Schumacher aproveita para afundar ainda mais Alonso

liviooricchio

05 Outubro 2006 | 08h30

Tudo pode dar errado para Michael Schumacher e a Ferrari no GP do Japão. No treino classificatório, sábado, a partir das 2 horas (horário de Brasília), Fernando Alonso, da Renault, tem alguma condição de surpreendê-los, apesar da séria crise vivida pelo time francês, às vesperas da prova que pode definir o campeonato. Mas Schumacher aproveitou, hoje, para dar mais um golpe na já combalida falta de confiança de Alonso na sua equipe.
“Meu histórico aqui é muito bom, amo essa pista, vejo o traçado de Suzuka como mais favorável a nosso carro que o da China e a previsão é de melhora do tempo.” A chuva tende a favorecer Alonso, por causa da maior eficiência dos pneus intermediários Michelin da Renault em relação ao Bridgestone, marca usada pela Ferrari. O piso molhado é a esperança do espanhol para obter a vitória em Suzuka, circuito mais da Ferrari. Nas seis últimas edições do GP do Japão a escuderia italiana ganhou cinco, sendo quatro com Schumacher.
Enquanto de um lado sobram desconfianças, do outro o clima é dos mais positivos com as duas vitórias de Schumacher nas duas últimas corridas do campeonato, Itália e China. “Chegamos aqui cheios de motivação e por sabermos que, em geral, nos damos bem, confiantes em outro grande resultado”, falou Schumacher. Esnobando confiança, o alemão da Ferrari comentou: “Eu já vivi essa situação (lutar pelo título nas duas etapas finas da temporada) e sei como lidar com ela, sou experiente, estou na Fórmula 1 há 16 anos, acho que sei como fazer as coisas funcionarem.”
Se Schumacher não conquistar o Mundial em Suzuka, domingo, e a definição do título se estender para o GP do Brasil, dia 22, como é bastante provável, o tal histórico citado pelo piloto da Ferrari sobre seu sucesso muda um pouco. Em quatro oportunidades Schumacher chegou à etapa de encerramento do campeonato em condições de ser campeão e venceu apenas duas. Em 1994, pela Benetton, Schumacher errou nos três dias do GP da Austrália, mas no fim bateu de propósito em Damon Hill, da Williams, para colocá-lo para fora e vencer a disputa.
Em 1997, já na Ferrari, tentou fazer o mesmo com Jacques Villeneuve, da Williams, no GP da Europa, em Jerez de la Frontera. Não conseguiu, ficou feio e perdeu a competição. No ano seguinte, lutou com Mika Hakkinen, da McLaren, até a corrida de Suzuka. Deu o finlandês. Em 2003, por muito pouco não vê Kimi Raikkonen, da McLaren, conquistar em Suzuka seu primeiro Mundial. Não fosse Rubens Barrichello, companheiro de Ferrari, vencer e ele conseguir um ponto, com o oitavo lugar, teria perdido.
Schumacher e Alonso têm, agora, 116 pontos. Mas como o alemão obteve 7 vitórias diante de 6 do espanhol, se vencer o GP do Japão e Alonso não marcar pontos, será campeão.