Nelsinho, ótimo início na Renault

liviooricchio

20 Setembro 2006 | 20h59

Conversei com Nelsinho Piquet, hoje, algumas horas depois de ele estabelecer o melhor tempo dentre os 11 pilotos que treinaram em Silverstone. É um ótimo resultado, sem dúvida, mas o próprio Nelsinho procurou diminuir sua importância. “Não tive contato ainda nesses dois dias de treinos com 5% sequer do que vou enfrentar de desafio na Fórmula 1.” A equipe Renault instalou alguns jogos de pneus novos no modelo R26 o que também colaborou para Nelsinho registrar 1min19s565 na melhor de suas 73 voltas, “ainda que já deu para ver que o volume de gasolina é mais determinante que os pneus no tempo da volta.”
Não é, por favor, nem de longe qualquer tentativa de não valorizar seu trabalho. Pelo contrário. As 66 voltas de ontem e as 73 de hoje, sem erros, demonstram o grau de maturidade que Nelsinho atingiu. “Estou me acostumando, ainda, com a velocidade do carro, evoluindo na compreensão do que ele é capaz.” Tudo isso com cuidado extremo: “Não posso arriscar muito, tenho de ir com calma, pilotar em sintonia com o R26, é isso o que a equipe deseja de mim.”
Curiosamente, habituar-se com os freios do Fórmula 1, dificuldade sinalizada pela maioria dos que começam na competição, não foi problema para Nelsinho. “É bem mais fácil que na GP2.” Os pilotos dizem ser complexo convencer seu cérebro de que é possível manter o pé no acelerador, naquela velocidade, até a apenas 50 metros do início da curva para, então, iniciar a frenagem. “Freio com o pé esquerdo, tranquilo.”
Não há uma programação específica da Renault nos três dias de testes de Nelsinho nos seletivos 5.141 metros de Silverstone. Coisa do tipo testar algum componente novo visando já 2007. “Tudo o que eles querem, em princípio, é que eu me acostume com a Fórmula 1. Hoje já dei séries de 20 voltas seguidas.”
Trabalhar com a Renault tem sido uma experiência bastante distinta dos dois testes que realizou na Fórmula 1, com carros das escuderias Williams e Honda. “Quando você não tem contrato com ninguém, naquele dia único de teste, metade está a fim de te ferrar e a outra metade pretende que você faça um milagre. Hoje, de contrato assinado com a Renault, tudo é muito diferente. Todos te ajudam, dão o máximo, pode-se perceber a boa vontade do time. Eles me dizem para ir com calma, reafirmam que não necessito provar nada, falam para eu apenas rodar, ganhar experiência.”
Nelsinho lembra, a seguir, dos tempos da Fórmula 3 britânica: “Você faz um teste com uma equipe, pára no box e poder ouvir de cara ‘você está tomando um caminhão do outro piloto’.”Agora, como piloto de testes da Renault, a realidade é bem diferente. “Eles vão analisando seu nível e, de acordo com ele, liberando-o para solicitar mais do carro.” O objetivo é levar Nelsinho a registrar, com o tempo, marcas semelhantes às dos titulares e aproveitá-lo para testar muitos dos componentes que serão incorporados no modelo de 2007, bem como o próprio monoposto em si.
Sobre o primeiro tempo, disse: “Eu conheço bem essa pista, mas não peguei, por exemplo, o Alonso, não tive outro piloto para comparar minha performance. Como falei, minha intenção e do time é eu aprender.” Hei, espera aí, Nelsinho. O Heikki Kovalainen não vale? O finlandês, titular na próxima temporada, treinou junto, ontem, e obteve na melhor das suas 119 voltas 1min19s700, segundo tempo do dia. A não ser a Renault, as condições de cada piloto são desconhecidas. Outro jovem de 21 anos da nova geração que vem aí na Fórmula 1, Lewis Hamilton, campeão da GP2, completou 64 voltas com o carro da McLaren. Marcou 1min20s864, sexto mais rápido do dia.
“Estão dizendo que ele andou só hoje? Então eu estou louco porque ontem eu o vi na pista”, falou, rindo, Nelsinho. Seu pai, Nelson Piquet, acompanhou os dois primeiros dias de testes: “Ele não dá um palpite, não se envolve com nada.” Amanhã será o último dia de treinos de Nelsinho nessa primeira série de contato com a Renault. O saldo dos dois primeiros dias é muito positivo e o melhor tempo, hoje, mesmo com alguns fatores a seu favor, não tiram o mérito do seu ótimo início de trabalho na Fórmula 1. A nova geração do Brasil no Mundial começou bem.