Por essa nem Alonso esperava!

liviooricchio

08 Outubro 2006 | 10h56

Pouco antes de Fernando Alonso quebrar o protocolo, pular a grade divisória para comemorar a vitória no GP do Japão com sua equipe, a Renault, ontem, demonstrando euforia jamais vista, logo em seguida a deixar o carro e antes ainda da cerimônia do pódio, Michael Schumacher percorreu resignado os boxes da Ferrari para cumprimentar um a um os cerca de 80 integrantes que compõem seu time nas corridas.
Alonso e Schumacher viveram emoções opostas em Suzuka, diante de um público excepcional. Enquanto o espanhol praticamente assegurou o bicampeonato, o alemão viu quase desaparecer seu sonho de abandonar a Fórmula 1, dia 22 no GP do Brasil, com o oitavo título mundial. E, ironicamente, por uma falha no que sempre usou, com razão, como bandeira: a confiabilidade da Ferrari. Na 37.ª volta de um total de 53, quando liderava, o motor quebrou, o que não acontecia, em corrida, desde o GP da França de 2000.
“Depois da nossa falta de sorte na Hungria, Monza e China esses 10 pontos são um presente de Deus”, afirmou Alonso, entusiasmado, festivo, sorridente. “Estou muito surpreso com a vitória. Assumi elevados riscos para ultrapassar Jarno Trulli e Ralf Schumacher (pilotos da Toyota) e posicionar-me em terceiro, no começo, atrás de Michael Schumacher e Felipe Massa, porque só assim teria alguma chance de um bom resultado”, falou. “A essa altura, disse a mim mesmo também que seria o máximo que daria para fazer”, contou o espanhol.
Mas na série dos primeiros pit stops o extraordinário Alonso ainda contou com um furo no pneu traseiro direito de Massa, obrigado a antecipar a parada, e alcançou o segundo lugar. “Errei primeiro em achar que a Ferrari seria muito mais veloz que nós, que os pneus Bridgestone seriam bem superiores ao da Michelin, e errei por acreditar que nosso ritmo de corrida não seria tão bom”, explicou. “Depois da primeira parada, eu podia manter-me cerca de 5 segundos atrás de Schumacher, sem dificuldade, uma surpresa, achei que dava até para vencer, por que não?”
Na 35.ª volta, Alonso fez seu segundo pit stop. Schumacher, na passagem seguinte. O alemão voltou à pista mantendo praticamente os mesmos 5 segundos de vantagem. E foi assim através das curvas 1, 2…até chegar na 8. De repente, sem nenhum sinal prévio, Schumacher perdeu velocidade ao mesmo tempo em que uma fumaça branca saía da parte traseira da Ferrari. “Brequei”, contou Alonso. “Foi minha primeira reação. Achei que era um carro da Spyker, estava preocupado em olhar para o asfalto à procura de manchas de óleo”, dizia Alonso, esboçando um sorriso. Estava, de novo, profundamente enganado.
“Foi só quando passei ao seu lado que compreendi que era a Ferrari de Michael. Pensei, é a minha chance. Depois, me veio à mente, é tão raro a Ferrari apresentar algum problema.” Os dois pilotos dispunham do mesmo motor da etapa de Xangai, como manda o regulamento. Cada motor deve disputar duas etapas seguidas. Numa prova de que Massa não representava perigo a sua fundamental vitória, já que estava 9 segundos atrás, Alonso reduziu o limite de rotações do motor a fim de protegê-lo. “Aí ficou fácil, foi só conduzir concentrado até a bandeirada.” Massa acabou em segundo e o companheiro de Alonso, o italiano Giancarlo Fisichella, em terceiro.
O título, no entanto, não está garantido, segundo o espanhol. “Na China, nós tínhamos tudo para vencer, largamos com grande favoritismo, eu estava bem à frente na prova e não ganhamos. Hoje, aqui, a Ferrari deveria ser muito mais veloz que todos e eu obter, com sorte, o terceiro lugar”, lembrou o aturiano de 25 anos. “Mas o que aconteceu? Tanto lá em Xangai como aqui em Suzuka os resultados foram opostos aos esperados. Portanto, vou disputar uma corrida evitando maiores riscos em Interlagos.”
Para ser campeão na etapa de encerramento da temporada, basta ao piloto da Renault obter um ponto com a oitava colocação, independentemente do que fizer Schumacher. Alonso soma 126 pontos diante de 116 do alemão da Ferrari. Estão empatados, porém, em número de vitórias, 7 a 7. Se conseguir um ponto em Interlagos, Alonso chega a 127. Schumacher, caso ganhe o GP do Brasil, atinge no máximo 126 (116 + 10). O piloto da Ferrari só conquista o título se vencer e Alonso não marcar pontos. Os dois empatariam em pontos, 126, mas nessa hipótese Schumacher seria campeão pelo primeiro critério de desempate: número de vitórias, 8 a 7.