No Japão, como um japonês

liviooricchio

12 Outubro 2006 | 15h42

Texto redigido ainda no Japão. Não incluí aqui propositalmente a viagem de Nagoya a Kyoto, onde visitei seus templos. Nos próximos dias colocarei no ar, com várias fotos, o capítulo de Kyoto.

Sábado, 8 de outubro de 2006. São 22h05. Acabo de chegar do circuito de Suzuka. Estou na cidade de Yokkaichi, distante cerca de 30 quilômetros. Sabe que horas deixei a sala do imprensa do autódromo? 18h15. Atravessei o paddock, aquela área grande, no caso de Suzuka nem tão extensa assim, atrás dos boxes, e aguardei por 40 minutos o miniônibus que nos leva até o hotel do circuito, de onde partem os ônibus para as três principais cidades que acomodam os jornalistas, Shiroko, Yokkaichi e Tsu.
O ônibus para o transporte a esses municípios permaneceu parado no tráfego intenso ao redor da pista e só pôde nos buscar uma hora mais tarde do programado. A seguir, o mesmo acúmulo de carros exigiu outra hora e dez minutos para o motorista nos deixar na praça da estação de trem de Yokkaichi. Em resumo: só para voltar para o meu hotel necessitamos 4 horas. Hoje, pela manhã, o ônibus também atrasou por causa do trânsito e demoramos, no total, 1h50 até atingir a sala de imprensa.
Some essa 1h50 ao tempo gasto para regressar ao hotel e verá que hoje, sábado, os jornalistas que estavam em Yokkaichi perderam 5h50 entre ida e volta ao autódromo de Suzuka. Sem a paciência oriental não há saída. Desde 1991 venho para estas bandas e nunca, como hoje, a demora foi tão grande. Claro que enquanto aguardávamos o ônibus no hotel do circuito, reservado basicamente às equipes, aproveitamos para jantar. E bem. O Japão está mais barato. Depois voltarei ao tema.
Não é difícil compreender esses problemas que acabam por afetar a todos. Há a perspectiva de quebra de recorde de público amanhã, dia da corrida. Jamais vi tanta, mas tanta gente. Na saída do autódromo, faz parte da gostosa tradição desta prova os fãs dos pilotos aguardarem que saiam. A maioria não pára para atendê-los, provavelmente seria até perigoso, diante do número de fãs e sua eloquência pela Fórmula 1. Jenson Button foi a exceção. Como sempre é sensível a essas questões. Eu o admiro.
Mas quem gosta de tudo o que cerca a competição, como eu, acompanhar de perto essa devoção ao ídolo é emocionante. Suas demonstrações de apreço, amor diria, contrapõem-se à postura sempre discreta dos japoneses. Os dias de Fórmula 1 em Suzuka parecem ser de libertação também. Geram reações extremas de desprendimento, ausência daquilo que penso acompanha esse povo de características tão peculiares: autopoliciamento.
Milhares se acumulam nos pontos de afunilamento para entrada ou saída da pista. Eles têm bandeirinhas das nações de seus ídolos, usam camisa e boné de suas equipes, trazem consigo uma pastinha, toda trabalhada com fotos, recortes de revistas e um campo livre onde o piloto deve inserir seu autógrafo. Já vi piloto atentar para essas pastinhas e emocionar-se com o que foi feito apenas para receber seu autógrafo. Heinz-Harald Frentzen, por exemplo.
Os policiais, sempre com muito civismo, têm dificuldades para disciplicar os fãs quando surge Kimi Raikkonen, por citar. Aliás, ele e Jenson Button são os que mais reúnem torcedoras no Japão, tamanho o número de bandeiras da Finlândia e Inglaterra observadas em todo lado. A corrida de Suzuka este ano tem muitos apelos, como a possibilidade de definir o campeão do mundo, última apresentação de Michael Schumacher para os japoneses, estréia no Japão da escuderia totalmente japonesa, Super Aguri, além de ser, ao menos por enquanto, a última edição do GP do Japão no autódromo da Honda. O evento irá, a partir de 2007, para o circuito de Fuji, de propriedade da Toyota.
Há gente do Japão todo em Suzuka. O número de carros na cidade mais que duplicou, segundo residentes na região, que tem elevado número de brasileiros de origem japonesa trabalhando nas indústrias automobilísticas e de autopeças, basicamente. Infelizmente nem todos têm os mais elevados propósitos. Em conversa com alguns deles, ficamos sabendo do envolvimento de certos cidadãos em crimes de roubo. A loja de conveniência AM PM localizada na praça da estação de Yokkaichi tem um placa com os dizeres, em português: “Esta loja, polícia está rondando.” Não é lá o melhor uso do idioma, mas não deixa de ser reveladora da existência de antecedentes com alguns maus exemplos de brasileiros no exterior.
Ah, me lembrei de dizer a mim mesmo para não esquecer de uma passagem experimentada ainda há pouco. Esperar o microônibus para ir do paddock ao hotel do circuito não é “privilégio” da imprensa. Estavam lá também Keke Rosberg, seu filho, Nico, piloto da Williams, e o divertido Nigel Wilhomen, relações públicas da Philip Morris e showman. Isso mesmo, no evento da Ferrari em Madonna di Campiglio, em janeiro, Nigel sobe no palco na última noite e dá um show de canto e dança. É uma figura querida na Fórmula 1.
Mas voltando. Conversávamos, eu e essas pessoas. Disse a Keke que me recordava de uma passagem no GP do Brasil de 1980. Keke era o companheiro de Emerson Fittipaldi no time brasileiro, que viveu naquele ano sua temporada mais bem estruturada, já que havia adquirido a equipe Wolf. “O Emerson me chamou para uma reunião na segunda-feira de manhã em seguida à corrida de Interlagos. Achei que seria dispensado”, me contou Keke. Nico, seu filho, não sabia da história, e riu.
Na prova, Keke ultrapassou Emerson, diante da sua torcida, na pista onde foi formado, Interlagos, o que acabou por desagradar demasiadamente o então bicampeão do mundo. “Não fosse o Wilson Fittipaldi eu teria perdido o emprego na segunda corrida do ano. E na abertura do Mundial, na Argentina, etapa anterior, eu consegui o terceiro lugar. A diretoria do time estava toda lá no encontro. Foi o Wilson que se impôs publicamente ao Emerson para evitar a minha dispensa”, me contou o Keke. O Nico, que disputou bela classificação, hoje, uma das suas melhores – não é o seu forte -, só ouvia, espantado. Finalmente o microônibus chegou.
Mas antes de falar da minha semana aqui no Japão, gostaria de atravessar o Mar do Japão e da China para sobrevoar Xangai novamente. Um aspecto da cultura local me chamou a atenção desde a primeira vez que fui à China, há 24 anos, como turista, e confirmada nas duas oportunidades em que lá estive depois, como esta, agora, do GP em Xangai. Com tanta gente como há no país, para onde você olha há sempre muitos cidadãos. As ruas de Xangai são tomadas de motocicletas, ciclomotores e bicicletas. Muitas mesmo.
Eles se tocam, por exemplo, na abertura dos semáforos. O que me impressiona é que não se observa aquele canibalismo que poderíamos esperar em sociedades ultracompetitivas como a chinesa. Ao contrário, percebe-se até uma certa solidariedade entre seus indivíduos. As motos se tocam de leve, por estarem lado a lado, centenas, em geral não há consequência por encontrarem-se em baixíssima velocidade, e em seguida cada um vai para o seu lado, sem ressentimentos, aparentes ao menos.
Uma das coisas que mais me desgasta em São Paulo é exatamente essa ausência de solidariedade. Se você está numa faixa de trânsito e necessita mudar, não adianta sinalizar com o pisca, colocar a mão para fora, terá dificuldades. Isso para não falar na milícia dos motoboys que se te encontrarem pela frente trocando de faixa você corre sérios riscos. Como já vi acontencer.
Aqui no Japão é, da mesma forma, bastante respeitosa essa relação mútua entre seus indivíduos. Com o agravante de o nível médio da sociedade ser bem elevado. Mais pessoas estão melhor preparadas para exercer funções importantes. E também não há animosidade aparente entre seus cidadãos, apesar de, em essência, disputarem o mesmo espaço na sociedade. Sinto em São Paulo, ao menos, maior agressividade no trânsito, sensação que não me domina aqui. Claro que não é lei, por vezes nos deparamos em minha cidade com gestos de tamanha grandeza que nos toca a alma, mas me desgasto, nesse sentido, mais no Brasil, assim como meus amigos que vivem mais fora do país como eu.
Ainda sobre a China, voltar do circuito de Xangai para o hotel no centro da cidade foi uma epopéia para um grupo de jornalistas no qual me encontrava. Não posso deixar de falar do que o Michael Schumacher fez na corrida. Senhores, por mais que em algumas ocasiões esse alemão tenha jogado pela janela tanto de notável que fez, por não ser o melhor exemplo de bom perdedor, não há como não enaltecer em extremos seu espetáculo-solo no GP da China. Quem gosta desse negócio corrida de carro deve, necessariamente, deixar de lado pré-julgamentos sobre Schumacher e vê-lo apenas como piloto lá em Xangai. Se a pessoa tiver a mais mínima noção dos desafios que representa desenvolver um trabalho como o realizado por ele ao longo das 53 voltas da competição não terá como não dizer “Parabéns, homem, hoje você me encantou.” Essa mesma pessoa pode até, depois, resgatar seus princípios e dizer: “Pronto, volta a ser o vigarista que é.”
Como eu contesto os que pensam assim. Longe de deixar de reconhecer, por favor, seu antiesportismo de várias ocasiões na Fórmula 1. Mas quem costuma contrapô-lo a outros pilotos utilizados como exemplos de conduta não leva em conta o histórico desses mesmos pilotos. Todos, da mesma forma, envolvidos em incidentes da mesma natureza antiesportiva e condenável. Mas esse é outro discurso.
Voltando. E resumindo: não havia como regressar do autódromo para Xangai. O pessoal da organização tentou chamar táxis, nos levaram a um ponto distante da pista, onde supostamente havia táxi, e nada. Regressamos ao circuito quando, por fim, à 1h30 surgiram os táxis. O problema é que vários jornalistas estavam com passagem reservada para aquele mesmo novo dia já, segunda-feira, de manhã. O tempo disponível foi suficiente apenas para chegarmos no hotel, tomar uma ducha, comer umas bolachinhas existentes no quarto, preparar a bagagem e, sem dormir, nos deslocarmos para o aeroporto. No vôo de Xangai para Nagoya, pouco menos de 3 horas, não teve um da turma que tomou café da manhã no avião. Todos roncavam literalmente.
Pousamos em Nagoya. Que diferença em relação à China, não? São contextos históricos, culturais e econômicos distintos, não dá para comparar, mas tem-se a impressão de entrar no paraíso. Tudo é exemplarmente limpo, disciplinado, organizado. E o melhor, agora: não custa irrealmente caro mais viajar por esse interessantíssimo país. Troquei por bom tempo praticamente 1 dolar por 100 ienes. Você trocava mil dólares e tinha a impressão de ter trocado apenas 100, tal a velocidade com que o dinheiro acabava.
Agora começa pelo fato de eu trazer euros. E 1 euro equivale a 147 ienes. Além, portanto, de os próprios valores em si no Japão, em iene, não terem subido nada nos últimos três anos, você trazer uma moeda, o euro, que a cada 1000 recebe de volta 150 mil ienes é bem diferente de antes. Dá para comer bem e gastar apenas 40 euros, o que não é diferente do que gasto na Europa. Antes era comum entre nós jornalistas rirmos ao citar o quanto gastamos para comer uma prato qualquer. No restaurante aqui do hotel do circuito, nunca gastei menos de 70 dólares, para comer como um pintinho. As porções são modestas. Ontem, enquanto aguardava o ônibus para ir a Yokkaichi, jantamos e o custo foi 5 mil ienes, ou 35 euros mais ou menos. Tá certo que as porções continuam sendo para codornas e o jeito é reforçar com um belo sorvete, bem feitos aqui.
O que comi? Estava um pouco cansado do cardápio oriental e enveredei por um risoto de funghi (cogumelos) e peixe espada grelhado com batatas. Comeria outra porção igual àquela, fácil, o que equivaleria a uma porção da Europa, na Itália, ao menos. A França não entra nesse grupo. Desconfio haver uma aliança secreta entre franceses e japoneses para tentar influenciar o mundo a comer porções equivalentes às das andorinhas. Proponho um contra-movimento: em passeatas poderíamos, por exemplo, caminhar com pires de pequenas xícaras na mão, como quem diz: “O que desejam nos oferecer caberia aqui, nesse pires, senhores. Juntem-se a nós e venha defender seu direito de comer como um hipopótamo.” Não, hipopótamo não. Seria o reverso da história e perderíamos toda a razão. Ajude-me a pensar em algo compatível com o que pretendo dizer, por favor. Combinado?
Obviamente dormi com o laptop apoiado sobre as pernas enquanto escrevia. Retomei o texto na sala de imprensa neste domingo de manhã. A parede frontal desta sala é de vidro, imensa. Temos a visão da reta dos boxes, dos próprios boxes sob nós, e das arquibancadas que se estendem ao longo da reta. Há faixas para todos os lados. Vou ler algumas para vocês, da esquerda para a direita, em não de cima para baixo e da direita para a esquerda, como fazem aqui no Japão. Também não domino o katakaná, hiraganá e kanji, formas de escrita utilizadas no país. Deixe-me ver…essas aqui: “Go, go Takuma”, “Thank you Suzuka”, Michael forever”, “Danke Michael”.
O céu está azul mas venta muito forte mesmo. Sopra do Norte. Aqui da parte mais alta do circuito observo o Sul e vejo o mar, distante cerca de 4 quilômetros, na direção de Shiroko. Uma vez fui conhecer a praia deles. Quase não há. Poucos a utilizam. No horizonte Norte há uma formação densa de nuvens. Como o vento sopra no sentido Norte-Sul, penso ser bem possível termos a corrida disputada com o céu encoberto. Tomara que não chova.
A chegada ao circuito, hoje, foi no melhor estilo Suzuka. Pontualmente às 8h40 o ônibus estava na praça da estação de trem de Yokkaichi. Cerca de 40 jornalistas o esperavam. A maior parte embarcou nos que saíram mais cedo. Pelas dificuldades de regressar que lhes contei optei por esse das 8h40. Estava cansado, pô! Eu e o grupo todo que perdeu 4 horas para sair do autódromo ontem.
Em uma hora e 15 minutos estávamos no hotel do circuito. Maravilha. Agora, sempre que no GP do Japão você pensar que seus problemas estão minimizados tenha a certeza de que se enganará. Como foi o caso. Depois de esperarmos por cerca de 15 minutos o miniônibus para nos levar ao paddock, uma japonezinha saiu correndo de dentro do lobby do hotel, com luvinhas brancas, para dizer: “Prease, prease, no suttle, no suttle”, enquanto abaixava a cabeça em sinal de respeito.
Não adiantou nada lhe perguntarmos sobre o porquê de os microônibus não estarem funcionando. Não conheço nação no mundo, e olha que a Fórmula 1 já me deu a oportunidade de viajar muito, onde as dificuldades de comunicação são tão grandes quanto no Japão. Você não se fazer entender em questões básicas te desgasta bastante. Vou dar um exemplo: acreditar que você pode ligar do quarto do hotel para a recepção a fim de pedir para te acordar determinado horário é imaginar que de um instante para o outro se desenvolverá na classe política brasileira o espírito nacionalista em substituição ao individualista.
Não adianta. Não imagine, também, que você irá, vamos dizer, para o Information Desk da imensa estação central de trem de Nagoya e as atendentes irão lhe compreender. Ou ainda que você poderá manter uma conversa com um motorista de táxi. Nunca. Se ele entender onde você deseja ir, agradeça aos céus. Não estou exagerando, é a mais pura realidade. E não adianta fazer mímica porque da mesma forma você não se fará compreender.
Lembro-me de uma ocasião eu ter de colocar o quimono que todo hotel lhe oferece, bem como os chinelinhos típicos, uns quatro números menor que o seu, encontrar uma folha de papel nas minhas coisas e descer para a recepção do hotel. Foi em Tsu, se não me engano. Desenhei um relógio em que o ponteiro maior indicava as 12 horas e o menor, 7. Em outras palavras, necessitava acordar às 7 horas.
Para completar a minha representação fechei os olhos e reproduzi o barulho de um despertador…triiiimmmm….triiiimmmm…. Em seguida, abri os olhos, devagar, remexi os cabelos, simulei bocejar enquanto esticava os braços para os lados. Did you understand? A menina ria, como sempre fazem para tudo, e eu fui dormir acreditando que ela, depois daquela interpretação que Paulo Autran aplaudiria, tivesse me compreendido.
Hã, hã. Hipóteses para não me acordarem: eu não tenho os dotes do ator, muito provável. Dois: a menina tinha alguma deficiência de entendimento, também bastante possível. Três: esqueceu, simplesmente. Acho difícil. Quatro: foi uma represália a eu não ter amarrado direito o laço do quimono e, lá na hora, ter-se aberto. Por sorte não houve maiores consequências. Não, não o fato de o quimono abrir. Rapidamente me redimi. Refiro-me a acordar um pouco mais tarde. Apenas recorri a um horário mais tarde do trem para Shiroko.
No caso de Suzuka, hoje, o jeito era caminhar até o paddock. Até aí tudo bem. Amo caminhar. O faço muito fora dos dias de GP. A questão era cruzar a multidão que se aglomerava para entrar no circuito. Só hoje são 161 mil torcedores. Os outros jornalistas, não sei se por inexperiência ou não ter alternativa, encararam a coisa sem nenhuma reação contrária. Mas foi só chegar no parque, o mesmo em que na TV aparece aquela imensa roda gigante, para todos se entreolharem. Imagine uma área com cerca de 150 metros de comprimento por 50 de largura e não ver um único metro quadrado livre. Tudo tomado por milhares de cidadãos. Como nós, procuravam entrar no autódromo, ter acesso às arquibancadas.
A diferença é que tínhamos credencial em vez do ingresso. Com bom humor, porque se for diferente você fica louco, encaramos o desafio. Não há empurrões ou quem queira se privilegiar de algo. Lentamente, na velocidade de suas reações, aquela massa imensa se desloca, centímetro por centímetro, à frente. Fobias a multidões implicaria profundo desconforto interior e risco de manifestações de pavor extremadas. Não foi o caso no nosso grupo. Demorou menos do esperado. Em 20 minutos atingimos o controle da entrada para, logo em seguida, agora nos deslocando a 200 centímetros por minuto, em vez de 100, deslumbramos a escada que nos levaria, abaixo, até a pista. Nós a atravessaríamos, se o portão estivesse aberto, ou iríamos por um túnel, abaixo dela, para, finalmente, ter a visão mais esperada da manhã: o paddock, onde se encontra a sala de imprensa.
A pista estava fechada e no túnel ainda nos cumprimentávamos por praticamente termos vencido a dura batalha. Mas no Japão jamais celebre nada antes de todas as garantias de ter, de fato, atingido o local desejado. Por isso, saímos do túnel de forma lenta, desconfiados de nossas dificuldades pela frente. Não foi o caso. Mais dois minutos e atingimos nosso orbital, a sala de imprensa. Ufa! A que horas? Hummmm…10h45 creio. Para quem deixou o hotel às 8h15, nada mal, hein?
Vou, agora, procurar comer algo. Faltam 10 minutos para o meio dia. O almoço na Ferrari está para começar. A seguir, ouvir minhas fontes sobre as informações de última hora, tipo o pneu usado por esse e aquele concorrente, perspectivas de estratégia adotada, eventuais problemas no carro de algum piloto, as definições das reuniões sobre regulamentos, como é o caso aqui em Suzuka. Tenho de estar de volta à sala de imprensa ao meio dia e 45. Isso porque a transmissão das rádios Globo e CBN, na qual participo com repórter, inicia-se às 13 horas. Sempre meu horário. Preparo a mesa para a transmissão com o equipamento e minha cola. Quando o Oscar Ulisses, o locutor, me pergunta algo, números, por exemplo, os tenho prontos. Nada combinado, mas é bom estar com essas informações disponíveis.
Boa corrida para nós. Quando chegar em São Paulo, depois de longa viagem via Frankfurt, nos encontraremos de novo neste espaço. Um forte abraço a todos. Gostaria de dizer que depois de bom tempo fora de casa, em nações de cultura tão distinta da brasileira e italiana, conversar com quem se interessa em ler essas nossas brincadeiras faz muito bem.
Obrigado!