Rubinho fala de tudo. Mesmo.

liviooricchio

17 Outubro 2006 | 19h15

Do alto de seus 232 GPs disputados – só perde em número de largadas para Riccardo Patrese (256) e Michael Schumacher (248) -, Rubens Barrichello se sente à vontade, hoje, para falar de tudo. Não há na equipe Honda o rigor do silêncio imposto pela Ferrari. “Arrependimento por ter trocado um time pelo outro? Se você pensar que hoje eu luto, luto para chegar em 8.º e a Ferrari termina em 1.º, quem sabe eu devesse ficar um pouco mais lá. Mas estava por aqui da escuderia e não podia mais continuar.”

No fim de semana Rubinho disputará seu 14.º GP do Brasil. Sem nenhum pódio na temporada, sabe que esse é, provavelmente, o máximo que pode aspirar em Interlagos. “Confio, no entanto, que a Honda possa fazer um ótimo carro em 2007. Os resultados do novo túnel de vento, inaugurado no meio do campeonato, já são evidentes. Nosso maior problema é a falta de velocidade nas retas.” O que primeiro os brasileiros gostariam de saber dele é por qual razão seu companheiro, Jenson Button, somou 50 pontos e Rubinho, 28.

“O Button é muito querido na equipe, está bem integrado com o grupo, mas não tem preferências como acontecia na Ferrari. É um belo piloto, faz um bom trabalho e merece”, disse Rubinho. “Até a Hungria havíamos obtido resultados bem semelhantes, depois ele conseguiu uma série muito boa (somou 29 pontos diante de 12 de Rubinho).” O fato de o carro da Honda ser bastante distinto do da Ferrari, bem como os pneus Michelin dos da Bridgestone, ainda explicam não ser tão eficiente quanto Button.

Seu substituto na Ferrari, Felipe Massa, está disputando uma boa temporada, na sua avaliação. “Não é o primeiro ano dele na Ferrari, na realidade, trabalhou como piloto de testes em 2003 e conhece a todos”, explica. “Tem o apoio do Michael Schumacher e está numa fase da carreira diferente da que quando eu entrei lá.” Massa sabe que tem de esperar só este ano, em razão de o alemão parar de correr, para ter sua chance. Esse não era o seu caso, comentou Rubinho.


Massa e Kimi Raikkonen farão o duelo na Ferrari ano que vem. “O Kimi tem talento para levar o time adiante. Aquele amor entre o Schumacher e a Ferrari, porém, foi único.” O finlandês pode até ser mais rápido que Schumacher, afirma Rubinho. “Mas não tão consistente.” Se Kimi não cumprir seu papel de ajudar a Ferrari a desenvolver seu carro, em dois anos a organização começará a perder performance, acredita. “Essa é a oportunidade do Massa, trabalhar na evolução do carro, ganhar a equipe.”

Fernando Alonso ou Michael Schumacher no GP do Brasil e no Mundial? A punição a Alonso em Monza, por supostamente atrapalhar Massa, e a proibição do amortecedor de massa aos franceses, dá a entender Rubinho, foram ações arbitrárias. “Por isso merece vencer o time que mais sofreu, a Renault.”