Renault e Ferrari largam na frente em Interlagos

liviooricchio

16 Outubro 2006 | 21h16

Todo o material das equipes de Fórmula 1 estava, hoje em Interlagos, acomodado em grandes caixas, fechadas ainda, em frente a seus boxes. Duas delas, porém, tinham os equipamentos não só fora das embalagens como semimontados dentro dos espaços reservados: Renault e Ferrari, os dois times que irão disputar no fim de semana os títulos de pilotos, com Fernando Alonso e Michael Schumacher, e construtores.
Os integrantes das escuderias são proibidos de falar com a imprensa. Mas ontem podia-se vê-los instalando as complexas centrais de computador, as antenas de rádio para uso da telemetria, encaixe das muitas divisões físicas dos boxes, conexões elétricas, hidráulicas e pneumáticas, dentre outros serviços. Amanhã está prevista a chegada ao País da maioria dos pilotos.
“Assim como aqui no Japão o problema do fuso horário é sério, na viagem a São Paulo essa dificuldade também existe, talvez até pior”, disse Alonso em Suzuka, logo em seguida a vencer a corrida e quase definir o campeonato a seu favor. O fato de a cidade estar 5 horas a menos em relação ao horário de maior parte da Europa é, segundo os profissionais da Fórmula 1, mais desgastante do que quando se está com horas a mais, a exemplo da China e do Japão.
Os trabalhos de preparação do autódromo para o GP do Brasil, 18.ª e última etapa do Mundial, estão em fase final. Cerca de impressionantes 7 mil pessoas, segundo a organização, dedicam-se a atividades como pintura geral, limpeza, instalação de sistemas de comunicações, revisão das redes de água, eletricidade, e carga e descarga. “O ritmo é o mesmo de outros anos. O que mudou foi a pressão, que não param de fazer”, diz Chico Rosa, administrador de Interlagos.
Carlos Montagner é o diretor de prova. Convida parte da imprensa para algumas voltas no circuito. Apesar dos reparos no asfalto em parte do S do Senna, Descida do Lago, Bico do Pato, as ondulações em trechos da pista são intensas. “Os pontos críticos são a freada do S e a Reta Oposta”, diz Montagner que, de modo geral, disse estar satisfeito com as condições do autódromo. “A forte chuva de hoje serviu como bom simulado. As coisas funcionaram bem.”
Ontem os organizadores distribuíram comunicado aos jornalistas onde demonstravam sua preocupação com o estado do asfalto, em razão principalmente do uso de cimento em pó para absorver manchas de óleo nas competições nacionais. “Esse problema existe. A solução é a CBA baixar uma portaria proibindo o seu uso. Já existe produto não cimentício capaz de fazer a mesma função”, diz o dirigente. O cimento impermeabiliza o asfalto”, explica Luis Ernesto Morales, engenheiro-chefe contratado da organização do evento. Quarta-feira o inglês Charlie Whiting, delegado de segurança da Fórmula 1, inspeciona formalmente o circuito.