entrou na divisão de competição da Ferrari, em Maranello? Jornalista vive de fontes, em especial nesse universo hermético da Fórmula 1. E a que tenho a respeito do finlandês não poderia ser melhor. Falei com ela hoje, por telefone, que me autorizou a escrever, sem citar seu nome.
Se perguntassem a Raikkonen o companheiro de equipe que mais gostaria de ter, a resposta seria em letras de forma: Michael Schumacher. Assinou com a Ferrari há meses e, pelo que me foi informado ainda domingo, em Istambul, e reconfirmado hoje, por telefone, não há uma citação sequer no seu contrato quanto a Schumacher. Se o alemão vai correr ou não. Tem, sim, aliás Raikkonen só assinou o compromisso por isso, parágrafos que lhe garantem o mesmo equipamento e o mesmo tratamento do outro piloto, sem especificar nomes. Raikkonen tem certeza de que, nessas condições, pode bater Schumacher. E como adoraria fazê-lo. É por esse motivo que o seu preferido para compartilhar a Ferrari é Schumacher.
Para concluir, eu continuo afirmando que as maiores possibilidades são de Raikkonen e Massa serem oficializados como os titulares da Ferrari em 2007. Qualquer coisa fora disso, sempre possível, lógico, seria surpreendente.