Quem manda em Nelsinho, agora, é Flavio Briatore

liviooricchio

08 Setembro 2006 | 16h03

Nelsinho Piquet representa sangue brasileiro novo na Fórmula 1. Quarta-feira a Renault o anunciou como piloto de testes, em 2007, e como Flavio Briatore, diretor-geral, lhe disse, “visando aproveitá-lo como titular em 2008.” Hoje ele estabeleceu a pole position da penúltima etapa da GP2, em Monza, com largada amanhã às 11 horas, horário de Brasília. Pode, amanhã, na corrida final, ser campeão. Ontem Nelsinho comentou sobre o que planeja para 2007 na Renault: “Aprender todo o possível, provar que posso ser companheiro de Heikki Kovalainen em 2008.”
Flavio Briatore é, agora, o empresário de Nelsinho. “Assinamos um contrato de longo prazo. Tive de ceder em alguns aspectos, mas também receberei da equipe bastante em troca.” O fato de Briatore o desejar como substituto de Giancarlo Fisichella, em 2008, é uma garantia, diz: “Vão ter de me escalar para muitos testes, a fim de que eu aprenda realmente.” Será mais fácil para a geração de novos pilotos entrar na Fórmula 1 a partir do fim do próximo campeonato, explica o filho de Nelson Piquet: “Vários pilotos vão deixar a competição, como o próprio Giancarlo Fisichella, David Coulthard, Rubens Barrichello. As equipes estão vendo a validade de investir em jovens. Há cinco anos um jovem titular não existia.”
Nega que tenha chegado à Fórmula 1 porque seu pai foi três vezes campeão do mundo. “Se ele fosse apenas o proprietário da Autrotrac (sua empresa), sem ligação com o automobilismo, eu também já seria piloto de Fórmula 1. Vou estar no Mundial porque provei ser um piloto capaz, não por ser filho do meu pai.” Tem consciência de que a torcida vai querer dele os mesmos resultados conquistados por Nelson: “Acho, também, que as pessoas sabem que a Fórmula 1 é diferente. Era um pouco mais fácil vencer estando num time médio, mas ao mesmo tempo hoje é mais fácil ganhar numa equipe de ponta, os carros não quebram como antigamente.”
Heikki Kovalainen, finlandês, será o substituto de Fernando Alonso, o campeão do mundo, na Renault. Nunca disputou um GP. “É difícil, de cara, ele andar bem. O Heikki será minha referência. Se for bem, vão esperar que eu o imite e se comprovar o talento que tem, será um osso duro para mim.” Nelsinho fará os primeiros testes com sua nova escuderia em novembro.
Ainda que a Renault deva perder parte importante de sua força com a saída de Fernando Alonso, ano que vem, a oportunidade para Nelsinho é única. Deu certo com o próprio Alonso, que permaneceu lá, fazendo o que Nelsinho fará, para então estrear, já com alguma experiência, e mostrar-se o piloto excepcional que é.
Se existe algo em que Briatore é muito competente é na organização do grupo. Nelsinho irá dispor de todos os recursos para compreender o que é pilotar para uma equipe campeã. Sem pressão, ao menos excessiva, por não estar competindo. O staff técnico da Renault vai permanecer onde está, o que é uma ótima notícia para Nelsinho. Mesmo que os resultados na pista tendam a não ser os mesmos dos dois últimos anos para a Renault, o curso de aprendizado de seu piloto de testes não será afetado. Pretendo estar nos seus primeiros testes com a Renault, como fiz com Felipe Massa, na sua primeira experiência na Fórmula 1, com Sauber, no fim de 2001, em Mugello.