Prost de volta à Fórmula 1? Difícil.

liviooricchio

30 Outubro 2006 | 17h25

Está nos principais sites de automobilismo, hoje: Alain Prost estuda retornar à Fórmula 1 como líder do projeto da Nissan de ter equipe própria. A notícia vai contra tudo o que se sabe na Fórmula 1. A Nissan é uma montadora do grupo da Renault. E o presidente da montadora francesa, o brasileiro Carlos Ghosn, relutou em continuar investindo na competição ao assumi-la, há pouco mais de um ano.

Foi essa hesitação que levou Fernando Alonso abrir negociações com a McLaren-Mercedes. Flavio Briatore, sexta-feira do GP do Brasil, comentou informalmente com um grupo de jornalistas, no qual me encontrava, que Alonso só deixou a equipe porque não tinha garantias de a Renault permenecer na Fórmula 1 depois do fim da próxima temporada. “Posso garantir que não foi dinheiro”, afirmou Briatore.

Carlos Ghosn ganhou projeção internacional quando recuperou por completo uma montadora que acumulava prejuízos, a Nissan. Foi seu trabalho memorável na empresa japonesa que o levou à presidência da Renault, dona da marca Nissan. Agora, Ghosn não esconde que a empresa que administra continuará investindo US$ 200 milhões por ano na Fórmula 1- o restante do orçamento de cerca de US$ 290 milhões vem dos patrocinadores – enquanto estiver vencendo.

Imaginar que outra montadora do grupo enverede pelo mesmo caminho parece não fazer sentido. Até em razão do condicionamento imposto pelo seu big boss: ganha fica, perde, sai.


Outro aspecto é a imagem que Alain Prost deixou na competição. Como piloto, irretocável. Diria brihante! Mas como dirigente é a pior possível. Ouvi Ron Dennis, há uns três anos, abordar essa questão. Não entrou em detalhes. Disse, no entanto, não compreender várias decisões de Prost como responsável pela Prost Grand Prix. A sua imagem na França também desgastou-se bastante. Nem tanto pelo insucesso do seu projeto, mas pelas críticas públicas a sua parceira, a Peugeot.

Havia um engenheiro na montadora francesa que acabou por ser tornar meu amigo. Contava-me coisas de assustar. Prost colocava toca a culpa pelo carro ser lento, desequilibrado, pouco confiável, na ineficiência do motor. Não assumiu em nenhum momento as fraquezas de seu departamento técnico, nas mãos de um engenheiro, Louic Bigois, que nem na sua especialidade, aerodinâmica, mostrou-se capaz. O que dirá pela concepção do carro como um todo.

A Williams o dispensou este ano também, onde era o responsável pela área de aerodinâmica. Os resultados da Williams falam po si sós. Prost insistiu com Bigois. O ex-piloto procurou a Renault quando a Peugeot lhe deu um basta. Ouviu um redondo “Não” da marca que defendeu em 1981, 1982 e 1983 e tornou-se campeão, em 1993, quando Williams e Renault eram parceiras.

Resumindo: seria uma grande surpresa a Nissan investir na Fórmula 1 e maior ainda se Prost for escolhido como líder do projeto.