Pilotos reagem ao Mundial com 20 etapas

liviooricchio

11 Maio 2007 | 15h45

11/V/07
GP da Espanha
Livio Oricchio, de Barcelona

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O GP da Espanha começou com festa: o esportista que conquistou o coração dos espanhóis, o bicampeão do mundo e líder do campeonato, Fernando Alonso, da McLaren, estabeleceu o melhor tempo, ontem, no primeiro dia de treinos livres na quarta etapa do campeonato. Nada menos de 67 mil pessoas coloriram de azul e amarelo, as cores da região de Alonso, Astúrias, as arquibancadas do Circuito da Catalunha, próximo a Barcelona.

Mas a notícia que repercutiu com maior intensidade no autódromo, ontem, foi a confirmação de mais uma etapa no Mundial, já em 2008: o GP de Cingapura. Quinta-feira havia sido a prova em Valência.

“Não me preocupa o tempo do Alonso”, disse, seco, Felipe Massa, da Ferrari, 5º tempo no cruzamento dos resultados da sessão livre da manhã com a da tarde. “Trabalhamos o carro para a corrida e não a classificação”, explicou. O treino que definirá o grid, hoje, começa às 9 horas (hora de Brasília).

Nos testes da semana passada, na mesma pista, a Ferrari mostrou-se mais veloz que a McLaren. Alonso analisou a disputa: “Naqueles dias eles foram cerca de 8 décimos de segundo mais rápidos e hoje nós fomos 8 décimos melhores. Na realidade, penso que nenhum dos dois resultados são reais. Não sei o que irá acontecer aqui.” Massa disse saber: “Pelo que vi nos testes e hoje, acredito numa pequena vantagem da nossa equipe.”

O Mundial deste ano tem 17 etapas. Quinta-feira o presidente da Província Autônoma de Valência, Francisco Camps, e Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, oficializaram a entrada da cidade no calendário no campeonato do ano que vem.

E ontem o ministro do Comércio e Indústria de Cingapura, Mr. Iswaran, reuniu a imprensa para confirmar que, também em 2008, a cidade-estado fará parte do Mundial. Como em Valência, a corrida percorrerá as ruas da cidade. Mais: no caso de Cingapura, no período noturno. Os pilotos reagiram às importantes novidades no campeonato.

“Nos levam para lá e para cá sem nos consultar. Temos menos força do que parece”, disse ninguém menos de Alonso. “Está na moda, agora, circuitos de rua. A GPDA (associação dos pilotos) irá aguardar os projetos para ver se a segurança será mesmo a devida.” O espanhol comentou, ainda, a provável expansão do calendário para 20 etapas. “Eu prefiro menos corridas. Em 2005 disputamos quatro só em julho, é estressante, uma loucura. Para mim, 17 ou 18 são números idôneos.”

Visão oposta tem Kimi Raikkonen, da Ferrari, outro líder do Mundial, empatado com Alonso e seu companheiro, Lewis Hamilton, todos com 23 pontos. Kimi foi sexto e Hamilton, terceiro, ontem. “O problema maior de se estender a temporada é para a equipe, não para nós (pilotos). Eu irei me divertir, vou a lugares diferentes, novos.”

Com a entrada de Valência e Cingapura e o cancelamento do GP da França, a temporada de 2008 terá 18 provas. Para 2009 já está certa a corrida de Abu Dhabi, um dos Emirados Árabes, e a possível volta do GP da França, em outra pista de rua, na área próxima à Euro Disney, como deseja Ecclestone. Assim, o campeonato com 20 etapas, sonhado por Ecclestone e o presidente da FIA, Max Mosley, será atingido.

Mas há um problema: já é oficial, também, que a Coréia do Sul participará da festa a partir de 2010. Assim, alguém terá de cair fora. “Serão menos corridas na Europa”, afirmou ontem Ecclestone, ao mesmo tempo que endossava o anúncio do ministro de Cingapura. “Há ainda a Índia, onde deveremos ter prova talvez em 2010”, lembrou o dirigente.

Peter Sauber, da BMW Sauber, expressou-se a respeito: “Até lá o senhor Ecclestone estará mais velho (tem hoje 77 anos) e será difícil para ele acompanhar o campeonato. Por isso difícil mesmo será para nós. Há complicações logísticas e da superexposição de mecânicos, técnicos ao trabalho.” Ron Dennis, da McLaren, pensa de forma semelhante.

Gerhard Berger, sócio da Toro Rosso, não se omitiu: “Vamos, como não, mas temos de receber mais por disputarmos 2 ou 3 etapas a mais.” Já Flavio Briatore, da Renault, defende menos testes para compensar o aumento do número de corridas.

E Jo Ramirez, ex-coordenador da McLaren, com experiência na Fórmula 1 desde os anos 60, deu o que para ele é a solução: “Por que programar as provas apenas de março a outubro? Eu já corri no Brasil, na Argentina, África do Sul em janeiro, fevereiro. Se Bernie estender o período do calendário quase todos os problemas se resolvem.”
FIM