Raikkonen larga como favorito em 2007

liviooricchio

19 Setembro 2006 | 18h01

Estou certo de que teremos uma temporada, em 2007, bastante distinta da deste ano e até das últimas edições do campeonato. Nem tanto pela ausência de Michael Schumacher, por si só um fator capaz de alterar substancialmente a disputa, mas em especial pela reestruturação das duas equipes que hoje protagonizam o Mundial: Renault e Ferrari.
Já escrevi isso antes. A Renault irá experimentar um período de transição com a perda do extraordinário Fernando Alonso. Ele faz a diferença. E Heikki Kovalainen ninguém sabe, ainda, do que é capaz. Uma coisa é ser rápido e constante, errar pouco, como tem sido este ano, nos testes. Outra é dividir as freadas e lutar entre os primeiros colocados, num GP. Acompanhei a temporada desse simpático finlandês na GP2 ano passado e me deixou ótima impressão, mas pilotar um modelo de Fórmula 1, desenvolvê-lo, e administrar todas as tensões da Fórmula 1 requer bem mais desses profissionais. De Giancarlo Fisichella não dá para esperar muito. Será, de novo, coadjuvante do espetáculo.
Já a Ferrari, apesar da perda do melhor piloto da competição, tende a perder menos. Kimi Raikkonen e Felipe Massa formam uma dupla bem mais forte que Kovalainen e Fisichella. Massa alterna, ainda, performances excepcionais, como a da Turquia, circuito dos mais difíceis do calendário, com outras menos empolgantes, a exemplo das provas de Budapeste e Monza, mas está em ascensão. Estará no seu segundo ano num time de ponta, o que faz bastante diferença, e fará de tudo para superar Raikkonen. Não haverá na Ferrari a hierarquia existente hoje. Não que Massa não tenha vencido Schumacher por causa disso, mas começar uma disputa onde as regras do jogo com relação ao companheiro são clara – não ouse nada contra seu interesse – é desestimulante. Massa dará de si contra Raikkonen o que não deu contra Schumacher.
Raikkonen está, para mim, quase no mesmo nível de Alonso. Em velocidade os dois se equivalem. Penso até que o finlandês tenha uns milésimos de segundo a mais no quesito velocidade, ganha a disputa. Na capacidade de tirar tudo o que o carro oferece, contudo, obter o máximo de pontos possíveis para determinadas condições da corrida, e índice de equívocos, Alonso impressiona como poucos na história da Fórmula 1, notadamente para quem acabou de fazer 25 anos de idade.
Em outras palavras, Alonso me parece mais completo que Raikkonen. De qualquer forma, estamos falando dos dois profissionais mais espetaculares que surgiram na Fórmula 1 depois de Schumacher, em 1991. Eu adoraria ter Raikkonen na minha escuderia. E ele está na Ferrari, o que é uma garantia de resultado para os italianos. Garantia que seu compatriota, Kovalainen, ainda não dá à Renault e muito menos Fisichella. A Ferrari, diante do exposto, ganhou com a saída de Alonso da Renault. Mais do que a Renault com a perda de Schumacher pela Ferrari. Dá para imaginar que Raikkonen e Massa terão, em princípio, um adversário a menos em 2007: a dupla da Renault.
Não me passa pela cabeça que a Ferrari pode não ser competitiva em 2007? Passa, mas apenas por conta dos anos de experiência que tenho e a necessidade de ser prudente. O fato de a equipe de Maranello utilizar pneus Bridgestone e ano que vem todos recorrerem à marca japonesa representa importante vantagem técnica. Já a Renault irá conhecer melhor as características dos pneus Bridgestone nos testes programados para o fim de novembro, quando o carro de 2007 vai estar quase pronto. Tim Densham, o projetista-chefe, poderá, no máximo, rever as suspensões, dar um ou outro toque no projeto, mas não conceberá o novo Renault para os pneus. Apenas o adaptará. Historicamente é menos eficiente que, como fará a Ferrari, projetar seu modelo 2007 para os pneus.
Estamos vendo que a Ferrari virá forte, não? A terceira força este ano é a McLaren. Conseguiu um fator de diferenciação ao contratar Alonso. Como descrevi acima, vejo-o mais capaz de levantar um time que Raikkonen, de obter melhores resultados apesar de não contar com um modelo excepcional, como deve ser o caso da McLaren em 2007. A escuderia da Mercedes também usa pneus Michelin e terá de se adaptar aos Bridgestone, além de ter perdido técnicos importantes, como Adrian Newey e Nikolas Tombasis, a dupla especialista em aerodinânica. Penso ser possível imaginarmos ver Alonso vencendo um ou outro GP, portanto mais do que a McLaren faz hoje. Já disputar o título me parece difícil. Por, como falei, perda de engenheiros capazes e os desafios de competir pela primeira vez com uma marca de pneus contra equipes bem estruturadas, como a Ferrari, e conhecedoras das características dos pneus.
Três times tendem a crescer de performance em 2007: Honda, BMW e Toyota. Nos nossos próximos encontros vamos entrar em detalhes na razões de eu acreditar na sua ascensão. Ficaremos por aqui, hoje. Para resumir: prevejo mais Alonso lutar com Raikkonen e Massa pelas vitórias que eventualmente os pilotos da Renault. E colocaria nessa balança, em algumas etapas, os pilotos dessas escuderias que mencionei agora, Honda, BMW e Toyota. Sempre em eventos esporádicos.
Já sei o que você está pensando: para mim Raikkonen larga na frente na luta pelo título, certo? É isso mesmo. Por conta do que está ocorrendo hoje na Fórmula 1, eu apostaria nesse instante mais fichas em Raikkonen do que em qualquer outro piloto.
Abraços!