Rubinho, aos 35 anos: "Eu não poderia ser mais feliz".

liviooricchio

23 Maio 2007 | 15h53

23/V/07
GP de Mônaco
Livio Oricchio, de Mônaco

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No dia 23 de maio de 1993, Eddie Jordan deu um longo e sentido abraço em Rubens Barrichello, ainda antes da largada do GP de Mônaco. Seu piloto completava 21 anos de idade. Ontem, no mesmo paddock do circuito onde hoje começam os treinos livres da quinta etapa do Mundial, vários personagens da Fórmula 1, muitos nem ligados profissionalmente à competição ainda em 1993, também cumprimentaram Rubinho. Pelo aniversário de 35 anos.

“Eu não poderia ser mais feliz. Há quem diga que tenho azar. Azar nada, com tudo o que já conquistei pela Ferrari, os filhos que tenho, a vida que levo, fazendo o que amo”, desabafou o piloto da Honda.


Rubinho disputa no principado seu 238º GP. Exatamente na prova de Interlagos, última do calendário, dia 21 de outubro, ultrapassará a marca de participações de Michael Schumacher, com 250 GPs. E se renovar com a Honda, como deseja, ou mesmo transferir-se para outra equipe, deverá tornar-se, em 2008, o piloto com mais largadas na história da Fórmula 1. Por enquanto o italiano Riccardo Patrese, com 256 GPs, lidera esse ranking.

“É incrível como passa o tempo. Ainda há pouco perguntei a Silvana (esposa) como é possível ter ainda mais motivação com 35 anos, como agora, de na época em que comecei, com 20”, disse Rubinho, que passou quase metade da sua vida na Fórmula 1. “Tem gente que deve pensar o que eu faço aqui ainda. Depois de 15 anos, deveria estar em casa. Mas sou apaixonado pelo meu trabalho.”

Para quem já foi duas vezes vice-campeão do mundo, em 2002 e 2004, venceu 9 corridas e largou em 13 ocasiões na pole position, uma temporada como a atual, na Honda, distante dos pontos até, deveria ser um problema. “Não é. Aprendi tanto na Ferrari. Estou conseguindo modificar uma série de coisas na Honda e tenho certeza de que ainda colherei resultados.”

Uma versão bastante modificada do modelo RA107 vai estrear no GP da França, dia 1º de julho. Há um ensinamento maior depois da imensa experiência adquirida: “Nunca dizer que está contente com o carro. Sempre é possível melhorá-lo.”

Com a visão de hoje, teria tomado outras atitudes no passado, diz. “Acho que fiquei muito tempo na Jordan.” Correu na escuderia irlandesa de 1993 a 1996. Como Rubinho, o inglês Lewis Hamilton chegou cedo na Fórmula 1, com 22 anos. “Hoje enxergo. Em termos de ser rápido, velocidade, consegui logo me impor. Mas faltou o que o Hamilton construiu ao longo de dez anos com a McLaren, preparo para conviver com o que existe fora do carro.”

Para Rubinho, o sucesso de Hamilton decorre do seu talento inegável e do investimento da equipe na sua preparação como um todo. “Desembarcou pronto na Fórmula 1.” Esse não foi o seu caso, o que acabou por interferir bastante na sua performance. A morte de Ayrton Senna, em 1994, lançou sobre si a responsabilidade de fazer o Brasil continuar vencendo na Fórmula 1. “Quis assumir um papel que não era meu.”

O tema é delicado. Mas o piloto da Honda não se omite de abordá-lo: rejeição. Há quem o veja como um exemplo de fracasso. “Não penso que seja assim. Sinto enorme carinho das crianças e dos um pouco mais velhos”, comenta. “Algumas pessoas da minha idade têm, sim, rejeição, mas é por terem aquela mentalidade desafiadora e ficam com bronca por eu, eventualmente, não ter ultrapassado alguém.”

A distância da família imposta pelos inúmeros compromissos da Fórmula 1 não é fácil de administrar, afirma. Rubinho e Silvana têm dois meninos, Eduardo e Fernando. “Compenso isso ao ser um pai muito presente quando posso. Fico 15 dias sem vê-los, mas outros 15 extremamente próximo. Aliás, é a melhor forma de emagrecer, não consigo acompanhar o pique deles.”

Os tempos são mesmo outros para o segundo piloto mais velho da Fórmula 1 (o primeiro é o escocês David Coulthard, com 36 anos): “Com o carro que temos, se conseguir um ponto aqui em Mônaco será motivo para celebração.” Diz torcer para que chova, domingo. “Seria muito bom.”

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