Renault não quer saber de riscos em Interlagos

liviooricchio

10 Outubro 2006 | 12h52

A Fórmula 1 ainda está traumatizada com a quebra do motor da Ferrari de Michael Schumacher na 37.ª volta do GP do Japão, domingo, e que provavelmente lhe custou o título mundial. Por isso a equipe Renault não quer saber de expor-se a riscos excessivos no GP do Brasil, dia 22, em Interlagos. Seu piloto, Fernando Alonso, necessita de apenas um oitavo lugar para garantir, matematicamente, a conquista do campeonato. “É claro que não vamos nos preocupar em ser um décimo de segundo mais rápidos”, afirmou Denis Chevrier, chefe de engenharia de pista da montadora francesa.
Um dos lances mais dramáticos da Fórmula 1 nos últimos anos deixou seqüelas não só na Ferrari como em seus adversários também. A direção do time francês vai adotar política bem conservadora na corrida de São Paulo. “Não vejo razão para corrermos riscos desnecessários em Interlagos” disse Alonso, logo depois de vencer a prova de Suzuka. Piloto e grupo técnico já avisaram, portanto, que disputar a vitória na etapa de encerramento da temporada não faz parte das suas prioridades, como era o caso até o GP do Japão. A meta é Alonso vencer o Mundial de Pilotos e a Renault o de Construtores.
Denis Chevrier e o diretor da divisão de motores da Renault, Bob White, finalizaram em Viry Chatillon, ao sul de Paris, uma unidade do seu V-8 destinado, basicamente, a concluir as 72 voltas da prova de Interlagos, em detrimento da performance. O regulamento da Fórmula 1 impõe o uso dos motores em dois GPs. Ocorre que Alonso disputou em Suzuka a segunda corrida do seu motor. Isso acabou por favorecê-lo porque permitiu à Renault trabalhar na unidade que se destina apenas à prova de São Paulo.
Nelsinho Piquet, piloto de testes da Renault, irá testar amanhã, em Silverstone, a versão conservadora do motor que Alonso deve utilizar no Brasil. O diretor de engenharia do time francês, Pat Symonds, também não quer saber do clima “já ganhou.” E comentou o fato de Alonso ter, agora, 126 pontos e Schumacher, 116. Para o alemão ser campeão terá de vencer o GP do Brasil e torcer para Alonso não marcar um único ponto. “Você pode achar uma vantagem grande”, disse ao site da revista inglesa Autosport. “Mas é uma vantagem estatística. Num campeonato como este, quem pode dizer algo?”
Mas se a Renault irá encarar a corrida decisiva do Mundial de maneira prudente, a Ferrari será ousada. Ross Brawn, diretor-técnico da escuderia italiana, comentou que seu grupo de engenheiros desenvolveu não uma nova versão de motor para Interlagos, mas uma unidade que explore ao máximo as potencialidades da existente. A exemplo de Alonso, o motor de Schumacher deverá resistir apenas o cerca de 700 quilômetros do fim de semana de Interlagos e não 1.400 se fosse competir em dois GPs. Só a vitória interessa à Ferrari.
“Michael Schumacher irá cumprir o que havia sido programado antes da prova de Suzuka”, afirmou, ontem, sua assessora, Sabine Kehn. No Japão, depois de o alemão abandonar a prova, Sabine colocou em dúvida se Schumacher iria participar dos testes de Jerez de la Frontera, iniciados ontem. Hoje e amanhã será Schumacher quem os conduzirá.
O diário esportivo italiano Gazzetta dello Sport publicou, ontem, que depois do treino, amanhã, haverá uma festa, na Espanha mesmo, para celebrar o fim das atividades de Schumacher com a equipe de testes da Ferrari. Uma bela cerimônia está prevista para depois da bandeirada em Interlagos, corrida de encerramento da carreira de Schumacher, com Pelé lhe entregando um troféu confeccionado em ouro.