Renault terá um ano difícil em 2007

liviooricchio

06 Setembro 2006 | 15h22

Estou na correria, para não variar. Neste instante encontro-me na rudimentar sala da Star Alliance do aeroporto de Cumbica, aguardando o embarque para a Alemanha.
A respeito do anúncio da Renault: Kimi Raikkonen não vai mesmo para lá, não é? Claro, tem contrato assinado com a Ferrari desde o início da temporada, conforme minhas fontes me garantiam. Não existe esse negócio de pré-contrato com Renault. Se Raikkonen já havia assinado com a Ferrari – e também não faz sentido algum essa fantasia de veto a Michael Schumacher -, é com os italianos que esse excepcional piloto irá se divertir.
Felipe Massa, da mesma forma, já celebrava há tempos sua permanência na Ferrari. Nada o surpreende. Sua tranquilidade ao falar do futuro denunciava a renovação de seu compromisso. A Ferrari ainda não anunciou Raikkonen e Massa, mas conforme venho afirmando há bom tempo, não vejo por onde sermos surpreendidos lá em Monza. De novo: minhas fontes são confiáveis, mas sabe como é, na Fórmula 1 já vi acontecer cada coisa, como quando a mesma Ferrari anunciou a contratação do Eddie Irvine, no fim de 1995. Estava em Portugal e ninguém esperava.
Mas com Raikkonen e Massa não será assim. Podemos esperar um Brasil mais forte na Fórmula 1 ano que vem e, melhor, com boas perspectivas para 2007. Nelsinho Piquet amadureceu muito como piloto este ano. Suas duas vitórias na Hungria, há poucas semanas, foram de encher os olhos. A prova da GP2, sábado, coincide com oo horário de eu enviar meu texto para a edição de domingo do Estadão. Fechamos bem cedo a edição.
Mas mesmo assim dou um jeito de acompanhar a corrida da GP2. Depois tenho sempre de encontrar uma desculpa do porquê o texto ter entrado um pouco mais tarde. O computador é quase sempre o culpado. O problema é que me deram, este ano, um foguete e não cola mais. Tenho recorrido às dificuldades de transmissão com a linha telefônica, mas com o wireless também já não funciona. Aceito sugestões de desculpas para eu poder continuar acompanhando as corridas de sábado à tarde na Europa, sem me prejudicar no jornal.
Nossa coluna será breve por falta de tempo.
Renault, esqueça que você irá disputar o título ano que vem com faz há duas temporadas. Fisichella é piloto para, quando muito e não erra, marcar pontos e Kovalainen ainda precisará de pelo menos um ano para conhecer melhor os desafios de disputar um GP, fato desconhecido por ele, diga-se. Conversei longamente com Kovalainen duas vezes este ano. É de uma simplicidade e sinceridade estonteantes. Disse-me saber que será veloz nas classificações, mas terá de dividir freada, compreender globalmente a corrida, condição que mesmo nos testes e simulações de prova percebe lhe faltar. Torço por ele. Gosto das pessoas em que há profunda sintonia entre o que sentem e o que expressam. Sem receios de julgamentos.
Falávamos de Nelsinho. Se me chamarem para o vôo terei de desligar, tá? O menino tem enorme quilometragem de pista e, este ano, cresceu como poucas vezes vi num piloto. Suas últimas performances fizeram os jornalistas se entreolharem na sala de imprensa. Celebrei de baixo do pódio todas as suas vitórias. Tirou, bastante, aquele peso das costas. O Nelsinho me passava a nítida impressão de achar que deveria dar sequência à carreira do pai, a partir de onde ela terminou, ou seja, em seguida a enorme sucesso na competição.
Isso é, em essência, o processo de maturidade a que me referi, além, claro, da maior experiência dele e da equipe Piquet Sports. Amanhã vou conversar pessoalmente com o Nelsinho, lá em Monza. Que tal uma entrevista? Boa idéia, esse é o momento. Vocês acabaram de me pautar.
Ainda não chamaram para o vôo, mas vou desligar. A Sabine Kehn, minha amiga, me pediu para lhe levar um produto específico aqui do Brasil. Sabine é a assessora de imprensa do Michael Schumacher, excelente profissional e amiga. Vou comprar, agora. Torço para ela continuar na Fórmula 1. É daquelas pessoas com quem você aprende.
Um abraço e até amanhã, na Itália, onde aproveitarei também para ver meu recém-nascido sobrinho, filho do meu irmão, há muito residente em Como.
Abraços