Schumacher: ainda não caiu a ficha

liviooricchio

22 Outubro 2006 | 21h23

“Ainda não senti que não sou mais piloto de Fórmula 1. Uma hora vai acontecer, não sei quando.” Foi uma das primeiras declarações de Michael Schumacher, hojeo, depois de disputar uma das mais espetaculares corridas da sua extraordinária carreira. Para tristeza de seus admiradores, a última. Não foi campeão, mas não poderia deixar de bater mais um recorde: o vice com maior número de pontos da história, 121. “Parabéns a Alonso pelo título”, disse o alemão.

A imprensa do mundo todo acreditou que o piloto da Ferrari responderia depois da bandeirada as muitas perguntas feitas sexta-feira e sábado, e não respondidas, sobre sua retirada das pistas. “Vocês me questionam coisas que eu ainda não sei responder. É muito cedo. Toda minha concentração, aqui no Brasil, estava na necessidade de fazermos 1.º e 2.º na corrida para sermos campeões entre os construtores.” Garantiu não estar triste: “Não, se tivesse não teria decidido parar de correr, mas gostaria de estar no pódio na minha última corrida.”

Várias pessoas dizem que você, depois de performance tão notável, hoje, voltará a competir… De novo Schumacher esboça um sorriso: “É divertido. Vocês me perguntavam sobre quando eu diria algo sobre meu futuro, qual seria a minha decisão. Agora que eu a tomei, vocês querem que eu reconsidere (risos).” Para Pelé, na linha de chegada, o piloto da Ferrari disse, instantes antes de receber o troféu pelo que fez na Fórmula 1. “É duro despedir-se, não?”

Schumacher lembrou que esta semana não lhe permitirá sentir ainda ter parado suas atividades. “Já no próximo fim de semana haverá o Ferrari Day, em Monza, e de novo estarei numa entrevista com vocês.” Era inevitável perguntar-lhe: do que mais sentirá falta? “Dessa equipe incrível, mas não nos distanciaremos.” Os mecânicos deram a Schumacher uma foto de um pit stop, visto de cima. Cada um deles escreveu uma frase. “Uma delas me tocou muito: você é um dos nossos.” Apesar de não oficializado, ainda, o alemão será consultor da Ferrari.

Já que não havia respostas para perguntas objetivas, a imprensa buscou outras formas de tentar saber mais sobre seu futuro. O que você estará fazendo dia 18 de março do ano que vem? O piloto da Ferrari riu. “Deve ser a data da abertura do próximo Mundial, acredito. Vou estar em casa, com meus filhos, provavelmente diante da TV para assistir ao GP da Austrália.” Seu pai, Rolf, sempre muito discreto, abraçou o filho ao final da prova. “Ele estava muito contente, se aproximou e disse…finalmente acabou e posso relaxar um pouco.” Rolf dá entender que, apesar da tranquilidade aparente, sente-se tenso nas corridas. Seu outro filho continua na Fórmula 1, Ralf, na Toyota.

Carreira plena de exigências, desgaste, sucesso. Longa ou curta, questiona. “Apenas intensa.” Amou o que fez? “Sim.” Quando começou, em 1991, pensou chegar onde chegou? “Não mesmo.” Espontaneamente Schumacher diz: “Sentirei falta dos torcedores. Sempre me apoiaram, mesmo nos momentos difíceis. Eles me deram confiança para seguir adiante. Só posso dizer obrigado, muito obrigado aos que torceram por mim.”

Acabou. O que você faria diferente, com a experiência de hoje? “Claro que tenho arrependimentos, algumas coisas faria de outra maneira.” A sua última corrida na Fórmula 1 mereceu uma comemoração: “Vamos jantar hoje à noite. Eu, Corinna (esposa), meu pai, o pessoal da equipe, meus amigos da Alemanha e da Suíça, Willi (empresário).” Terça-feira Schumacher já estará em casa, em Vufflens-le-Chateau, na Suíça, onde poderá permanecer bem mais tempo com Ginna Maria e Mike, seus filhos, de 9 e 7 anos, de quem sempre demonstrou sentir falta nos autódromos. “A forma que tinha de reduzir a saudade era ter no meu laptop muitas e muitas fotos deles.” Agora os terá próximo de si.